Os preços futuros do petróleo subiam nesta quinta-feira, atingindo uma máxima de quatro meses devido às preocupações crescentes com o impacto potencial de um possível ataque militar dos Estados Unidos ao Irã, o quarto maior produtor da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), com uma produção de 3,2 milhões de barris por dia.
“A preocupação imediata [do mercado] (...) é o dano colateral causado se o Irã atacar seus vizinhos ou, possivelmente ainda mais significativo, fechar o Estreito de Ormuz aos 20 milhões de barris por dia de petróleo que por ele transitam”, disse o analista da PVM, John Evans.
Por volta de 8h30, o Brent para fevereiro subia 2%, saindo a US$ 69,77. O vencimento do WTI para o mesmo mês tinha elevação de 2,09%, cotado a US$ 64,53.
No pico intradiário, o Brent foi negociado a US$ 70,35 por barril, o maior valor desde o final de setembro. Os futuros do WTI já ultrapassaram US$65 por barril mais cedo nesta quinta-feira, atingindo também a maior alta em quatro meses.
O presidente dos EUA, Donald Trump, aumentou a pressão para que Teerã encerre seu programa nuclear, com ameaças de ataques militares e a chegada de um grupo naval dos EUA à região.
Trump está considerando opções como ataques direcionados às forças de segurança e líderes para inspirar os manifestantes a derrubar os governantes do Irã, informou a Reuters na quinta-feira, citando fontes norte-americanas familiarizadas com as discussões.
Alguns analistas estão prevendo preços mais altos devido às preocupações com o Irã.
“A possibilidade de o Irã ser atingido elevou o prêmio geopolítico dos preços do petróleo em potencialmente US$ 3 a US$ 4 (por barril)”, disseram analistas do Citi em nota na quarta-feira.
Eles acrescentaram que uma nova escalada geopolítica poderia elevar os preços para até US$72 por barril de Brent nos próximos três meses.
Além disso, o enorme campo petrolífero de Tengiz, no Cazaquistão, está sendo reiniciado em etapas após incêndios elétricos terem reduzido a produção na semana passada, com o objetivo de atingir a produção total em uma semana.
Nos EUA, o maior produtor mundial de petróleo e maior exportador de gás natural liquefeito, os produtores de petróleo bruto e gás começaram a colocar poços de volta em operação após a interrupção causada pelo frio intenso da tempestade Fern no fim de semana.
“O principal fator que impulsiona os preços do petróleo continua sendo o prêmio de risco geopolítico em torno do Irã e do Oriente Médio, embora interrupções não planejadas no Cazaquistão e nos EUA (tempestade de inverno Fern) também tenham tido um impacto temporário”, disse Suvro Sarkar, líder da equipe do setor de energia do DBS Bank, em um email.