Empresas de diversos segmentos do agronegócio já estão montando projetos para a produção de biodiesel. Elas vêem neste setor uma possibilidade de ganhos através da consciência mundial em preservar o meio ambiente e reduzir o uso de derivados de petróleo, que são considerados limitados. “O petróleo leva 400 milhões de anos para ficar pronto, enquanto o girassol leva apenas dois meses”, explica o engenheiro e civil e físico, José Walter Bautista Vidal. Três empresas do setor planejam investimentos de até R$ 75 milhões para aumentar a produção. A Soyminas, a Brasil Ecodiesel e a Ecodiesel Granol já garantiram a venda de 65 milhões de litros de biodiesel à Petrobras e à Refinaria Alberto Pasqualini (Refap).
No início de agosto foi inaugurada a primeira fábrica de biodiesel do Nordeste. Em solenidade que contou a presença do presidente Lula e do ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, a unidade da empresa Brasil Ecodiesel terá capacidade de produzir 25 milhões de litros de biodiesel por ano e beneficiará cerca de 25 mil famílias de uma área total de 50 mil hectares. Outra empresa, a Orbitrade, deverá investir R$ 40,5 milhões para instalar duas unidades industriais voltadas à produção de biodiesel e óleos vegetais na Bahia. O protocolo de intenção de investimento foi assinado neste mês com o governo baiano. As novas unidades são os primeiros investimentos da empresa no Nordeste, que opera também em São Paulo, Mato Grosso, Goiás e Paraná e tem faturamento estimado em R$ 250 milhões neste ano.
Usinas de açúcar e álcool também analisam investir em pequenas plantas de biodiesel anexas às suas unidades produtoras. Cerca de 25% da área plantada com cana das usinas é renovada a cada ano. A Renobras, fábrica de biodiesel do Grupo Biobras, instalada em Campinas (SP), tem capacidade para produzir até 30 milhões de litros por ano. A unidade utiliza girassol e nabo forrageiro para a fabricação do biocombustível, provenientes da agricultura familiar.
Um dos projetos mais ambiciosos nesta área é das empresas de máquinas agrícolas. As principais que atuam no país estão fazendo pesquisas para adaptar os motores de seus tratores para o uso de biocombustíveis. As pesquisas da AGCO, Agrale, CNH e Valtra visam introduzir entre 5% e 20% de biodiesel, e até combustível puro de óleo vegetal. As pesquisas são feitas entre uma empresa e um órgão de pesquisa, ao modo que cada uma deverá ter um resultado diferente. No caso dos tratores, a diferença no uso do diesel para o biodiesel é a presença de impureza e ácidos graxos neste último, mas que não chega a afetar o desempenho no campo visto que os tratores já recebem uma quantidade expressiva de impurezas.
Vidal explica que o processo para se obter biodiesel é necessária a utilização de álcool para retirar a glicerina existente no óleo vegetal. Após este processo, é possível utilizar o biocombustível em qualquer proporção com o diesel. “O combustível derivado de óleo vegetal já é aceito, quando retirada a glicerina, em motores de baixa temperatura. Para os de alta temperatura não é necessária a retirada da glicerina, pois ela é liberada na combustão”, exemplifica.
O agricultor da região de Maringá, no Paraná, João Luiz Ryzik, está incluindo 50% de óleo de biodiesel em suas máquinas agrícolas movidas a diesel sem nenhum tratamento. Ele afirma que essa proporção não está danificando os motores dos veículos e o consumo é o mesmo. Além disso, a economia é evidente, pois o litro do óleo de soja a granel custa de R$ 1,15, enquanto o do diesel chega a R$ 1,90. “Sem dúvida nenhuma está aí a solução para a sojicultura nacional. Além de baratear o custo do combustivel, ajuda a não poluir” afirma Ryzik. Ele diz ainda que na região de Campo Mourão, também no Paraná, já tem agricultor usando até 90% de óleo de soja com o diesel.
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