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Biodiesel terá maior crescimento da matriz na próxima década

PDE2023 1_220914Segundo a EPE o biodiesel será a fonte que mais vai avançar na matriz energética brasileira. Cálculos dos técnicos do órgão apontam para um avanço de 9% ao ano até 2023.
BiodieselBR 4 min de leitura
Segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) o biodiesel será a fonte energética que mais vai avançar na matriz energética brasileira pela próxima década. Nas contada da EPE, o entre 2014 e 2023, o consumo de biodiesel vai crescer 9% ao ano. Os cálculos fazem parte do Plano Decenal de Expansão de Energia 2023 (PDE 2023) que traz as projeções para o avanço da matriz energética brasileira durante os próximos 10 anos. A nova edição do documento encontra-se em consulta pública.

Segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) o biodiesel será a fonte energética que mais vai avançar na matriz energética brasileira pela próxima década. Nas contada da EPE, o entre 2014 e 2023, o consumo de biodiesel vai crescer 9% ao ano. Os cálculos fazem parte do Plano Decenal de Expansão de Energia 2023 (PDE 2023) que traz as projeções para o avanço da matriz energética brasileira durante os próximos 10 anos. A nova edição do documento encontra-se em consulta pública.

Segundo a EPE, o consumo final de energia vai avança de quase 254,5 milhões de toneladas equivalente de petróleo (tep) em 2014 para pouco mais de 351,3 milhões de tep ao final do período. Isso representa um salto de 38% no total ou cerca de 3,7% ao ano. 

Entre todas as fontes relacionadas [veja tabela], o biodiesel será a que apresentará maior avanço. De 2,58 milhões de tep em 2014 para 4,6 milhões de tep em 2023. Esse salto será quase todo concentrado nos primeiros cinco anos (2014 a 2018) quando os impactos diretos dos recentes aumentos da mistura obrigatória – introdução do B6 em julho passado e do B7 a partir de novembro serão mais presentes. 

Traduzido em litros, o consumo irá de 3,35 bilhões de litros esse ano para 5,98 bilhões de litros em 2023. Isso garante que a demanda possa ser atendia sem a necessidade de adicionar mais capacidade produtiva ao parque industrial brasileiro. De fato, a EPE estima que dos R$ 1,2 trilhão que serão investidos no setor energético, apenas R$ 1 bilhão irá para usinas de biodiesel.

Na primeira metade do período, o consumo de biodiesel crescerá 14,8% ao ano desacelerando para 3,4% ao ano de 2018 a 2023. Esse crescimento pode, é claro, ser bem maior do que o previsto caso o governo federal venha a aprovar novos aumentos no percentual de mistura, contudo, por questões metodológicas, o EPE assume que o B7 será mantido inalterado até 2023.

Participação
Com isso, a participação do biodiesel na matriz energética irá dos atuais 1% para 1,3%. Em termos relativos, o biocombustível ainda é ocupa a lanterninha da matriz energética brasileira, mas já se aproxima de fontes consolidadas como o óleo combustível e o querosene. 

Por pequena que tenha sido o ganho de participação, vale ressaltar que apenas o gás natural, a eletricidade, o etanol e a categoria “outros” aumentarão suas fatias. Os derivados de petróleo, por outro lado, apresentaram queda de 1,7% indo de 41% da matriz atual para 39,3% da matriz em 2023.

A queda será puxada principalmente pela redução do peso da gasolina que vai de 10,4% para 9,2% da matriz. A participação do óleo diesel, por outro lado, deverá ficar estável em 19,2%. 

Isso parece ir na contramão da produção de petróleo brasileira que deverá praticamente dobrar até chegar a 4,9 milhões de barris por dia (bpd) em 2023. Cerca de 1,5 milhões de bpd serão destinados ao mercado exportador o que dará ao Brasil posição de destaque no mercado mundial de petróleo e de derivados. 

Expectativas
A EPE vê o biodiesel ficando mais barato ao longo dos próximos 10 anos a medida em que os ganhos de produtividade agrícola e industrial no complexo soja tenham influência sobre os preços do produto, contudo o órgão não espera que a queda relativa nos preços seja suficiente para que o combustível renovável se torne competitivo em relação ao diesel fóssil.

Apesar disso, o EPE antecipa que será possível a formação de mercados de nicho para o biodiesel em regiões de produção de soja. Especialmente relacionadas a experiências de autoconsumo por grandes grupos produtores da oleaginosa e/ou grupos empresariais que interessados em reduzirem suas emissões de gases relacionados ao efeito estufa. Essas experiências podem aumentar a participação final do biodiesel na matriz energética.

O mercado de exportação também não deverá se tornar uma opção para as usinas brasileiras. Embora o estudo do EPE ressalte a exportação de 34 milhões de litros de biodiesel no ano passado para a Europa, e reconheça que esse volume poderá aumentar no período decenal a perspectiva é que as exportações se mantenham em “nível bastante reduzido”. 

A íntegra da versão atual PDE 2023 pode ser acessada clicando aqui

TabelaPDE2023 220914

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com
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