BiodieselBR
Publicidade

Protocolo de Kyoto deve fomentar exportações do Brasil

O Protocolo de Kyoto , que entrou em vigor nesta quarta-feira, deve impulsionar as exportações brasileiras de combustíveis alternativos, as atividades de reflorestamento e de tratamento de resíduos. A previsão é do coordenador de Mudanças Climáticas do Ministério da Ciência e Tecnologia, José Miguez.
Globo Online 3 min de leitura
O Protocolo de Kyoto , que entrou em vigor nesta quarta-feira, deve impulsionar as exportações brasileiras de combustíveis alternativos, as atividades de reflorestamento e de tratamento de resíduos. A previsão é do coordenador de Mudanças Climáticas do Ministério da Ciência e Tecnologia, José Miguez. Esses setores podem ser beneficiados pelo Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), a parte do Protocolo que mais interessa ao Brasil, pois prevê a participação - voluntária - de nações em desenvolvimento.

- Ele permitirá a certificação de projetos de redução de emissões nos países em desenvolvimento e a posterior venda dos créditos de carbono, para serem utilizados pelos desenvolvidos, como modo suplementar para cumprirem suas metas - explica Miguez.

Uma das grandes oportunidades que se abrem para o país com o Protocolo de Kyoto, por exemplo, é a exportação de etanol e de biodiesel para os países desenvolvidos que querem reduzir suas emissões de poluentes dentro de casa. Outros setores que também serão beneficiados, segundo Miguez, são o agropecuário - com o aproveitamento do metano para cogeração de eletricidade e vapor na suinocultura - e o setor florestal, com a abertura de oportunidades de reflorestamento de áreas degradadas. O setor de tratamento de resíduos também deve ser impulsionado, com a transformação de lixões em aterros sanitários.

- O mercado de créditos de carbono é uma grande oportunidade para que o Brasil participe do esforço global de combate à mudança do clima, recebendo recursos externos e tecnologias que irão propiciar benefícios ambientais e mais qualidade de vida - acredita o coordenador de Mudanças Climáticas do Ministério.

Segundo ele, o Brasil é especialmente propício para atrair investimentos por meio do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo porque existe no país "uma grande tradição de desenvolvimento de energia renovável e uma cultura a favor dessa energia".

Mesmo antes da entrada em vigor do Protocolo, o governo brasileiro procurou criar os arranjos institucionais necessários para organizar os projetos que seriam desenvolvidos dentro do MDL. Como faltava à administração federal um órgão específico para coordenar e articular as ações necessárias, foi criada uma Comissão Interministerial de Mudança Global do Clima, através de um decreto presidencial em 1999. Fazem parte da Comissão os ministérios de Minas e Energia, dos Transportes, do Desenvolvimento, da Indústria e do Comércio, da Agricultura e do Abastecimento, do Meio Ambiente, do Orçamento e Gestão, das Relações Exteriores e o Extraordinário de Projetos Especiais. A presidência é exercida pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, que acumula também a função de secretaria executiva.

A primeira resolução dessa Comissão estabeleceu as regras para projetos que querem obter a aprovação para operar no âmbito do MDL. Até agora, dois deles foram aprovados, o Vega, um aterro sanitário de Salvador, na Bahia, e o Nova Gerar, em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro - o primeiro projeto no mundo a ser registrado no Conselho Executivo do mecanismo. Outros cinco projetos estão sendo analisados no momento
Compartilhar: