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Jatropha brilha por não ameaçar produção de alimentos

A Jatropha, uma planta selvagem tóxica que está ganhando importância como matéria-prima para biodiesel, dará lucro com os preços do petróleo a um terço do valor atual
BiodieselBR.com 4 min de leitura
A Jatropha, uma planta selvagem tóxica que está ganhando importância como matéria-prima para biodiesel, dará lucro com os preços do petróleo a um terço do valor atual

 A Jatropha, uma planta selvagem tóxica que está ganhando importância como matéria-prima para biodiesel, dará lucro com os preços do petróleo a um terço do valor atual, de acordo com a empresa britânica D1 Oils.

A companhia, pioneira no uso da jatropha para fabricar biodiesel, formou uma joint venture com a gigante do petróleo britânica BP para cultivar as primeiras sementes selecionadas de Jatropha do mundo, que permitem aumentar o rendimento do óleo em 60% quando as plantas estiverem madura – cinco a seis anos.

A D1 afirma que sua última estimativa mostrou que é possível lucrar com a Jatropha mesmo que o petróleo esteja em US$ 60-US$65 o barril – bem abaixo dos atuais US$ 95. 

“Esperamos que ela seja lucrativa a US$ 100 o barril”, disse Elliott Mannis, CEO (chef executive officer), da D1, em entrevista por telefone, de Londres, antes do Seminário de Agricultura Global e Biocombustíveis, promovido pela agência de notícias Reuters.

O preço de US$60-US$65 para o barril de petróleo como limite para se obter lucro com o pinhão-manso é substancialmente maior do que a estimativa feita pela Goldman Sachs no início do ano passado, que definiu esse valor em torno de US$ 40 o barril.

A Jatropha, originária da América Central, pode crescer em solos pobres e não necessita de muita água. A planta ganhou popularidade em países como a China, que quer abastecer seus carros com biodiesel sem ameaçar a produção de alimentos do país.

A D1-BP Fuel Crops está plantando, neste ano, 50 mil hectares com mudas das sementes selecionadas no sul da África, India e sudeste da Ásia, depois de pesquisas em uma gama de espécies selvagens em todo o mundo.

“Começamos a plantar nossas melhores sementes no final de 2007”, disse Manniss. “Esperamos que nossa primeira colheita significativa seja na segunda metade de 2008.”

Ainda assim a D1 diz que a planta está no começo de sua história como cultura comercial. Sua produtividade é muito variada, seus grãos, sementes e folhas são tóxicos. Ela também requer muita mão-de-obra para colher os frutos, que amadurecem em diversas épocas.

No entanto, a D1 está confiante em que as primeiras sementes selecionadas produzirão 2,7 toneladas de óleo por hectare, superior às 1,7 toneladas das sementes selvagens. Isso é menos da metade das 5 a 6 toneladas por hectare do óleo de palma, mas muito maior do que a meia tonelada por hectare da soja e 1,5 tonelada da canola. 

A D1 está investindo cerca de US$ 12 milhões para cultivar a planta no exterior depois de ter gastos outros muitos milhões em pesquisas. A idéia é melhorar ainda mais a produtividade e a qualidade do óleo, mas isso ainda levará tempo.

Segundo Mannis, o tamanho da lavoura de 2008 ainda não está claro. A empresa também está decidindo se construirá uma usina para transformar a Jatropha em biodiesel ou se venderá para empresas processadoras.

Um sinal da crescente aposta na Jatropha, a fabricante de carros alemã Daimler AG, a Bayer CropScience e a ADM juntaram-se para desenvolver a Jatropha visando à fabricação de biodiesel.

“É um bom sinal para a indústria. Outras empresas de porte estão começando a trabalhar com a Jatropha”, disse Mannis.

Essa entrada chega em um momento em que os preços do óleo de soja, de palma e de canola estão forçando os investidores a desistir de seus projetos com biodiesel iniciados nos últimos anos.

A D1-BP Fuel planeja plantar 1 milhão de hectares de Jatropha nos próximos quatro anos em países como Brasil, Moçambique e Austrália.

A empresa já plantou ou fez acordos para cultivar de 200 a 290 hectares pelo mundo, incluindo a China e a Indonésia.

Segundo a D1, a Jatropha também pode ajudar economias a adaptar sua agricultura, em um momento em que muitos países em desenvolvimento enfrentam tempo mais seco e escassez de água por causa do aquecimento global.

Nao Nakanishi
Reuters
Tradução: BiodieselBR.com

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