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Biodiesel

Brasil, o maior potencial do mundo para a agroenergia


Embrapa - 29 nov 1999 - 22:00 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:22

A agricultura energética desponta como uma grande oportunidade para promover profundas mudanças no agronegócio mundial. É incontestável a necessidade de se buscar novas fontes de energia renovável, destacando como grande alternativa a energia proveniente da biomassa.

Por sua vez, a produção de biomassa requer a utilização de novas áreas de terra sem competir com a agricultura de alimentos, o que é muito difícil de acontecer na maioria dos países desenvolvidos. O Brasil pode incorporar ao processo produtivo, só com a integração agricultura-pastagem, mais de 30 milhões de hectares sem derrubar uma árvore, e tem a grande oportunidade de tornar a agricultura de energia um componente relevante do seu agronegócio.

Além do aspecto econômico e ambiental, a agricultura de energia pode também se tornar uma grande alternativa para a agricultura familiar, gerando emprego e renda para esse segmento. Destaca-se a possibilidade de se aumentar significativamente o plantio de oleaginosas, a implantação do processo de produção do óleo diesel vegetal em comunidades organizadas, o processamento e a utilização do farelo na alimentação de animais, com grande agregação de valor, e aumentar a capacidade de produção do setor sucroalcooleiro do Brasil.

A Embrapa, em colaboração com diversas instituições parceiras tem contribuído na geração de tecnologias que tornaram altamente competitivo o agronegócio brasileiro e viabilizado, também, várias espécies vegetais para a agroenergia.

Alguns exemplos dessas espécies, com seus respectivos potenciais, são apresentados a seguir:

Mamona: na região Nordeste do Brasil, uma das mais carentes em desenvolvimento, são mais de 3,3 milhões de hectares com aptidão para o cultivo de mamona em condições de sequeiro, que poderá produzir até 1,8 bilhão de litros de óleo vegetal. A mamona é uma cultura com grande apelo social e, além de produzir o óleo para biodiesel, este óleo pode ser usado na fabricação de cosméticos, próteses para ossos humanos, lubrificantes, aditivos de combustíveis aeroespaciais, podendo ainda ser consorciada com outras culturas, como o feijão caupi, o amendoim, etc.

Dendê: com um potencial de produção de 5.000 litros hectare/ano, o maior do mundo, esta cultura apresenta outra característica importante: cada milhão de hectares da Amazônia reflorestados com dendê poderia fornecer 4,5 bilhões de litros. Nessas áreas desmatadas existem mais de 10 milhões de hectares com potencial para dendê. Cada 720 mil hectares da cultura permite assentar 140 mil famílias, importante para a geração de emprego e renda.

Soja: considerando os padrões tecnológicos em uso no Brasil, é normal uma produtividade de 600 litros de óleo por hectare. Com a integração agricultura/pecuária, poderiam ser utilizados 20% dos 100 milhões de hectares de pastagens no Brasil e se obter mais de 12 bilhões de litros de óleo.

Girassol: a cultura do girassol produz 1.000 litros de óleo por hectare/ano. O seu uso com rotação, na segunda colheita de uma mesma safra, em 20% dos 13 milhões de hectares cultivados com soja, poderiam proporcionar mais de 2,5 bilhões de litros de óleo por ano desta oferta.

Outras culturas oleaginosas: existem ainda outras culturas de sequeiro ou irrigadas que podem ser exploradas para energia no Nordeste brasileiro. São os casos do gergelim, que produz mais de 750 kg/ha de grãos com teor acima de 55% de óleo; do amendoim, que pode ser usado em áreas arenosas e até em consórcio com a cana-de-açúcar; e do pinhão manso, cultura perene que ocorre em condições naturais em diversos ecossistemas do país. Em relação às reservas nativas, os mais de 17 milhões de hectares de florestas de babaçu e de buriti apresentam ainda potencial para exploração.

Cana-de-açúcar: a produção brasileira de cana-de-açúcar nos anos de 2003 e 2004 foi de 350,3 milhões de toneladas. Hoje, o Brasil é o maior produtor de etanol do mundo, com um volume de 14,5 bilhões de litros, cujo custo de produção é menor do que o da gasolina consumida no país.

O desenvolvimento de veículos movidos simultaneamente a álcool e a gasolina, aliado à implantação do Protocolo de Kyoto, fará com que a demanda por etanol aumente mais que o dobro nos próximos dez anos. O Brasil é um dos poucos países do mundo que possui condições de atender a essa demanda de forma sustentável.