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OCDE e FAO veem mercado de biocombustíveis menos aquecido na próxima década

Os números da edição 2018-2027 do relatório Perspectivas Agrícolas mostram crescimento mais lento na produção e queda nos volumes comercializados internacionalmente

BiodieselBR.com 5 min de leitura

O mercado de biocombustíveis deverá crescer num compasso bem mais moderado ao longo dos próximos 10 anos. É o que apontam os números da mais recente edição do relatório Perspectivas Agrícolas OCDE-FAO 2018-2017. O documento, no qual Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) traçam cenários para a evolução de diversos produtos-chave do agronegócio global na próxima década, foi publicado nessa terça-feira (03).

O mercado de biocombustíveis deverá crescer num compasso bem mais moderado ao longo dos próximos 10 anos. É o que apontam os números da mais recente edição do relatório Perspectivas Agrícolas OCDE-FAO 2018-2017. O documento, no qual Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) traçam cenários para a evolução de diversos produtos-chave do agronegócio global na próxima década, foi publicado nessa terça-feira (03).

O crescimento esperado para o período como um todo é de 8,8%. Partindo dos 156 bilhões de litros registrados no ano passado, a indústria deverá atingir 169,8 bilhões de litros em 2027. Um avanço bem menos vistoso do que no período que está se encerrando este ano quando o crescimento acumulado foi de 60,1%

Embora bem menor, o mercado de biodiesel deverá crescer um pouco mais rápido. Ele sairá de 36 bilhões de litros e deverá chegar em 2027 fabricando cerca de 39,3 bilhões de litros. Um aumento de 8,9%. É uma performance marginalmente melhor que os 8,8% que os fabricantes de etanol apresentarão no mesmo periodo com avanço de 120 bilhões de litros em 2017 para 130,5 bilhões de litros em 2027.

Tecnologicamente, o mercado deverá mudar pouco suas feições. Segundo os técnicos da FAO e da OCDE, apesar das enormes expectativas, os biocombustíveis avançados fabricados a partir de fontes de biomassa residuais não deverão avançar de forma mais relevante por falta de investimentos.

Comércio

O comércio global também deverá se mostrar um pouco mais avesso aos biocombustíveis em virtude de disputas comerciais. Em relação ao desempenho de 2017, a movimentação de biocombustíveis no mercado internacional deverá recuar 5,9% no segmento etanol e mais de 27,7% no de biodiesel.

Nesse último caso, o motivo da queda forte está na postura defensiva assumida pelos Estados Unidos e pela União Europeia para defender os seus mercados internos das exportações da Argentina e de países asiáticos.

No final do período analisado, o comércio global deverá movimentar 12,2 bilhões de litros de biocombustíveis ao redor do mundo – 9,4 de etanol e 2,8 de biodiesel. Isso representa uma queda de 1,6 bilhão de litros em relação aos 13,8 bilhões de litros movimentados no ano passado.

Em desenvolvimento

Um dos motivos para esse avanço mais modesto dos biocombustíveis está numa mudança mais profunda na matriz de energia do setor de transportes conforme o consumo de combustíveis líquidos dos países desenvolvidos começar a se estagnar – ou menos reduzir – graças à avanços em eficiência energética ou à maior penetração dos veículos elétricos.

Com isso, a maior parte do aumento na produção de biocombustíveis esperado para os próximos anos virá de países em desenvolvimento. Especialmente do Brasil que responderá por mais de 60% do volume novo de biodiesel e 44,2% do etanol projetado para entrar no mercado em 2027. A produção brasileira de biodiesel deverá sair de 3,9 bilhões de litros em 2017 para 5,6 bilhões de litros em 2027. Aqui o trabalho mostra números excessivamente modestos, já que o Brasil deve atingir uma produção acima de 5 bilhões de litros. No etanol, o avanço da produção nacional no período será 26,5 para 31,9 bilhões de litros.

Ainda não seria bastante para colocar Brasil na liderança desses mercados em 2027. O etanol continuaria sendo liderado pelos Estados Unidos com 57,7 bilhões de litros. No de biodiesel a União Europeia se manteria na primeira colocação do ranking com 12,8 bilhões de litros fabricados seguidos pelos EUA com 8,7 bilhões de litros

Contudo, o relatório anota que os impactos da nova Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio) aprovada pelo Congresso no final do ano passado – mas cujas metas só foram definidas no mês passado – não puderam ser fatorados.

Mais baratos

Os biocombustíveis também deverão ficar mais baratos ao longo da próxima década – pelo menos em termos reais – ficando mais competitivos em relação aos produtos fósseis. Depois de considerado os efeitos da inflação sobre os preços, o biodiesel ficará 18% mais barato do que é hoje enquanto o etanol permanecerá relativamente estável com queda de 4,4%.

Já em termos nominais, a expectativa é que o etanol encerre a década 19,5% mais caro do que é hoje enquanto o biodiesel deverá subir modestos 3%. Em comparação o barril do petróleo ficará cerca de 40% mais caro ao longo do período. Embora esse processo torne os biocombustíveis mais atraentes ao consumidor, a alta persistente do petróleo também deverá alavancar as vendas de veículos mais econômicos e/ou elétricos reduzindo o mercado para os combustíveis líquidos em geral.

A íntegra (em inglês) do capítulo sobre biocombustíveis do relatório Perspectivas Agrícolas OCDE-FAO 2018-2017 pode ser baixado clicando aqui.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com

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