Ministérios discutem Programa Nacional do biodiesel em Campina Grande
A criação do Programa Nacional de Biodiesel é um dos temas principais do 1º Congresso Brasileiro de Mamona, que ocorre entre os dias 23 a 26, no Centro de Convenções Raymundo Asfora. Na quarta-feira (25), representantes de vários setores do governo federal estarão no evento para discutir o programa.
Catorze ministérios estão envolvidos com o programa e alguns representantes desses ministérios estarão participando do evento: Rodrigo Rodrigues vai representar a Casa Civil da Presidência da República, Maria das Graças Foster, representará o ministério da Minas e Energia, Ricardo Padilha é o representante do Ministério da Integração Nacional, Francelino Lamy representará o Ministério da Ciência e Tecnologia, Arnoldo Anacleto será o representante do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Ruy de Góes vem em nome do Ministério do Meio Ambiente.
Os representantes dos ministérios devem discutir o assunto com base num estudo elaborado pelo Conselho de Altos Estudos e Avaliação Tecnológica da Câmara dos Deputados, que concluiu que a cultura da mamona pode se tornar em curto prazo, no cenário do Nordeste, um dos principais componentes do programa nacional de biodiesel. A estimativa é de cerca de 40% do biodiesel produzido no Brasil nos próximos anos, misturas B2 e B5 depois, sejam obtidos a partir dessa oleaginosa.
“Dentre as demais oleaginosas é a que apresenta as maiores potencialidades para o Nordeste, seja pela relativa familiaridade do agricultor com a cultura, seja pela possibilidade do uso de tecnologias mais simples para a sua produção, pela maior resistência à seca, pelo elevado teor de óleo que apresenta, e ainda, pela boa produtividade, cujos recentes trabalhos da Embrapa já sinalizam significativos avanços tanto em condições de sequeiro quanto irrigadas”, avalia Paulo Antônio Motta dos Santos, assessor da comissão.
Os Estados do Nordeste podem levar vantagem imediata no cultivo dessa cultura. O principal atrativo que a Paraíba oferece é o custo baixo de produção da mamona, cerca de R$ 800,00 por hectare cultivado em condições de sequeiro. Em Campina Grande (PB), em Irecê (BA), em Barbalha (CE) e em outros estados da Região, a Embrapa Algodão - estatal vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, desenvolve pesquisas de melhoramento genético da cultura, cujos objetivos é fazer aumentar o teor de óleo das sementes de mamona para 60%.
O Brasil tem potencial para fornecer mais de 60% do biodiesel em substituição ao diesel que o mundo inteiro consome atualmente. Somente de babaçu tem-se no Brasil 17 milhões de hectares nativos. A agricultura brasileira consome seis bilhões de litros de diesel que poderiam ser totalmente substituídos pelo biodiesel produzido no país.
O estudo do deputados federais aborda a utilização de novas fontes alternativas de combustível, para economizar recursos e reduzir a poluição provocada pelos gases tóxicos lançados na atmosfera por veículos automotores. O Conselho avaliou contribuições encaminhadas por acadêmicos e pesquisadores dos principais centros tecnológicos do País que trabalham com energia renovável proveniente de biomassa.
O presidente do Conselho de Altos Estudos, deputado Luiz Piauhylino (PTB-PE) assinalou que, “mais do que em qualquer outro momento da história, a ciência e a tecnologia passam a constituir um insumo fundamental para a viabilização estratégica do desenvolvimento econômico e social do País”. Ele alertou que energias de fonte renovável, como o biodiesel, sinalizam perspectivas concretas para o fortalecimento e a inserção competitiva brasileira no cenário internacional. A expectativa é de que, a médio e longo prazos, o programa possa criar 500 mil novos empregos diretos.
Congresso – Com o tema principal “Energia e Sustentabilidade”, o Congresso Brasileiro de Mamona acontece entre os dias 23 a 26 de novembro, no Centro de Convenções Raimundo Asfora, em Campina Grande (PB). O evento é uma realização Embrapa Algodão em conjunto com a Delegacia Federal do Ministério da Agricultura na Paraíba e o Governo Federal, e tem como principais objetivos discutir os rumos da pesquisa e incentivar o desenvolvimento sustentável do agronegócio e da indústria da cultura.
Os organizadores entendem que este é um momento singular e de novas perspectivas para o desenvolvimento técnico-científico da cadeia produtiva da mamona. Sua versatilidade na indústria e a necessidade de alternativas sustentáveis para os combustíveis derivados do petróleo têm motivado a busca crescente por informações e oportunidades de negócio envolvendo esta oleaginosa.


.gif)

