BiodieselBR
Publicidade

Fábrica vai produzir biodiesel em escala comercial no MT

A produção de biodiesel, em escala comercial, se tornará realidade em Mato Grosso a partir de julho de 2006. No empreendimento serão investidos R$ 25 milhões na planta industrial, em Barra do Bugres (159 km de Cuiabá), sendo 80% por meio do FCO (Fundo Constitucional do Centro-Oeste) e 20% de recursos próprios da empresa Barralcool.
Folha do Estado - Joana Dantas 4 min de leitura
A produção de biodiesel, em escala comercial, se tornará realidade em Mato Grosso a partir de julho de 2006. No empreendimento serão investidos R$ 25 milhões na planta industrial, em Barra do Bugres (159 km de Cuiabá), sendo 80% por meio do FCO (Fundo Constitucional do Centro-Oeste) e 20% de recursos próprios da empresa Barralcool.
A previsão é fabricar aproximadamente 50 milhões de litros por ano, na fase de implantação.

Desse montante, 10% serão fornecidos pela agricultura familiar, quantia que demandará mais de seis mil hectares plantados de girassol, uma das matérias-primas utilizadas na produção do biodiesel. Para cultivar essa área, será necessário o envolvimento de aproximadamente 600 famílias rurais, considerando que cada pequena propriedade familiar possui 10 hectares. Somente na indústria a expectativa é gerar entre 150 e 200 empregos diretos.

Ontem, 11 prefeitos dos municípios circunvizinhos de Barra do Bugres, o proprietário da indústria, Sílvio Rangel, e representantes do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) se reuniram para discutir a inclusão dos agricultores familiares da região ao projeto para a produção de girassol e pinhão manso, ambos utilizados na confecção do combustível ecológico. A planta do biodiesel funcionará integrada à usina de álcool.

Ela será a primeira no mundo a construir uma planta com esse formato. De acordo com o associado da empresa, Sílvio Rangel, o projeto ainda será apresentado ao Banco do Brasil. A Barralcool é uma empresa tradicional no mercado mato-grossense, estabelecida há 22 anos em Barra do Bugres, onde são fabricados 150 milhões de litro de álcool por ano e 800 mil sacos de açúcar/ano.

"A idéia de anexar a unidade de biodiesel na de álcool é aproveitar melhor os insumos como o vapor e a energia, dessa forma estaremos agregando melhores condições as duas indústrias", observou Rangel. Para o prefeito de Barra do Bugres, Aniceto Miranda, a indústria de biodiesel vai alavancar a economia dos municípios e das cidades vizinhas. "A indústria representa geração de emprego e mercado garantido para a produção da agricultura familiar", observou o prefeito.

Somente em Barra do Bugres vivem mais de mil agricultores familiares. São 32 mil habitantes, sendo 27 mil da área urbana. "São pessoas que precisam de renda, e esse é o primeiro investimento dessa magnitude na cidade. Hoje (ontem) é um marco para a população", observou. O Biodiesel, conhecido como combustível ecológico, possui em sua composição álcool, diesel e óleos vegetais.

Empresas internacionais estão de olho:

Duas grandes empresas internacionais já manifestaram interesse em adquirir toda a produção de biodiesel da Barralcool. Mas, antes de viabilizar o produto comercialmente é necessário organizar a cadeia produtiva. Uma das pontas é organizar os produtores familiares para que eles sejam inseridos no projeto como determina o Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel.

De acordo com o associado da empresa, Sílvio Rangel, ontem foi a primeira de uma série de reuniões já agendadas com os segmentos envolvidos. Na ocasião verificou-se o interesse dos pequenos produtores e dos representantes locais de participar dessa iniciativa.

"Serão realizadas outras reuniões técnicas e junto aos pólos produtivos de cada município interessado no projeto. Precisamos organizar os setores para dar encaminhamento ao projeto", observou Rangel. As reuniões serão necessárias para definir a planilha de custo e de preço da produção.

O uso comercial do biodiesel ocorrerá a partir da mistura de 2% ao diesel de petróleo. O mercado potencial interno nos próximos três anos será de pelo menos 800 milhões de litros/ano. Volume que possibilitará uma economia de US$ 160 milhões/ano com a redução das importações de petróleo com o uso do B2.

Em Mato Grosso, a única empresa a desenvolver o aditivo é a Ecomat, com sede no Distrito Industrial de Cuiabá. A capacidade da empresa é de 1,2 tonelada, ou 8 milhões de litro anuais, que atenderia menos de 1/4 da demanda mato-grossense, de 1,8 milhão de litros.
Compartilhar: