O presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Piauí (FETAG-PI), Evandro Luz, falou em entrevista ao TV Canal 13 sobre a situação dos trabalhadores do assentamento Santa Clara, um dos símbolos do projeto que visa a produção de biodiesel no Brasil e no Piauí. Na última quarta-feira (26), o TV Canal 13 divulgou em uma matéria denúncias a respeito das condições precárias em que o assentamento, localizado a 70 km entre os municípios de Canto do Buriti e Eliseu Martins, região Sul do Piauí, se encontra.
O presidente confirmou as denúncias divulgadas através de declarações do secretário de formação e organização sindical da FETAG, Adonias Higino Cunha. “Houve um grande descontentamento por parte das famílias, porque a empresa (Brasil Ecodiesel) está querendo reduzir a área plantada, reduzir os hectares de cada família”, disse Evandro Luz.
Confira mais trechos da entrevista do presidente da Federação:
Sobre as denúncias feitas pelo secretário de organização e formação sindical da FETAG, Adonias Higino Cunha, sobre a atual situação do assentamento Santa Clara
Realmente é um assentamento grande, com várias células – são cerca de 600 famílias – e que tem muitos problemas. Nós temos nos aproximado da empresa que coordena (Brasil Ecodiesel) e da gerência, através do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, através da FETAG, para tentar conversar, resolver as coisas conjuntamente. Há esse problema (os trabalhadores estão descontentes e acabam abandonando o projeto de produção do biodiesel), porque o inverno lá está um pouco atrasado, irregular, as chuvas estão bem abaixo da média, não estão tendo seqüência, e houve um plantio de mais de mil hectares de mamona e de feijão. Boa parte dessa produção a lagarta comeu. Houve um grande descontentamento por parte das famílias, porque a empresa (Brasil Ecodiesel) está querendo reduzir a área plantada, reduzir os hectares de cada família, mas os já tivemos ontem (27) um primeiro contato com o Júlio (Júlio Armando Martinez), coordenador da empresa Brasil Ecodiesel no Piauí, que ainda é a gestora do projeto, para que agora dia 2 ou 3 reúnam lá no sindicato de Canto do Buriti ou no próprio assentamento Santa Clara com os líderes de cada célula, com aqueles trabalhadores mais descontentes para que nós possamos ouvi-los e tentar um acordo para resolver esse problema. Nós entendemos que lá existem vários problemas e do ponto de vista da organização e de administração é muito complicado, porque são várias famílias, de várias regiões, inclusive até de outros estados, cada um com uma cabeça, cada um com uma visão, mas nós temos lá muitas famílias que querem continuar no projeto. São trabalhadores, que estão produzindo, iclusive melhorando de vida e nós esperamos que possamos conversar com essas famílias descontentes e chegar a um consenso. Nós estamos aguardando a vinda do coordenador da Brasil Ecodiesel, junto com a Federação dos Sindicatos e as famílias descontentes, para que possamos conversar e discutir sobre o problema.
No início do projeto, eram disponibilizados aos trabalhadores 25 tratores. Há denúncia de que hoje só são 3 e que os mesmos são ainda alugados para carvoarias da região, servindo como arrecadação de dinheiro para a empresa Brasil Ecodiesel
Há realmente essa suspeita de que esses tratores estão sendo alocados para fora. E isso conversaremos com a empresa, colocando que os trabalhadores não podem perder a infra-estrutura e os equipamentos que deviam proporcionar o trabalho a região. A empresa tem um contrato com os trabalhadores e esse contrato deve ser cumprido. Se a empresa estiver descumprindo, nós vamos acionar a empresa para que ela preste contas. As famílias foram para lá com essas promessas: de ter um trator, de terem condições de produzir. É isso que a maioria quer.
Sobre o trabalho da FETAG neste ano
Neste ano de 2007, a FETAG procurou trabalhar de forma mais planejada, procurando dar uma visibilidade maior às suas ações e, também, tentando mobilizar o maior número possível de trabalhadores rurais, lideranças sindicais, para as suas atividades. No ano de 2007, o problema da seca causou um grande prejuízo à agricultura familiar, com graves prejuízos econômicos aos trabalhadores, principalmente do ponto de vista do acesso à água, acesso à alimentação da família e, principalmente, com perdas altíssimas na safra, nos animais, tivemos uma morte muito grande de rebanhos de ovinos, caprinos e também de gado, entre outros animais devido à falta de água e de pasto. Isso traz um grande sofrimento para um dirigente sindical assim como para o trabalhador rural, que sente na pele esse problema. No entanto, do ponto de vista da cobrança, a FETAG exerceu o papel de cobrar das autoridades ações emergenciais que pudessem amenizar esse problema. Vamos transformar uma parte dos recursos que seriam para essas ações emergenciais com relação à alimentação da população, porque nós temos ainda um grande sofrimento em todo o estado do Piauí com relação a muitas famílias que ainda não estão tendo o que comer. É preciso ajuda governamental a distribuição de alimentação.
O presidente confirmou as denúncias divulgadas através de declarações do secretário de formação e organização sindical da FETAG, Adonias Higino Cunha. “Houve um grande descontentamento por parte das famílias, porque a empresa (Brasil Ecodiesel) está querendo reduzir a área plantada, reduzir os hectares de cada família”, disse Evandro Luz.
Confira mais trechos da entrevista do presidente da Federação:
Sobre as denúncias feitas pelo secretário de organização e formação sindical da FETAG, Adonias Higino Cunha, sobre a atual situação do assentamento Santa Clara
Realmente é um assentamento grande, com várias células – são cerca de 600 famílias – e que tem muitos problemas. Nós temos nos aproximado da empresa que coordena (Brasil Ecodiesel) e da gerência, através do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, através da FETAG, para tentar conversar, resolver as coisas conjuntamente. Há esse problema (os trabalhadores estão descontentes e acabam abandonando o projeto de produção do biodiesel), porque o inverno lá está um pouco atrasado, irregular, as chuvas estão bem abaixo da média, não estão tendo seqüência, e houve um plantio de mais de mil hectares de mamona e de feijão. Boa parte dessa produção a lagarta comeu. Houve um grande descontentamento por parte das famílias, porque a empresa (Brasil Ecodiesel) está querendo reduzir a área plantada, reduzir os hectares de cada família, mas os já tivemos ontem (27) um primeiro contato com o Júlio (Júlio Armando Martinez), coordenador da empresa Brasil Ecodiesel no Piauí, que ainda é a gestora do projeto, para que agora dia 2 ou 3 reúnam lá no sindicato de Canto do Buriti ou no próprio assentamento Santa Clara com os líderes de cada célula, com aqueles trabalhadores mais descontentes para que nós possamos ouvi-los e tentar um acordo para resolver esse problema. Nós entendemos que lá existem vários problemas e do ponto de vista da organização e de administração é muito complicado, porque são várias famílias, de várias regiões, inclusive até de outros estados, cada um com uma cabeça, cada um com uma visão, mas nós temos lá muitas famílias que querem continuar no projeto. São trabalhadores, que estão produzindo, iclusive melhorando de vida e nós esperamos que possamos conversar com essas famílias descontentes e chegar a um consenso. Nós estamos aguardando a vinda do coordenador da Brasil Ecodiesel, junto com a Federação dos Sindicatos e as famílias descontentes, para que possamos conversar e discutir sobre o problema.
No início do projeto, eram disponibilizados aos trabalhadores 25 tratores. Há denúncia de que hoje só são 3 e que os mesmos são ainda alugados para carvoarias da região, servindo como arrecadação de dinheiro para a empresa Brasil Ecodiesel
Há realmente essa suspeita de que esses tratores estão sendo alocados para fora. E isso conversaremos com a empresa, colocando que os trabalhadores não podem perder a infra-estrutura e os equipamentos que deviam proporcionar o trabalho a região. A empresa tem um contrato com os trabalhadores e esse contrato deve ser cumprido. Se a empresa estiver descumprindo, nós vamos acionar a empresa para que ela preste contas. As famílias foram para lá com essas promessas: de ter um trator, de terem condições de produzir. É isso que a maioria quer.
Sobre o trabalho da FETAG neste ano
Neste ano de 2007, a FETAG procurou trabalhar de forma mais planejada, procurando dar uma visibilidade maior às suas ações e, também, tentando mobilizar o maior número possível de trabalhadores rurais, lideranças sindicais, para as suas atividades. No ano de 2007, o problema da seca causou um grande prejuízo à agricultura familiar, com graves prejuízos econômicos aos trabalhadores, principalmente do ponto de vista do acesso à água, acesso à alimentação da família e, principalmente, com perdas altíssimas na safra, nos animais, tivemos uma morte muito grande de rebanhos de ovinos, caprinos e também de gado, entre outros animais devido à falta de água e de pasto. Isso traz um grande sofrimento para um dirigente sindical assim como para o trabalhador rural, que sente na pele esse problema. No entanto, do ponto de vista da cobrança, a FETAG exerceu o papel de cobrar das autoridades ações emergenciais que pudessem amenizar esse problema. Vamos transformar uma parte dos recursos que seriam para essas ações emergenciais com relação à alimentação da população, porque nós temos ainda um grande sofrimento em todo o estado do Piauí com relação a muitas famílias que ainda não estão tendo o que comer. É preciso ajuda governamental a distribuição de alimentação.