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Usinas analisam 20º leilão de biodiesel

Confira a opinião das usinas sobre o 20º leilão de biodiesel
BiodieselBR.com 4 min de leitura
Confira a opinião das usinas sobre o 20º leilão de biodiesel

Marcelo Barros da Silva, gerente industrial da Comanche
“O pessoal se preservou mais nesse leilão, trabalhou mais na última casa. Tiveram mais noção do preço e isso fez com que ele não baixasse tão rápido, como no 19º leilão. Com isso as usinas vão ter uma margem boa. O segundo lote teve mais disputa porque entrou mais usinas. A tendência é sempre cair o preço no segundo lote. Nós vendemos um terço da nossa capacidade de produção. Ficou no mesmo patamar do leilão anterior, mas é mais que nos leilões anteriores.”

Carlos Omar Polastri, diretor executivo da Cesbra Biodiesel
“O preço que fechamos, mesmo sendo melhor que no leilão anterior, foi ruim porque o preço do óleo de soja, metanol e catalisadores subiram muito. O óleo de soja subiu quase 30%. O produtor de biodiesel trabalha com commodities que oscilam todo dia no mundo inteiro e nós somos obrigados a fixar um preço para 120 dias. Isso traz um risco muito grande. O preço do biodiesel ficou abaixo do preço de custo. Muitas empresas não quiseram vender. Nós vendemos o mínimo só para continuar tento contato com a Petrobras e as distribuidoras. Se a ANP não tivesse subido o preço máximo não haveria nem oferta inicial, como aconteceu com o leilão da Refap. A vantagem é que produzimos nosso catalisador. A Cesbra é uma indústria química que tem outros produtos que respaldam os custos”.

Paula Regina Gomes Cadette Ferreira, diretoria financeira da Granol
“Leilão é sempre muito estressante. A gente tinha uma expectativa de que o preço de abertura fosse bem mais alto. Tivemos que reduzir o volume em função dos preços baixos. Os patamares de custos de produção nos próximos meses estarão bem diferentes em relação ao último leilão. As empresas não podem deixar de operar. O que se faz é um ajuste de volume para tentar se manter em operação e garantir sustentabilidade para o negócio. Se fosse mantido aquele preço inicial da ANP, não haveria vendedor, a Granol não participaria. Em Goiás temos o problema do atraso na safra, e está ainda mais preocupante porque a safra será menor. E no Sul, nos meses de janeiro, fevereiro e março não tem soja. Então a gente tem que garantir a produção desse primeiro trimestre só com a soja da safra de 2010, e essa soja está caríssima. O setor vive uma situação de super oferta e todo leilão acaba tendo sacrifício de volume e de preço. O ajuste de preço da ANP viabilizou a entrada da Granol, mais ainda não era um preço que justificasse muita audácia em relação a volume. Tivemos uma redução de operação muito importante em relação ao leilão passado”.      

João Batista Cardoso, diretor da Binatural
“Na minha opinião, o leilão foi bem disputado. A grande maioria das usinas agiu com cautela e optou pelo conservadorismo diante do quadro incerto dos próximos meses: alta do óleo de soja em Chicago, ausência de ofertas no mercado interno, risco do La Niña, atraso da colheita no Mato Grosso etc. Os preços da matéria-prima subiram quase 28% desde o último leilão. O preço de R$ 2,32 o litro é muito apertado, a margem é zero ou negativa. Em muitas regiões as usinas irão perder , em algumas vão empatar e em apenas poucas regiões elas irão ganhar uma pequena margem. As usinas fizeram o mínimo, creio, para não pararem, como foi o nosso caso.  Se não houvesse a sensibilidade da ANP, a decisão de participar do leilão seria muito complicada, pois com certeza haveria prejuízos. Vender em 19 de novembro para entregar no primeiro trimestre é muito complicado. Devido às incertezas, custa muito caro fazer hedge”.

João Artur Manjabosco, gerente comercial da Camera
“Por ter sido nossa primeira participação, avaliamos de forma positiva o 20º leilão. Os preços comercializados foram coerentes com os atuais custos das matérias-primas e insumos. Apenas nosso volume foi limitado devido ao fato de não termos tido tempo hábil para concluir o processo de obtenção do selo Combustível Social”.

Rosiane Correia de Freitas e Alice Duarte - BiodieselBR.com
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