O presidente da Comissão de Biodiesel da Abiove – Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais, Juan Diego Ferrés palestrou para diretores das associadas da UDOP, ontem (29 de setembro), durante assembléia da entidade. Ferrés sugeriu uma maior sinergia entre o setor sucroalcooleiro e as indústrias de óleos vegetais visando o incremento da produção de biodiesel, combustível que em sua fórmula pode utilizar etanol ou metanol. “Aqui no Brasil tudo indica que seguiremos pela rota etílica até pela abundância de etanol no mercado”, destacou Ferrés.
Veja a seguir a íntegra da entrevista que a Agência UDOP de Notícias fez com o presidente da Comissão de Biodiesel da Abiove:
Agência UDOP de Notícias: Qual o tema que foi abordado pelo senhor durante a assembléia da UDOP?
Juan Diego Ferrés: Falei sobre biodiesel de forma geral, qual o estágio que o país vive e quais as oportunidades para o curto, médio e longo prazos. Acredito que exista uma vocação muito clara para que o biodiesel produzido no País venha a ser produzido por uma sinergia que vai desde agricultura até a área industrial, entre a oleaginosa e as indústrias de óleos vegetais, junto com as usinas e destilarias de álcool, que também poderão passar a ser produtoras de oleaginosas.
Agência UDOP de Notícias: Qual deverá ser a rota escolhida pelos produtores de biodiesel no Brasil?
Juan Diego Ferrés: Com certeza o Brasil tem uma grande vocação para adotar a rota etílica, que aliás é uma novidade em termos de tecnologia industrial, assim, o Brasil vai mais uma vez inovar em termos de produção de bioenergia, porque a opção de biodiesel etílico ainda não foi adotada em outros países.
Agência UDOP de Notícias: Escolher uma rota que é pouco explorada pode significar um desafio maior ou um problema a ser enfrentado...
Juan Diego Ferrés: Como desafio maior eu concordo, acho que é isso mesmo, mas não vejo de forma nenhuma um problema, acho que é muito sinérgico, traz enormes vantagens, e também é muito meritório no aspecto ambiental, tanto no curto prazo, na questão de emissões, como também na qualidade das emissões; como também no longo prazo na questão do efeito estufa e do cumprimento do Protocolo de Kyoto.
Agência UDOP de Notícias: Há um interesse maior da Abiove numa parceria com as usinas e destilarias?
Juan Diego Ferrés: Entendo que sim, o setor de óleos vegetais hoje é representado por várias empresas multinacionais que atuam também em outros blocos do mundo na produção de biodiesel, aliás, são os maiores fabricantes de biodiesel em escala mundial na Europa e nos Estados Unidos. E ao mesmo tempo também no setor de óleos vegetais no Brasil existe ainda um setor remanescente de indústrias nacionais junto também com o setor cooperativo, e isso na verdade coloca o País de forma diferenciada em relação a como abordar do ponto de vista estratégico a produção de biodiesel. O setor de empresas nacionais, com capital 100% nacional, com certeza enxerga a estratégia junto ao setor de destilarias de álcool para produzir biodiesel dentro de um modelo conjunto.
Agência UDOP de Notícias: Como tornar os preços de biodiesel mais competitivos no mercado?
Juan Diego Ferrés: Temos aí realmente um problema, o Governo definiu um Programa Nacional de Biodiesel com alguns pontos muito corretos, como a mistura obrigatória, que inclusive recebi hoje a comunicação da antecipação dessa obrigatoriedade, anteriormente prevista na lei para janeiro de 2008, passando a valer para janeiro de 2006, o que é uma novidade importante porque resolve parte do problema, porque uma vez que é obrigatório, o mercado deverá adquirir a produção que venha ser realizada. Todavia, não acreditamos muito que essa obrigatoriedade, de adicionamento de 2% no diesel, vai conseguir estruturar o mercado para transformar o País no maior produtor de biodiesel do mundo, deve também ter uma condição econômica natural que conduza em poucos anos o custo de biodiesel a ser produzido a um valor inferior ao diesel de petróleo, e para isto é muito necessário que haja uma desoneração tributária da produção de biodiesel nascente, nos anos iniciais... o Governo adotou um modelo diferente para beneficiar única e exclusivamente a agricultura familiar e as regiões das secas, assim denominadas com o selo social, mas isso não pode ser em detrimento da adoção de biodiesel como um biocombustível muito importante para a matriz energética. O Brasil deverá rever a posição até então definida, e desonerar o biodiesel nos passos iniciais para que através do mercado estruturado e desonerado, mais rapidamente o país venha a ser o maior produtor em termos de competividade mundial.
Veja a seguir a íntegra da entrevista que a Agência UDOP de Notícias fez com o presidente da Comissão de Biodiesel da Abiove:
Agência UDOP de Notícias: Qual o tema que foi abordado pelo senhor durante a assembléia da UDOP?
Juan Diego Ferrés: Falei sobre biodiesel de forma geral, qual o estágio que o país vive e quais as oportunidades para o curto, médio e longo prazos. Acredito que exista uma vocação muito clara para que o biodiesel produzido no País venha a ser produzido por uma sinergia que vai desde agricultura até a área industrial, entre a oleaginosa e as indústrias de óleos vegetais, junto com as usinas e destilarias de álcool, que também poderão passar a ser produtoras de oleaginosas.
Agência UDOP de Notícias: Qual deverá ser a rota escolhida pelos produtores de biodiesel no Brasil?
Juan Diego Ferrés: Com certeza o Brasil tem uma grande vocação para adotar a rota etílica, que aliás é uma novidade em termos de tecnologia industrial, assim, o Brasil vai mais uma vez inovar em termos de produção de bioenergia, porque a opção de biodiesel etílico ainda não foi adotada em outros países.
Agência UDOP de Notícias: Escolher uma rota que é pouco explorada pode significar um desafio maior ou um problema a ser enfrentado...
Juan Diego Ferrés: Como desafio maior eu concordo, acho que é isso mesmo, mas não vejo de forma nenhuma um problema, acho que é muito sinérgico, traz enormes vantagens, e também é muito meritório no aspecto ambiental, tanto no curto prazo, na questão de emissões, como também na qualidade das emissões; como também no longo prazo na questão do efeito estufa e do cumprimento do Protocolo de Kyoto.
Agência UDOP de Notícias: Há um interesse maior da Abiove numa parceria com as usinas e destilarias?
Juan Diego Ferrés: Entendo que sim, o setor de óleos vegetais hoje é representado por várias empresas multinacionais que atuam também em outros blocos do mundo na produção de biodiesel, aliás, são os maiores fabricantes de biodiesel em escala mundial na Europa e nos Estados Unidos. E ao mesmo tempo também no setor de óleos vegetais no Brasil existe ainda um setor remanescente de indústrias nacionais junto também com o setor cooperativo, e isso na verdade coloca o País de forma diferenciada em relação a como abordar do ponto de vista estratégico a produção de biodiesel. O setor de empresas nacionais, com capital 100% nacional, com certeza enxerga a estratégia junto ao setor de destilarias de álcool para produzir biodiesel dentro de um modelo conjunto.
Agência UDOP de Notícias: Como tornar os preços de biodiesel mais competitivos no mercado?
Juan Diego Ferrés: Temos aí realmente um problema, o Governo definiu um Programa Nacional de Biodiesel com alguns pontos muito corretos, como a mistura obrigatória, que inclusive recebi hoje a comunicação da antecipação dessa obrigatoriedade, anteriormente prevista na lei para janeiro de 2008, passando a valer para janeiro de 2006, o que é uma novidade importante porque resolve parte do problema, porque uma vez que é obrigatório, o mercado deverá adquirir a produção que venha ser realizada. Todavia, não acreditamos muito que essa obrigatoriedade, de adicionamento de 2% no diesel, vai conseguir estruturar o mercado para transformar o País no maior produtor de biodiesel do mundo, deve também ter uma condição econômica natural que conduza em poucos anos o custo de biodiesel a ser produzido a um valor inferior ao diesel de petróleo, e para isto é muito necessário que haja uma desoneração tributária da produção de biodiesel nascente, nos anos iniciais... o Governo adotou um modelo diferente para beneficiar única e exclusivamente a agricultura familiar e as regiões das secas, assim denominadas com o selo social, mas isso não pode ser em detrimento da adoção de biodiesel como um biocombustível muito importante para a matriz energética. O Brasil deverá rever a posição até então definida, e desonerar o biodiesel nos passos iniciais para que através do mercado estruturado e desonerado, mais rapidamente o país venha a ser o maior produtor em termos de competividade mundial.