O biodiesel que o Brasil começa a consumir em grande escala a partir de terça-feira, quando entra em vigor a obrigatoriedade de adição de 2% do combustível vegetal no diesel mineral, não terá origem paranaense. As duas usinas do Paraná com capacidade produtiva autorizada pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) – Biopar e Biolix, ambas de Rolândia (Norte do Estado) – ficaram de fora dos leilões promovidos pelo governo federal para compor o estoque de 840 milhões de litros que atenderá o país ao longo de 2008.
O diretor industrial da Biopar, Nivaldo Tomazella, diz que o baixo preço estabelecido pelo governo federal nos leilões desmotivou a participação da empresa. “Nos primeiros leilões, o preço chegou a ficar abaixo do custo da matéria-prima, que responde por 75% do custo de produção. Vender só por vender não vale a pena. Nos leilões feitos neste mês, já houve uma valorização. É um bom sinal”, diz ele, lembrando que, de uma média de R$ 1,86 por litro pagos em outubro, o biodiesel passou a R$ 2,17 no último leilão.
Excluída do comércio com as distribuidoras por não ter vendido estoque em leilões, a Biopar está negociando parcerias com o setor privado, para fornecimento de biodiesel a ser usado em geradores de energia. A usina, montada este ano e operando até o momento em fase de testes, inicia a produção comercial em janeiro, com cerca de 30% da capacidade total produtiva.
A Biolix, pioneira do Brasil na produção de biodiesel, está parada. O proprietário, Antônio dos Reis Félix, não concorda com o sistema e os critérios de compra de biodiesel do governo. “Se alguém quiser comprar a usina, estou vendendo”, afirma. Uma notificação da ANP, em março, desmotivou Félix a manter a usina montada há cincos. “Consideraram irregular o fato de eu vender combustível para mim mesmo, pois abastecia uma frota de caminhões minha com o biodiesel. Voltaram atrás da decisão, porque não chegaram a me autuar, mas foi o suficiente para eu desanimar completamente”, lamenta.
Outras duas empresas manifestaram a intenção de produzir biodiesel no Paraná: uma em Tibagi, com investimento estrangeiro, e outra recém-anunciada pela Petrobrás, em Palmeira. A atual estrutura industrial paranaense para produção de biodiesel é considera incipiente pelos economistas Junior Ruiz Garcia e Armando Dalla Costa, autores de artigo apresentado em outubro, no Encontro de Economia Paranaense (Ecopar). “O Paraná conseguiu nas últimas duas décadas avançar no desenvolvimento tecnológico voltado à produção e ao uso do biodiesel. Contudo, neste mesmo período, a instalação de uma estrutura produtiva não avançou”, diz a publicação, destacando que, antes de o governo federal lançar o programa de biodiesel, o Tecpar já desenvolvia estudos na área.
Para o diretor técnico do Tecpar, Bill Jorge Costa, o aumento de produção do biodiesel no Paraná vai depender de uma substituição da matéria-prima do produção, hoje fortemente focada na soja. “A soja está com o preço muito alto, não oferece uma boa margem de lucro para quem produz o biodiesel”, avalia. O pesquisador da Embrapa Soja, Amélio Dall’Agnol tem opinião semelhante. “O problema é que aqui, pela vantagem logística, a soja vale mais do que em Mato Grosso e Goiás. Para lucrar com biodiesel, vale mais a pena produzir lá”.

Patrícia Kunzel
O diretor industrial da Biopar, Nivaldo Tomazella, diz que o baixo preço estabelecido pelo governo federal nos leilões desmotivou a participação da empresa. “Nos primeiros leilões, o preço chegou a ficar abaixo do custo da matéria-prima, que responde por 75% do custo de produção. Vender só por vender não vale a pena. Nos leilões feitos neste mês, já houve uma valorização. É um bom sinal”, diz ele, lembrando que, de uma média de R$ 1,86 por litro pagos em outubro, o biodiesel passou a R$ 2,17 no último leilão.
Excluída do comércio com as distribuidoras por não ter vendido estoque em leilões, a Biopar está negociando parcerias com o setor privado, para fornecimento de biodiesel a ser usado em geradores de energia. A usina, montada este ano e operando até o momento em fase de testes, inicia a produção comercial em janeiro, com cerca de 30% da capacidade total produtiva.
A Biolix, pioneira do Brasil na produção de biodiesel, está parada. O proprietário, Antônio dos Reis Félix, não concorda com o sistema e os critérios de compra de biodiesel do governo. “Se alguém quiser comprar a usina, estou vendendo”, afirma. Uma notificação da ANP, em março, desmotivou Félix a manter a usina montada há cincos. “Consideraram irregular o fato de eu vender combustível para mim mesmo, pois abastecia uma frota de caminhões minha com o biodiesel. Voltaram atrás da decisão, porque não chegaram a me autuar, mas foi o suficiente para eu desanimar completamente”, lamenta.
Outras duas empresas manifestaram a intenção de produzir biodiesel no Paraná: uma em Tibagi, com investimento estrangeiro, e outra recém-anunciada pela Petrobrás, em Palmeira. A atual estrutura industrial paranaense para produção de biodiesel é considera incipiente pelos economistas Junior Ruiz Garcia e Armando Dalla Costa, autores de artigo apresentado em outubro, no Encontro de Economia Paranaense (Ecopar). “O Paraná conseguiu nas últimas duas décadas avançar no desenvolvimento tecnológico voltado à produção e ao uso do biodiesel. Contudo, neste mesmo período, a instalação de uma estrutura produtiva não avançou”, diz a publicação, destacando que, antes de o governo federal lançar o programa de biodiesel, o Tecpar já desenvolvia estudos na área.
Para o diretor técnico do Tecpar, Bill Jorge Costa, o aumento de produção do biodiesel no Paraná vai depender de uma substituição da matéria-prima do produção, hoje fortemente focada na soja. “A soja está com o preço muito alto, não oferece uma boa margem de lucro para quem produz o biodiesel”, avalia. O pesquisador da Embrapa Soja, Amélio Dall’Agnol tem opinião semelhante. “O problema é que aqui, pela vantagem logística, a soja vale mais do que em Mato Grosso e Goiás. Para lucrar com biodiesel, vale mais a pena produzir lá”.

Patrícia Kunzel