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Biodiesel

Sucesso do biodiesel depende da Petrobras e Dnocs


Diário do Nordeste - 29 nov 1999 - 22:00 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:20

O êxito do programa de biodiesel, a partir do óleo da mamona, depende da decisão da Petrobras de recuperar sua filosofia de empresa nacionalista. E a esperança do biodiesel dar certo no semi-árido está no Dnocs, de desenvolver a atividade extensionista que sempre soube fazer ao longo da sua história. A afirmação foi feita pelo deputado federal Ariosto Holanda, durante sua exposição sobre o tema �Biodiesel e a inclusão social�, realizada ontem, pela manhã, no auditório do Dnocs, integrante da programação dos 95 anos de criação da autarquia.

O evento contou com a parceria da Sociedade dos Amigos do Dnocs (SOAD) e com a presença do diretor do Etene, José Alencar, de pesquisadores da UFC, agricultores, técnicos e funcionários do Dnocs.

O parlamentar explicou que o próprio presidente Lula da Silva já manifestou a intenção de fazer com que a Petrobras resgate seu papel histórico de empresa nacionalista para respaldar a produção de diesel combustível, a partir da mamona.
O deputado federal Ariosto Holanda ressalta as condições do Dnocs de repassar para os agricultores as técnicas do cultivo do vegetal
Ariosto acredita que a participação do Dnocs no processo da cultura da mamona é significativa porque o órgão reúne as condições de repassar para os agricultores as técnicas do cultivo do vegetal. Disse que o Dnocs, por sua experiência de trabalho no semi-árido, dará sustentação à base da cadeia produtiva da mamona.

O diretor-geral do Dnocs, Eudoro Santana, disse que muitos questionam a relação da Autarquia com o biodiesel. Segundo ele, esse projeto tem tudo a ver com a atuação do Dnocs porque se trata de uma alternativa de convivência com o sem-árido. Mas, afirmou que esse programa só tem condições de ser viabilizado, como uma etapa de inclusão social, se o governo federal assumir o processo, garantindo que a produção da mamona pelas famílias rurais seja absorvida por unidades produtivas instaladas regionalmente, e o óleo extraído seja processado por unidade de refino da Petrobras.

Santana lembrou que os projetos sociais no Brasil só podem alcançar um resultado de maior dimensão com a participação do Governo, para evitar que uma cadeia produtiva de inclusão social seja prejudicada pela presença do atravessador.

Além disso, o Governo garante ainda os recursos financeiros para dar início ao processo produtivo da cadeia, para que os agricultores participantes da base do ciclo do biodiesel não sejam ameaçados por ações daqueles considerados agentes predadores.

O Dnocs deve instalar, até o final deste ano, três unidades produtivas de biodiesel, a partir do óleo da mamona. Para a implantação de duas unidades - uma no Piauí (Vale do Gurguéia) e Ceará (Projeto Irrigado Várzea do Boi, em Tauá) conta com recursos orçamentários do Ministério da Integração Nacional.

Outra unidade será instalada no município de Piquet Carneiro, que já tem uma história de cultivo de mamona, com recursos de emenda parlamentar de Ariosto Holanda.

MEDALHA - A Câmara Municipal de Fortaleza homenageou ontem o Dnocs, pelos seus 95 anos de fundação, outorgando a Medalha Boticário Ferreira, entregue pelo vereador Idalmir Feitosa, durante sessão especial realizada no auditório do Dnocs. Autor da proposição da honraria, Idalmir Feitosa disse que conheceu o Dnocs, quando ainda morava em Tauá, pela atuação do órgão no socorro às secas periódicas e pela execução de projetos para oferecer infra-estrutura à convivência do sertanejo com a estiagem.

Ao agradecer a medalha, Eudoro Santana afirmou que a honraria pertence aos servidores do órgão, pela participação na construção dos açudes, estradas, perímetros irrigados, construção de adutoras e perfuração de poços profundos.