O presidente Luiz Inácio Lula esteve nesta sexta-feira, durante o lançamento da pedra fundamental da Refinaria General José Ignácio Abreu e Lima, em Pernambuco, onde falou sobre biodiesel e agradeceu a presença no evento do presidente venezuelano Hugo Chávez.
Em clima de campanha, Lula disse que o Brasil não pode deixar que as divergências e as "pendengas" de uma minoria afete a maioria do povo brasileiro. "Vamos construir uma refinaria, uma ferrovia, um gasoduto. E tem o programa que eu mais gosto, que é o do biodiesel da mamona. Vai ter um dia que estaremos vendendo o biodiesel da mamona para o mundo", disse.
"Qualquer dia perfuramos um poço e vamos parar no Japão. A Petrobrás é imbatível, mas é caro extrair petróleo. Por isso, eu peço que Petrobrás invista no biodiesel. Nós vamos um dia vender e utilizar o biodiesel porque para fazer um poço de petróleo são milhares de dólares. Para plantar uma muda de mamona, basta uma mão", diz Lula.
Lula criticou a imprensa e se diz tão vítima dela, como Chávez. Ele afirma que nesse momento de crise política, as pessoas não se preocupam em saber se as denúncias são verdadeiras.
Refinaria
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu colega venezuelano, Hugo Chávez, reafirmaram sua declarada aliança estratégica, ao colocar a pedra fundamental de uma refinaria cuja construção custará milhões de dólares às estatais de petróleo dos dois países.No Porto de Suape, em Pernambuco, Lula e Chávez colocaram em marcha de forma simbólica, diante de cerca de 4 mil pessoas, a construção da refinaria --que Petrobras e PDVSA construirão em conjunto a um custo de 2,5 bilhões de dólares, dos quais cada empresa responderá por 50 por cento.
Os presidentes encabeçaram a cerimônia sob um sol abrasador e diante de milhares de simpatizantes de Lula vestidos com camisetas vermelhas que tinham estampadas a frase "A refinaria é nossa, obrigado Lula, Chávez, Arraes", em alusão aos mandatários e ao ex-governador de Pernambuco Miguel Arraes, falecido.
A refirnaria, que processará até 200 mil barris diários de petróleo pesado proveniente em igual quantidade de Brasil e Venezuela, levará o nome de José Ignacio Abreu e Lima, em homenagem ao militar brasileiro que lutou junto a Simón Bolívar, herói da independência da América espanhola no século 19 e inspirador de Chávez.
Lula e Chávez já haviam anunciado em setembro a construção da refinaria na região metropolitana de Recife. A unidade deverá ser inaugurada em 2011.
O projeto é o mais importante entre os numerosos empreendimentos conjuntos previstos por Petrobras e PDVSA, entre os quais se inclui o desenvolvimento de campos de hidrocarboneto na Venezuela e a exploração de uma bacia na faixa petrolífera do Orinoco.
A Petrobras indicou em uma nota que a nova refinaria, que o governo brasileiro espera que gere 230 mil postos de trabalho diretos e indiretos durante sua construção, terá como objetivo principal atender a crescente demanda do Nordeste por diesel e gás liquefeito de petróleo (GLP).
A região, historicamente atrasada em relação ao Sul e Sudeste, responde por 19 por cento da demanda de derivados de petróleo do país e só conta com uma unidade de refino.
Os investimento na refinaria, contemplados no Plano de Negócios da Petrobras 2006-2010, e as crescentes iniciativas com a PDVSA, permitirão também à empresa brasileira expandir suas atividades na Venezuela, quinto maior exportador de petróleo do mundo e dona da maior riqueza de hidrocarbonetos na região.
A última vez que se construiu uma refinaria no Brasil foi em 1980, no Estado de São Paulo.