Venda de equipamentos para as pessoas produzirem seu próprio
'biodiesel' dispara no Reino Unido e disputa pelo óleo de cozinha usado
aumenta. Motoristas trocam os postos de gasolina por restaurantes para produzir biodiesel em casa.
Motoristas trocam os postos de gasolina por restaurantes para produzir biodiesel em casa.
Venda de equipamentos para as pessoas produzirem seu próprio 'biodiesel' dispara no Reino Unido e disputa pelo óleo de cozinha usado aumenta.
Semana sim semana não, o supervisor de obras aposentado Gordon Elliott vai até o Hare and Hounds Pub, em Marple, Cheshire, Inglaterra, a 35 km de sua casa em Leigh, Bolton, para buscar um barril cheio de óleo de cozinha usado separado por sua filha adotiva. De volta à sua garagem, Elliott despeja o óleo em uma máquina refinadora e adiciona alguns químicos ao material.
Vinte e quatro horas depois, o óleo usado já foi purificado, filtrado e refinado, estando pronto para ser usado em um dos carros a diesel da família. Em vez de pagar R$ 4,06 pelo litro de diesel em um posto local, ele gasta apenas R$ 0,48 para fazer seu próprio biodiesel. Com isso, segundo ele, economiza perto de R$ 325 por mês – além de reduzir as emissões de gases estufa ao dirigir em cerca de 90%. Os carros funcionam perfeitamente, o equipamento vai ser pago em um ano e a satisfação de produzir o seu próprio combustível é grande. “É pelo princípio. Faço isso pelo meio ambiente e ainda evito pagar tantos impostos para o governo”, declara.
Elliott, 79, é parte de um grande número de pessoas que passou a fazer o seu próprio “biodiesel” reciclado em resposta à alta dos preços dos combustíveis no último ano. Empresas fabricando “reatores” de biodiesel vêm relatando um boom nas vendas, e a demanda por diesel mais barato tem sido muito maior do que a que podem atender.
“Nosso negócio dobrou de tamanho em apenas seis meses”, diz David Taylor, da Ecotec Resources, empresa sediada em Lancashire que vendeu a máquina à Elliott e produz cem mil litros de combustível reciclado por ano.
“Se você puder coletar seu próprio óleo, pode conseguir combustível a 48 centavos o litro. Caso contrário, você pode comprar óleo usado por cerca de R$ 0,97 o litro, gastando no total cerca de R$ 1,46. É uma grande economia em relação ao preço na bomba.” Taylor vende 15 a 20 máquinas por semana para companhias de táxi, de mudança e restaurantes, entre outros, e em menos de um ano já totalizou 800 vendas.
O diesel caseiro vem sendo considerado uma desforra do homem comum contra governo, autoridades e companhias petrolíferas. Ninguém sabe quantas refinarias de fundo de quintal existem no Reino Unido, mas um estudo do governo sugeriu que havia em torno de 1400 usinas de pequena escala produzindo alguns milhares de litros por ano em 2005/6. Desde então o preço do diesel mais que dobrou e o mercado para máquinas não pára de crescer. Fontes na indústria declaram que há 35 empresas refinando óleo reciclado comercialmente e talvez 20 mil pessoas coletando e processando óleo proveniente de restaurantes, lanchonetes e fábricas de comida por seus próprios meios.
A lei na Inglaterra foi afrouxada para permitir que uma pessoa produza até 2500 litros por ano para uso próprio, e a maioria está trabalhando dentro da lei. Mas como os preços dos combustíveis não param de aumentar, alguns grupos estão começando a operar na ilegalidade.
“Há guerras sendo travadas em Londres pelo óleo”, diz Tom Lasica, que dirige a Pure Fuels, maior refinadora de óleo vegetal da cidade. “Companhias alemãs e espanholas estão se instalando na tentativa de comprar toda a produção de óleo vegetal do país. Há inclusive pessoas roubando óleo e vendendo-o para fora. Ficamos sabendo de uma lanchonete que foi invadida em Southend apenas para roubar o óleo usado.”
“Muitos desses pequenos produtores estão produzindo óleo para usá-lo em carros novos. Há um ano atrás, a maior parte era usada em carros mais velhos. Agora a qualidade do óleo é fundamental”, diz Kym Leatt, diretor do Envirogroup, que coleta, refina e vende 7500 litros por semana em Kent.
“Se conseguíssemos produzir cinco vezes mais biodiesel, venderíamos tudo da mesma forma”, diz Leatt. “A demanda cresceu exponencialmente. Todos os dias temos duas ou três novas empresas fazendo solicitações. Há empresas economizando mais de R$ 80 mil por ano. Vendemos para companhias de táxi, transportadoras e frotas de caminhões basculantes. Há um tempo atrás, esse óleo seria jogado pelo ralo ou enviado para aterros sanitários. Isso é reciclagem de verdade.” Ele está vendendo óleo a R$ 3,18 o litro, enquanto o preço nas bombas varia entre R$ 3,82 e 4,06.
“A demanda está explodindo. Estamos vendendo máquinas de biodiesel para universidades, escolas, restaurantes, motoristas de táxi, consumidores individuais, praticamente todo tipo de público”, diz James Hygate, diretor da GreenFuels. Percebemos um certo aumento no número de pessoas dirigindo carros de empresas. Elas estão usando combustível próprio e então pedindo ressarcimento de R$ 1,46 das firmas.
“Trata-se, de fato, de uma indústria comunitária. Óleo de melhor qualidade está sendo conseguido na fonte por pequenos negócios. A produção caseira está crescendo rápido, sem dúvida. Grupos de fazendeiros estão começando a destinar plantações especificamente para a produção de seu próprio diesel.”
A demanda por parte de instituições e autoridades locais também está crescendo. A subprefeitura de Richmond está abrindo licitação nesta semana para abastecer todos os carros oficiais com óleo vegetal reciclado pelos próximos três anos, um contrato de R$ 11,3 milhões. O órgão municipal declarou que deverá economizar perto de R$ 325 mil e emitir milhares de toneladas de gases estufa a menos.
Esta semana, Elliott deve dirigir-se ao Hare and Hounds Pub novamente para coletar mais um barril de óleo usado. “Todo mundo está buscando o óleo. Se sobrar um pouco, vou dá-lo a outras pessoas”, diz ele.
John Vidal
The Guardian
* Valores convertidos considerando libra esterlina a R$ 3,25.
Tradução e adaptação: Fausto Tiemann - BiodieselBR.com
Venda de equipamentos para as pessoas produzirem seu próprio 'biodiesel' dispara no Reino Unido e disputa pelo óleo de cozinha usado aumenta.
Semana sim semana não, o supervisor de obras aposentado Gordon Elliott vai até o Hare and Hounds Pub, em Marple, Cheshire, Inglaterra, a 35 km de sua casa em Leigh, Bolton, para buscar um barril cheio de óleo de cozinha usado separado por sua filha adotiva. De volta à sua garagem, Elliott despeja o óleo em uma máquina refinadora e adiciona alguns químicos ao material.
Vinte e quatro horas depois, o óleo usado já foi purificado, filtrado e refinado, estando pronto para ser usado em um dos carros a diesel da família. Em vez de pagar R$ 4,06 pelo litro de diesel em um posto local, ele gasta apenas R$ 0,48 para fazer seu próprio biodiesel. Com isso, segundo ele, economiza perto de R$ 325 por mês – além de reduzir as emissões de gases estufa ao dirigir em cerca de 90%. Os carros funcionam perfeitamente, o equipamento vai ser pago em um ano e a satisfação de produzir o seu próprio combustível é grande. “É pelo princípio. Faço isso pelo meio ambiente e ainda evito pagar tantos impostos para o governo”, declara.
Elliott, 79, é parte de um grande número de pessoas que passou a fazer o seu próprio “biodiesel” reciclado em resposta à alta dos preços dos combustíveis no último ano. Empresas fabricando “reatores” de biodiesel vêm relatando um boom nas vendas, e a demanda por diesel mais barato tem sido muito maior do que a que podem atender.
“Nosso negócio dobrou de tamanho em apenas seis meses”, diz David Taylor, da Ecotec Resources, empresa sediada em Lancashire que vendeu a máquina à Elliott e produz cem mil litros de combustível reciclado por ano.
“Se você puder coletar seu próprio óleo, pode conseguir combustível a 48 centavos o litro. Caso contrário, você pode comprar óleo usado por cerca de R$ 0,97 o litro, gastando no total cerca de R$ 1,46. É uma grande economia em relação ao preço na bomba.” Taylor vende 15 a 20 máquinas por semana para companhias de táxi, de mudança e restaurantes, entre outros, e em menos de um ano já totalizou 800 vendas.
O diesel caseiro vem sendo considerado uma desforra do homem comum contra governo, autoridades e companhias petrolíferas. Ninguém sabe quantas refinarias de fundo de quintal existem no Reino Unido, mas um estudo do governo sugeriu que havia em torno de 1400 usinas de pequena escala produzindo alguns milhares de litros por ano em 2005/6. Desde então o preço do diesel mais que dobrou e o mercado para máquinas não pára de crescer. Fontes na indústria declaram que há 35 empresas refinando óleo reciclado comercialmente e talvez 20 mil pessoas coletando e processando óleo proveniente de restaurantes, lanchonetes e fábricas de comida por seus próprios meios.
A lei na Inglaterra foi afrouxada para permitir que uma pessoa produza até 2500 litros por ano para uso próprio, e a maioria está trabalhando dentro da lei. Mas como os preços dos combustíveis não param de aumentar, alguns grupos estão começando a operar na ilegalidade.
“Há guerras sendo travadas em Londres pelo óleo”, diz Tom Lasica, que dirige a Pure Fuels, maior refinadora de óleo vegetal da cidade. “Companhias alemãs e espanholas estão se instalando na tentativa de comprar toda a produção de óleo vegetal do país. Há inclusive pessoas roubando óleo e vendendo-o para fora. Ficamos sabendo de uma lanchonete que foi invadida em Southend apenas para roubar o óleo usado.”
“Muitos desses pequenos produtores estão produzindo óleo para usá-lo em carros novos. Há um ano atrás, a maior parte era usada em carros mais velhos. Agora a qualidade do óleo é fundamental”, diz Kym Leatt, diretor do Envirogroup, que coleta, refina e vende 7500 litros por semana em Kent.
“Se conseguíssemos produzir cinco vezes mais biodiesel, venderíamos tudo da mesma forma”, diz Leatt. “A demanda cresceu exponencialmente. Todos os dias temos duas ou três novas empresas fazendo solicitações. Há empresas economizando mais de R$ 80 mil por ano. Vendemos para companhias de táxi, transportadoras e frotas de caminhões basculantes. Há um tempo atrás, esse óleo seria jogado pelo ralo ou enviado para aterros sanitários. Isso é reciclagem de verdade.” Ele está vendendo óleo a R$ 3,18 o litro, enquanto o preço nas bombas varia entre R$ 3,82 e 4,06.
“A demanda está explodindo. Estamos vendendo máquinas de biodiesel para universidades, escolas, restaurantes, motoristas de táxi, consumidores individuais, praticamente todo tipo de público”, diz James Hygate, diretor da GreenFuels. Percebemos um certo aumento no número de pessoas dirigindo carros de empresas. Elas estão usando combustível próprio e então pedindo ressarcimento de R$ 1,46 das firmas.
“Trata-se, de fato, de uma indústria comunitária. Óleo de melhor qualidade está sendo conseguido na fonte por pequenos negócios. A produção caseira está crescendo rápido, sem dúvida. Grupos de fazendeiros estão começando a destinar plantações especificamente para a produção de seu próprio diesel.”
A demanda por parte de instituições e autoridades locais também está crescendo. A subprefeitura de Richmond está abrindo licitação nesta semana para abastecer todos os carros oficiais com óleo vegetal reciclado pelos próximos três anos, um contrato de R$ 11,3 milhões. O órgão municipal declarou que deverá economizar perto de R$ 325 mil e emitir milhares de toneladas de gases estufa a menos.
Esta semana, Elliott deve dirigir-se ao Hare and Hounds Pub novamente para coletar mais um barril de óleo usado. “Todo mundo está buscando o óleo. Se sobrar um pouco, vou dá-lo a outras pessoas”, diz ele.
John Vidal
The Guardian
* Valores convertidos considerando libra esterlina a R$ 3,25.
Tradução e adaptação: Fausto Tiemann - BiodieselBR.com
Tags
Caseiro