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Abiove prevê recuperação dos embarques de soja e bons preços em 2008

"Os preços não devem voltar aos níveis de um ou dois anos atrás. Será um bom ano para a agropecuária, o mercado está demandante"
Agência Estado 3 min de leitura
Depois de um ligeiro recuo em 2007 - em favor do farelo e do óleo - as exportações de soja em grão devem voltar a aumentar em 2008, ano em que os preços seguirão fortes. A avaliação é do presidente da Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais, Carlo Lovatelli.

"Os preços não devem voltar aos níveis de um ou dois anos atrás. Será um bom ano para a agropecuária, o mercado está demandante", avalia.

Neste ano, de fevereiro (quando começa o ano da indústria) até outubro, os embarques de grão somaram 21,83 milhões de toneladas, ante 22,77 milhões no mesmo período em 2006. Puxadas pela forte demanda internacional por derivados do grão, as exportações de óleo cresceram 8,85%, para 1,98 milhão de toneladas, e as de farelo subiram 6,23%, para 10,168 milhões de toneladas na mesma comparação.

"O aumento das exportações de derivados foi uma surpresa agradável, são produtos de maior valor agregado, cuja produção fixa mão-de-obra", comentou Lovatelli. No caso do farelo, as exportações foram puxadas pela Europa, por conta da quebra da safra de trigo local. As exportações brasileiras de milho alcançaram níveis recordes em 2007 pelo mesmo motivo. Quanto ao grão, a China liberou estoques neste ano e importou menos grão do Brasil.

Para o período entre fevereiro de 2008 e janeiro de 2009, a Abiove prevê exportação de 27,3 milhões de toneladas de grão, aumento de 9,6% ante 24,9 milhões estimados para o intervalo anterior. Já os embarques de farelo devem crescer apenas 1,5% e os de óleo devem recuar 15%.

Condições Adversas O presidente da Abiove avalia que a exportação do grão voltará a ter um aumento significativo em 2008 até por conta das condições adversas para o processamento no País e no mundo. "Há grandes unidades de esmagamento sendo construídas na Rússia e na China. A própria Argentina tem criado condições para a construção dessas fábricas", relata. Enquanto isso, no Brasil, o investimento em novas esmagadoras deve continuar tímido. "Pode haver investimentos em lugares que ainda não contam com nenhuma unidade, como o Maranhão, e na divisa entre o Mato Grosso e o Pará, regiões onde há grande presença de soja", afirma.

Guerra fiscal entre Estados, câmbio e logística são alguns dos entraves à instalação de novas unidades. "Hoje é muito mais competitivo instalar unidades na China e na Rússia", considera.

Biodiesel A produção de soja do Brasil deve ter um crescimento tímido em 2008, justo o ano em que entra em vigor a obrigatoriedade da adição de 2% de biodiesel ao diesel de petróleo. No Brasil, a maior parte do produto é fabricada a partir da soja, mas apesar disso, Lovatelli não prevê aperto de oferta.

Enquanto a oferta de matéria-prima está garantida, os preços devem continuar a prejudicar a rentabilidade das esmagadoras. "Com a soja, a indústria de biodiesel não fecha as contas", diz Lovatelli. O executivo avalia que apenas regiões distantes do litoral, que produzam o biodiesel para consumi-lo localmente, como no Mato Grosso, podem equilibrar os custos. "Ainda assim há empresas investindo para marcar espaço no mercado, no futuro", diz.

Na avaliação do presidente da Abiove, a soja deve ainda continuar como principal matéria-prima apesar de haver outras matrizes mais eficientes. "Há grandes esforços para incentivar a produção a partir de outras oleaginosas, como pinhão manso, girassol e mamona, mas a soja deve dominar no curto prazo, já que é a matéria-prima mais abundante".
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