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Biodiesel

Aposta agora é o sistema diesel/GN


Gazeta Mercantil - Renato Acciarto - 29 nov 1999 - 22:00 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:21

Depois dos motores gasolina/álcool e dos gasolina/álcool e GNV - gás natural veicular -, o Brasil agora se prepara para dar mais um passo, fruto da criatividade e tecnologia locais.

A aposta da Delphi para a América Latina agora é o diesel-gás, ou seja, outro bicombustível, que desta vez mistura o diesel ao gás natural veicular. Dependendo do marketing, poderá ser chamado até de tricombustível, já que a tecnologia também admite a utilização do biodiesel.

"Há mais de um ano começamos o desenvolvimento do diesel-gás e entramos agora na fase de testes. Queremos comprovar as nossas expectativas de redução no gasto por quilômetro rodado e nas emissões de poluentes", afirma o gerente de projetos especiais da Delphi, Vicente Pimenta Júnior.

"Nossa meta é que o equipamento chegue ao mercado em 2007", diz o presidente da Delphi do Brasil e América do Sul, Gabor Janos Déak.

O veículo pesado equipado com o sistema vai utilizar diesel nas partidas, no entanto, depois de 1,2 mil rotações por minuto o gás começa a ser injetado, podendo chegar a uma proporção de 90% a 95% gás, 5% a 10% diesel. A aplicação mais indicada para a tecnologia são os geradores, depois os ônibus urbanos, rodoviários e caminhões.

"Assim como nos automóveis, o diesel-gás, além de aumentar a autonomia, resolve o problema dos frotistas, ao comprarem ônibus 100% a gás tinham muitos problemas para vendê-los depois. Nas cidades do interior, que são as destinatárias naturais das grandes frotas, havia o problema da infra-estrutura para o gás. Hoje, há também o problema da parada do equipamento no caso de falha ou falta de GNV.

Além da validação do sistema, o diesel-gás ainda enfrenta alguns obstáculos. Assim como em um automóvel, no caminhão ou ônibus o espaço que os cilindros de armazenamento do GNV ocupam também é um problema. Segundo cálculos da Delphi seriam necessários pelo menos seis cilindros de 40 m³ cada.

"Com os cilindros de ferro de hoje, seria um peso de mais de uma tonelada, dependendo da autonomia pretendida. Tivemos notícia, no entanto, que o Brasil terá uma fábrica de cilindros feitos em fibra de carbono, que tem 20% do peso dos cilindros de ferro", afirma o gerente de projetos especiais da Delphi.

A expectativa da empresa é que cinco mil sistemas sejam comercializados anualmente no mercado original. Há, porém, um atraente mercado a ser explorado no aftermarket, para veículos na frota atual. Vicente Pimenta Júnior conta que, inicialmente, pensaram o diesel-gás para o aftermarket, mas depois, graças a aceitação da tecnologia pelas montadoras e por parte do governo.

"A Petrobras garantiu aos frotistas que o preço do gás será 55% do valor do diesel, mais barato do que hoje é vendido para os automóveis de passeio", conta Pimenta Júnior.