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Usinas questionam critérios da ANP para definição do preço do leilão

O anúncio do preço máximo do 20º leilão de biodiesel da ANP foi o principal tema das conversas entre os participantes da Conferência BiodieselBR, que terminou na última quinta-feira, em São Paulo.
BiodieselBR.com 3 min de leitura
O anúncio do preço máximo do 20º leilão de biodiesel da ANP foi o principal tema das conversas entre os participantes da Conferência BiodieselBR, que terminou na última quinta-feira, em São Paulo.

 O anúncio do preço máximo do 20º leilão de biodiesel da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) foi o principal tema das conversas entre os participantes da Conferência BiodieselBR, que terminou na última quinta-feira, em São Paulo. A avaliação da maioria das usinas é que vender biodiesel a R$ 2,12 o litro é inviável. A maior preocupação é com o óleo de soja, que na semana passada foi negociado em São Paulo por R$ 2,25 a R$ 2,30 o quilo, com ICMS. “Se eu tivesse óleo estocado e tivesse que escolher entre vender o biodiesel a R$ 2,12 e o óleo a R$ 2,30 venderia o óleo com certeza”, afirmou o diretor comercial da Bioverde, Alexandre Pereira. No entanto o preço do óleo por litro, sem ICMS, é de cerca de R$1,85.

Questionado sobre o assunto, o superintendente adjunto de Abastecimento da ANP, Rubens Cerqueira Freitas, afirmou que o valor é resultado de uma análise de “todos os fatores”. “A ANP faz uma análise detalhada do mercado”, defendeu durante debate na Conferência. “De forma nenhuma o preço máximo reflete o resultado do último leilão”, completou o diretor do departamento de Combustíveis Renováveis do Ministério de Minas e Energia (MME), Ricardo Dornelles. Freitas informou que a agência está disposta a discutir os custos do setor. “Estamos abertos ao debate”, convidou.

Apesar da explicação, a indústria de biodiesel ficou sem saber porque a análise dos fatores do mercado fez a ANP decidir por reduzir o preço máximo. No entanto em leilão anterior a ANP foi criticada por aumentar o preço máximo enquanto o óleo de soja apresentava queda.

Agora o combustível comprado nesse certame será entregue em janeiro, fevereiro e março de 2011, um período em que nos dois primeiros meses do ano a oferta de óleo é baixa e há bastante pressão sobre o preço. A situação fica mais incerta para as usinas, especialmente as menores, uma vez que as chuvas desse ano atrasaram e a atual previsão é que o início da colheita seja adiado. “Em geral se colhe soja a partir de 15 de janeiro. No próximo ano a expectativa é que se colha a partir de 15 de fevereiro”, disse João Batista Cardoso, da Binatural, para quem R$ 2,12 é “inexequível”. A usina, diz Cardoso, cogita não participar do leilão.

“O preço é mais figurativo. O que determina o valor final é a disputa”, afirmou João Arthur Manjabosco, da Camera. Manjabosco, no entanto, acredita que a redução no preço deve fazer com que “algumas usinas deixem de vender”. “As usinas grandes vão vender, mas as menores vão ter problemas”, completou Dimas Marchi, da JBS.

Ficar de fora do leilão, no entanto, não está nos planos da Cooperbio. É o que afirma Eduardo Semenara. “Ficar com a planta parada é complicado”, disse. Mas Semenara prevê que a disputa por óleo, principalmente no Mato Grosso, vai ser grande. “Vai ter menos óleo no mercado”, previu.

Rosiane Correia de Freitas - BiodieselBR.com
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