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Rodrigues faz balanço negativo da agricultura para investidores

O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, fez hoje um balanço negativo do ano de 2005, em discurso para investidores estrangeiros durante seminário promovido em São Paulo pelo governo federal. Ele afirmou que a crise na agricultura representou uma redução de R$ 17 bilhões no Produto Interno Bruto do setor.
Agência Estado 3 min de leitura
O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, fez hoje um balanço negativo do ano de 2005, em discurso para investidores estrangeiros durante seminário promovido em São Paulo pelo governo federal. Ele afirmou que a crise na agricultura representou uma redução de R$ 17 bilhões no Produto Interno Bruto do setor.

Rodrigues afirmou que neste ano a renda do produtor caiu e o crédito disponível para custeio foi insuficiente. A redução do padrão tecnológico superior foi mais forte que a queda do poder de compra dos agricultores. As vendas de máquinas agrícolas caíram 50%; as de calcário 44%; e as de fertilizantes 14%. O crédito tomado pelos agricultores teve redução de 30%. "Ainda bem que 2005 acabou", disse ele.

Rodrigues ressalta que apesar da crise, o agronegócio ainda representa 30% do PIB do País e responde por 40% das exportações e por 37% dos empregos. Outro aspecto positivo destacado pelo ministro é o superávit agrícola de US$ 35 bilhões previsto para este ano.

Ele disse que este foi o primeiro ano em que o governo preocupou-se em adotar medidas anticíclicas para a agricultura, como a regulamentação do seguro rural e os novos instrumento para a financiar a produção agrícola. Ele destacou ainda a regulamentação da Lei de Biossegurança e a reformulação do Sistema Nacional de Sistema Brasileiro de Identificação e Certificação de Origem Bovina e Bubalina (Sisbov).

Para 2006, Rodrigues prevê que setor de agroenergia será um dos principais motores do agronegócio. "A agroenergia é o novo paradigma da produção agrícola mundial".

Ele salientou o crescimento de alguns segmentos como lácteos, frutas e produtos orgânicos, além da produção de biodiesel, que irá demandar no próximo ano o cultivo de 5 milhões de hectares para a produção de matéria-prima.

O ministro da Agricultura disse que a crise da agricultura termina em junho de 2006. Segundo ele, a safra 2006/07 será plantada a um custo menor, com o dólar cotado a R$ 2,20 e há no horizonte uma perspectiva de melhoria cambial, que pode favorecer na hora da comercialização.

Rodrigues afirmou que o ano de 2005 termina negativo para a agropecuária com perdas totais de US$ 21 bilhões. Ele não contestou a estimativa de quebra do PIB agropecuário divulgada ontem pelo IBGE de aproximadamente 3,5%.

Ele diz que 2005 foi um ano de prejuízos inesperados, entre os quais o surto de febre aftosa que prejudicou as exportações de carne bovina, a quebra de 20% na safra de cana da região Nordeste e a redução na safra de grãos.
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