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Brasil usará mais biodiesel

A partir de amanhã, o País vai aumentar a quantidade de biocombustível numa proporção de 3% do óleo diesel
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A partir de amanhã, o País vai aumentar a quantidade de biocombustível numa proporção de 3% do óleo diesel

 O Brasil já tem uma capacidade instalada para produzir mais biodiesel do que os 3% que serão adicionados no diesel a partir da próxima terça-feira, quando o País inteiro passará a consumir o B-3, um diesel que tem 3% de diesel vegetal (o biodiesel). A produção de biodiesel no País não pode aumentar mais devido ao preço da oleaginosa, que é a matéria-prima usada para fazer o óleo vegetal.

A principal oleaginosa usada para fazer biodiesel no Brasil é a soja, que está com o preço em alta não só no Brasil, mas no mundo, devido à alta que está ocorrendo no preço dos alimentos.

Uma prova disso é o leilão feito pela Agência Nacional de Petróleo (ANP), em abril último, que o biodiesel foi vendido por um preço que variou entre R$ 2,38 e R$ 2,75 por litro, sendo mais caro que gasolina, que é vendida em média por R$ 2,58 na Região Metropolitana do Recife. “Isso demonstra as dificuldades de toda a cadeia produtiva do biodiesel que está basicamente dependente da soja que tem um boom de preços no mercado internacional”, comentou o diretor da Renova Ecoenergy, Oscival Santos.

O objetivo do programa de biodiesel brasileiro era incentivar o uso de oleaginosas, que fossem produzidas, principalmente pela agricultura familiar.

“Neste momento, a alta do preço dos alimentos aumentou os custos de várias oleaginosas”, comentou o superintendente de Planejamento e Pesquisa da ANP, Florival Carvalho. Ele citou como exemplo o óleo de palma, que também pode ser usado para fazer biodiesel, mas está com o preço alto no mercado internacional porque pode ser usado para vários fins, desde a alimentação até a fabricação de cosméticos.

Segundo informações da ANP, o País tem fábricas instaladas para produzir 244 mil metros cúbicos de biodiesel mensalmente. No entanto, a produção deve ficar, em tese, no cerca de 100 mil metros cúbicos por mês de biodiesel para suprir a demanda necessária.

Para estimular o consumo do produto, o governo federal antecipou a meta de adicionar 3% de biodiesel ao diesel. Inicialmente, os 3% de biodiesel seria obrigatório a partir de 2011.

“O País deve ter uma política alternativa aos combustíveis derivados de petróleo”, defendeu Carvalho, acrescentando que o biodiesel que é caro hoje pode se tornar mais competitivo amanhã. “Em 10 anos, poderemos produzir, anualmente, o triplo do óleo por hectare e ninguém sabe qual será o preço do petróleo”, defendeu Carvalho.

Os especialistas também dizem que foi uma decisão equivocada do governo federal tentar estimular a produção de mamona, em larga escala, para fazer biodiesel. Todas as culturas alternativas de oleaginosas, incluindo a mamona, só representam 5% de todo o biodiesel fabricado no País.

O diretor do Departamento de Cana-de-Açúcar e Agroenergia do Ministério da Agricultura, Alexandre Strapasson, afirmou que o País está aprendendo com o processo de fabricação do biodiesel e que deverá aumentar a participação de outras fontes de oleaginosas, como as palmáceas ( palmeiras) que produzem oleaginosas. “Ainda não encontramos a cana-de-açúcar do biodiesel”, concluiu ele.

Angela Fernanda Belfort
Jornal do Commercio - PE
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