Reajuste da gasolina deveria ser de 20%, recomenda especialista
A Petrobrás vai determinar reajustes sucessivos nos preços dos combustíveis e o novo ajuste aos preços internacionais do petróleo deverá ocorrer nos próximos dias, alertou o consultor especializado em energia, Luiz Gonzaga Bertelli. Para ele, o ajuste no preço da gasolina deveria ser de pelo menos 20%.
Segundo Bertelli, "há especialistas que projetam uma primeira correção de pelo menos 10%. Quando o barril de petróleo era comercializado a US$ 40, na primeira quinzena de junho deste ano, tivemos aumento de 10,8% na gasolina e de 10,6% no óleo diesel".
Ele explicou ainda que o governo, preocupado com a inflação, "recomenda que as novas alterações dos preços aconteçam paulatinamente no último bimestre deste ano. Em decorrência, não repercutiria na meta de 8% indexada para 2004".
Após os últimos reajustes nos preços dos combustíveis, as distribuidoras registram acentuada queda de consumo. Não existe nenhuma evidência de que o preço do petróleo possa diminuir. Ele lembrou que alguns postos, depois do aumento da gasolina e do diesel, resolveram reajustar o preço do álcool hidratado, passando a cobrar R$ 1,20 por litro.
"Contudo, a demanda do álcool está firme, por causa do excepcional crescimento do seu uso nos carros bicombustíveis (flexfuel), cujas vendas atingiram 35% do total dos veículos novos de passeio comercializados em setembro deste ano. Todas as montadoras terão motores flexíveis em 2005."
O Brasil, afirma, estaria bem protegido contra um possível desabastecimento com uma produção média de 80% das necessidades de petróleo. Com os preços em torno de US$ 50/barril, são cada vez melhores as perspectivas para a utilização do álcool e do biodiesel.
Mas, alerta Bertelli, "existem vários entraves a serem superados, entre eles a carga tributária. Há, ainda, a necessidade de dar ao biodiesel o mesmo tratamento dado ao Proálcool, com financiamento à produção agrícola e industrial".


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