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Preço do óleo de palma no mais alto nível desde 1.999

A demanda por óleo de palma, parece ser insaciável. Os preços subiram 40% nos últimos 12 meses.
Valor Econômico 5 min de leitura
A demanda por óleo de palma, parece ser insaciável. Os preços subiram 40% nos últimos 12 meses e os contratos a prazo da bolsa malaia de futuros, referência mais usada no mercado, chegaram a US$ 650 nas últimas semanas,  um patamar que não era registrado desde janeiro de 1.999.

E há uma grande diferença entre oito anos atrás e agora. Antes, a dispara foi uma anormalidade, resultado da decisão da Malásia de impor controles de capital e atrelar a moeda local (ringgit) ao dólar, após a crise financeira da Ásia.

"Desta vez é uma situação real de oferta e procura”, destacou Alvin Tai, da empresa de serviços financeiros e consultoria OSK Research, de kuala Lumpur. "Existe até a chance de que [o preço] possa atingir um recorde histórico, (em torno de US$ 750), já que a demanda parece ser sólida", afirmou ele.

As cotações têm sido puxadas pelo aumento da utilização tradicional do óleo de palma em alimentos, sabões e cosméticos, decorrente do aumento populacional, pela onda de energia verde e também pela escassez de oferta.

No ano passado, a produção mundial somou 36,84 milhões de toneladas, das quais 87% vieram da Indonésia e Malásia. A previsão é que a demanda anual aumente até 4 milhões de toneladas por ano, sendo que a Indonésia é o único lugar com terras disponíveis para plantar grandes quantidades da árvore, de acordo com analistas desse mercado.

As árvores demoram quatro anos para se desenvolver e a Indonésia não está conseguindo plantar 1 milhão de hectares por ano para cobrir a escassez, embora melhoras na gestão das plantações tenham ampliado o rendimento e ajudado um pouco. "Em 2010, o déficit será de até 7 milhões de toneladas por ano",segundo observou Tai.

Os três mais importantes compradores de óleo de palma no mundo são a China, a Índia  a União Européia (UE). As exportações malaias para a China, por exemplo, aumentaram 38% no primeiro trimestre deste ano, para mais de 836 mil toneladas.

A Índia, por sua vez, reduziu as tarifas de importação de óleo de palma na semana retrasada pela terceira vez em oito meses, para 50%. As importações de óleos comestíveis do país agora poderão chegar a 450 mil toneladas, sendo 350 mil de óleo de palma.

Já na UE, a demanda por biocombustíveis é o principal motor da demanda. Todos os combustíveis usados para transporte no bloco econômico terão de ser compostos por 5,75% de biocombustíveis até 2010. "Significa que a demanda atual pelo biocombustível, no mínimo, dobrará", afirmou o diretor da Godrej International, Dorab Mistry.

"A produção de óleo de palma é a única capaz de se expandir porque os outros dependem de culturas com colheitas anuais e estamos ficando sem terras cultiváveis. A demanda, portanto, continuará forte", disse o executivo.

Três fatores, entretanto, deverão frear a disparada dos preços internacionais: a redução da diferença de preço em relação ao óleo de canola, o desenvolvimento de novas culturas e as preocupações com o meio ambiente.

"Os óleos de canola e de soja também teriam de se valorizar para que o óleo de palma continue subindo", afirmou Tai. No ano passado, os preços da soja subiram menos do que 10% da alta registrada pelo óleo de palma.
O receio de que o óleo de palma não seja tão ecologicamente responsável como seus produtores gostariam que o mundo acreditasse também poderá se revelar um grande problema.

Estudos publicados quase todas as semanas descrevem como o cultivo da palma pode ser ruim para o meio ambiente. Para tentar conter estragos, o setor criou o Fórum de Óleo de Palma Sustentável (RSPO, na sigla em inglês), embora seja improvável que a organização setorial esteja totalmente operacional pelo menos nos próximos 12 meses.

Nesse sentido, o presidente da Aarhus karlshamn UK e diretor-executivo do RSPO, Ian Mckintosh, ocupa-se em promover certificados "verdes" de óleo de palma - o "Greenpalm" que atesta a sustentabilidade ecológica do produto. O Greenpalm é um programa que prevê que qualquer um que deseje comprar óleo de palma sustentável pode adquirir certificados de fornecedores que adotam  práticas de cultivo favoráveis ao ambiente.

"Provavelmente, os certificados serão vendidos a US$ 10 por tonelada", afirmou Mckintosh. "Não é um grande ágio, mas os certificados poderiam se tornar uma exigência para a indústria alimentícia, que poderia elevar os preços".

Entre as novas culturas, a que tem mais chances de afetar a alta do óleo de palma é o pinhão manso. É considerado tão eficiente quanto o óleo de palma e pode ser cultivado no cerrado, o que o torna um produto que pode ser plantado em vários países.

No curto prazo, os preços do óleo de palma parecem inclinados a seguir nas alturas, embora a maioria dos analistas projete declínio em torno de 10% no próximo ano. “Os preços das commodities têm uma tendência de oscilar como um pêndulo quando sobem muito”, destacou Tai. “É improvável que seja diferente com o óleo de palma, mas como a demanda básica é tão grande, o recuo não deve ser muito severo”, concluiu.
Tags Palma
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