Espaço e clima brasileiros são vantagens perante os outros países.
Em visita ao Brasil o presidente eleito da Bolívia, Evo Morales, demonstrou interesse em aprender sobre a experiência nacional na produção de biocombustível. Este tema será aprofundado pelos dois países assim que Morales montar sua equipe de trabalho.
O país vizinho, dono da segunda maior reserva de gás natural da América Latina, vê no biodiesel uma alternativa de fonte renovável. Eles sabem que se o gás terminar, o país viverá, segundo Morales, “um problema sério”.
O biodiesel é um combustível produzido a partir de fontes renováveis, como gordura vegetal ou animal. Ele é usado em substituição ou adicionado ao diesel de petróleo.
Vantagens
Segundo o secretário de Tecnologia da Produção do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), Jairo Klepacz, o espaço e o clima para o cultivo de biodiesel no Brasil são vantagens perante os outros países.
Atualmente a produção nacional de biocombustíveis é pequena e voltada para o consumo interno. Para atrair investidores para esta atividade, Klepacz embarcou este mês para a Europa.
No final de 2005 a Petrobras anunciou que aceleraria seus investimentos na área de biodiesel para iniciar uma produção sistemática do combustível a partir de 2006, quando terá exclusividade na distribuição da mistura de 2% no diesel.
Já o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) colocou à disposição uma linha de crédito para a produção de biodiesel chamada “Programa de Apoio Financeiro a Investimentos em Biodiesel”.
Indústria
O estudo "Biodiesel: Análise de Custos de Tributos nas Cinco Regiões do Brasil" mostra que há hoje no Brasil uma "grande incerteza" para que as indústrias invistam na produção de biodiesel.
O trabalho foi elaborado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq) e pelo Pólo Nacional de Biocombustíveis para a Dedini Indústrias de Base.
Os entraves para o desenvolvimento do biocombustível são as variações de custos de produção, a falta de matérias-primas viáveis economicamente para atender à demanda e diferenças nas alíquotas de tributação.
Segundo a diretora-executiva do Conselho do Agronegócio (Consagro) e integrante da Câmara Setorial do Biodiesel, Mônika Bergamaschi, o maior desafio é conseguir fazer com que o biocombustível seja um produto e não apenas uma alternativa ao petróleo. Ela ressalta a necessidade de um planejamento para evitar erro semelhante ao ocorrido com o álcool, quando a cana-de-açúcar foi usada para a produção de açúcar e houve falta do produto.