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Especial 4: o combustível do futuro

O projeto de biodiesel, liderado pela Embrapa, prevê a criação simultânea de um consórcio brasileiro de agronergia que reunirá vários setores, como as indústrias de petróleo e automobilística, bem como um fundo voltado para o setor.
Agrolink - Giuliano Mendes 4 min de leitura

Cidades inteiras devastadas por furacões. Morte de milhares de pessoas. Estiagem em regiões que nunca tiveram este problema. São apenas alguns dos resultados do aquecimento global. O ano de 2005 vem sendo o mais quente no hemisfério norte desde que os registros começaram, em 1860. Globalmente, a temperatura média só é inferior à de 1998, cujo número foi inflado pelo fenômeno El Niño. Exemplos como o do furacão Katrina, que destruiu cidades como Nova Orleans, nos Estados Unidos, expõem os perigos que devem aumentar ainda mais em conseqüência dos gases poluentes emitidos na atmosfera. Os atuais níveis de dióxido de carbono são os mais altos dos últimos 400 mil anos. A temperatura dos oceanos está se tornando cada vez mais quente, as geleiras apresentam derretimento maior que o previsto e a diferença de temperatura entre o dia e a noite é cada vez menor.

No Brasil, a região amazônica, conhecida por apresentar chuvas abundantes quase o ano inteiro, sofreu com os mesmos transtornos da seca que regiões como a do Nordeste já conhece há décadas. Famílias precisaram buscar água em lugares distantes pela escassez que assombrou os moradores de algumas regiões. O desmatamento desenfreado foi um dos fatores principais para este problema, visto que a derrubada de árvores reduz a evaporação da água e, conseqüentemente, diminui as precipitações. A maior seca dos últimos 40 anos nesta região provocou transtornos na economia e no meio ambiente, e pode vir a ser o início de problemas ainda maiores. Além do mais, cientistas afirmam que o desmatamento na região pode ser até 123% maior em relação ao estimado inicialmente. A seca também castigou, entre o final de 2004 e o início deste ano, a produção de grãos na região Sul do país. Segundo o IBGE, houve uma queda de 20% na safra 2004/05.

Além dos desmatamentos, outro motivo para o aquecimento global é a emissão de gases poluentes de automóveis pela queima de combustíveis derivados do petróleo. Muitos especialistas afirmam que as reservas naturais desta matéria-prima estão com os dias contados e será preciso encontrar alternativas para a gasolina e o diesel. O Protocolo de Kyoto decidiu que todos os países serão obrigados a incluir 2% de biodiesel no diesel derivado de petróleo. Esta decisão valerá a partir de janeiro de 2008. Para 2013, a mistura passará para 5%. Com esta lei, o Brasil terá de produzir no mínimo 800 milhões de litros do biocombustível por ano, a partir de 2008, para suprir a demanda interna. E a partir de 2013, a produção terá que atingir 2 bilhões de litros.

O governo brasileiro se antecipou a esta decisão e disponibilizou um programa de incentivo à produção. Em outubro, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento lançou o Plano Nacional de Agroenergia com o objetivo estratégico de elevar a produção de biocombustíveis por meio do etanol, biodiesel, florestas energéticas, biogás e aproveitamento de resíduos e dejetos. O projeto, liderado pela Embrapa, prevê a criação simultânea de um consórcio brasileiro de agronergia que reunirá vários setores, como as indústrias de petróleo e automobilística, bem como um fundo voltado para o setor. Em parceria com universidades e principais empresas de máquinas agrícolas em atuação no País, a Embrapa está realizando testes e adaptações para que os motores dos tratores aceitem mistura de 5% a 20% de biodiesel (soja, mamona ou girassol).

O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, disse que o biodiesel ganha em todo o mundo uma dimensão cada vez mais relevante. “Alemanha e França já trabalham com volumes significativos. A Alemanha, por exemplo, produz quase 1,2 bilhão de litros”, afirmou. Especialistas prevêem que, nas próximas décadas, o agronegócio mundial estará estruturado em quatro macro segmentos: alimentação, fibras, biomassa, plantas ornamentais e nichos especializados. A evolução do biodiesel vai exigir um avanço maior da área cultivável no Brasil, que poderá chegar a até 6 milhões de novos hectares cultiváveis para culturas voltadas somente à produção do biocombustível.

Especial 1: falta de estrutura pode comprometer o setor
Especial 2: setor privado mostra interesse na produção
Especial 3: agricultores familiares têm incentivos
Especial 4: o combustível do futuro

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