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Suinocultura - Pesquisador cita desafios para a produção do Biogás

Insumo energia tem cada vez mais impacto no custo final de produção e reduz competitividade do setor. No Brasil já existem cerca de 700 projetos na área de biodigestores, sendo que pelo menos 300 já estão funcionando
Diário de Cuiabá 3 min de leitura
O desenvolvimento de tecnologias para o tratamento e utilização dos dejetos é o grande desafio para as regiões com alta concentração de suínos, como Mato Grosso, que tem um rebanho estimado em mais de 1,45 milhão de cabeças. A restrição de espaço e a necessidade de atender cada vez mais as demandas de energia, água de boa qualidade e alimento tem colocado alguns paradigmas a serem vencidos, os quais se relacionam principalmente à questão ambiental e à disponibilidade de energia.

Segundo o pesquisador Paulo Armando Victória de Oliveira, da Embrapa Suínos e Aves, o aspecto energia é cada vez mais evidenciado pela interferência no custo final de produção, tanto para a suinocultura como para a avicultura, “uma vez que as oscilações de preço podem reduzir a competitividade do setor”.

Armando lembrou que a recente crise energética, a alta dos preços do petróleo e a avaliação da emissão de gases de efeito estufa tem determinado uma procura por alternativas energéticas no meio rural.

“O processo de digestão anaeróbica (biometanização) consiste em um complexo de cultura mista de microorganismos, capazes de metabolizar materiais orgânicos complexos, tais como carboidratos, lipídios e proteínas para produzir metano, dióxido de carbono e material celular”, explica o pesquisador.

Na avaliação do estudioso, a geração do biogás em biodigestores tem se mostrado de relevante importância, principalmente por apresentarem baixos custos devido à pouca tecnologia associada e à facilidade operacional. Ele informou que no Brasil já existem cerca de 700 projetos na área de biodigestores, sendo que pelo menos 300 já estão funcionando.

Ao falar sobre a “Utilização dos dejetos de suínos para a produção de biogás”, ontem, durante o Seminário de Suinocultura de Mato Grosso, promovido pela Associação dos Criadores de Suínos do Estado (Acrismat), o pesquisador ressaltou que o uso dos biodigestores no meio rural tem merecido destaque devido aos aspectos de saneamento e geração de energia (térmica e elétrica), além de contribuírem significativamente com a redução dos gases de efeito estufa e estimularem a reciclagem orgânica e de nutrientes”.

Observou que o biogás produzido pode ter o seu conteúdo energético aproveitado nos sistemas de produção de suínos e aves em aquecimento, iluminação, geradores de energia elétrica e em motores para transporte de resíduos e do biofertilizante.

“O biodigestor instalado em propriedades produtoras de suínos, quando manejado adequadamente, pode produzir biogás com uma boa eficiência de produção. Para uma produção economicamente aceitável de biogás, o manejo dos dejetos na unidade produtora de suínos deve buscar obter a maior concentração possível de sólidos voláteis e evitar o desperdício de água”, assinala.

Na avaliação do pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o uso de modelo matemático no desenvolvimento de projetos de biodigestores para estimar a produção de biogás tem apresentado bons resultados. “Os dejetos de suínos, quando submetidos à digestão anaeróbica, em biodigestores, perdem exclusivamente carbono na forma de CH4 e CO2, o que resulta em um resíduo final melhor para uso como adubo orgânico em função da mineralização do nitrogênio e da solubilização parcial de alguns nutrientes”.

De acordo com Paulo Armando, o biofertilizante gerado pelos biodigestores pode ser encarado como um benefício a mais, “já que pode substituir os adubos químicos usados em lavouras e pastagens”.
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