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Transformando óleo de cozinha velho em quilometragem nova

Projeto do Massachusetts Institute of Techonology (MIT) nos EUA veio para o Brasil e adaptou os veículos para utilizar óleo filtrado, em vez de transformar o óleo em biodiesel
BiodieselBR.com 4 min de leitura
Projeto do Massachusetts Institute of Techonology (MIT) nos EUA veio para o Brasil e adaptou os veículos para utilizar óleo filtrado, em vez de transformar o óleo em biodiesel

Os catadores de lixo brasileiros, estimados em meio milhão de pessoas, transformam lixo em ouro: eles coletam itens recicláveis em lixões e depois os vendem para empresas de reciclagem. Mas para levar esses produtos recicláveis até seu destino final, são usados veículos, que consomem combustível.
Agora, com a ajuda de alunos do Massachusetts Institute of Techonology (MIT) dos EUA, os catadores encontraram uma opção de combustível mais barata e ambientalmente responsável: óleo de cozinha reciclado.

No verão de 2010, um grupo de estudantes do MIT viajou até São Paulo para começar a tocar o projeto Green Grease (Gordura Verde). Trabalhando em conjunto com a Rede CataSampa, uma cooperativa de catadores da cidade, eles adaptaram dois caminhões para que rodassem diretamente com óleo vegetal filtrado.

A equipe, liderada por Libby McDonald, integrante do Green Hub Global Program do Laboratório de Inovadores Comunitários, optou por adaptar os veículos para utilizar óleo filtrado – em vez de transformar o óleo em biodiesel, como a equipe faz no MIT – porque o processo de conversão do biodiesel precisa de um maquinário relativamente complexo, além de químicos caros e tóxicos. (Porém, em locais onde há instalações adequadas, como no MIT, essa conversão permite uma maior flexibilidade, já que o biodiesel pode ser usado em qualquer veículo diesel sem nenhuma modificação. Outro fator é que as altas temperaturas no Brasil permitem que o óleo flua corretamente, sem a necessidade de aquecedores extras, como em países mais frios.)

Já o processo de filtragem de óleo e as adaptações nos veículos são simples e podem aproveitar as várias peças recicladas que os catadores conseguem encontrar ou improvisar, explica Angela Hojnacki, presidente do Biodiesel@MIT e uma das integrantes da equipe do Green Grease que está trazendo a tecnologia para o Brasil.

O uso de óleo vegetal filtrado gera vários benefícios para os catadores. Primeiro, utiliza óleo usado, um poluente que quando jogado em rios, como costuma acontecer, pode matar peixes e desestabilizar ecossistemas. Por isso mesmo, o Brasil vem criando regulamentações ambientais que restringem o descarte de óleo usado e exigem a instalação de caixas de gordura nos sistemas de tubulação de prédios residenciais. Segundo, reduz drasticamente (e poderá até eliminar por completo no futuro) os gastos dos catadores com combustível para seus caminhões. O combustível responde atualmente por cerca de um quinto dos custos operacionais das cooperativas de  catadores de lixo.

Para adaptar os caminhões foi preciso instalar um tanque extra e um sistema de distribuição de combustível em paralelo, além de um conjunto de válvulas ajustáveis, para que o veículo possa operar tanto com diesel comum quanto com óleo filtrado, dependendo do que houver disponível, explica Hojnacki, que estuda engenharia mecânica e planejamento urbano. Como parte do processo, os catadores também encontraram materiais, como uma velha placa de trânsito de metal, que foi adaptada para servir de gaxeta para o tanque extra. “Nós aproveitamos a engenhosidade deles”, diz Hojnacki.

O projeto Green Grease ganhou um prêmio de US$ 3 mil na competição Ideas do ano passado, um concurso estudantil para projetos de serviços inovadores que possam ajudar a suprir carências de comunidades menos favorecidas. O projeto visa melhorar as vidas e a renda dos coletores de lixo pobres, que geralmente recebem apenas uma fração do valor dos materiais que coletam. Intermediários costumam ficar com a maior parte dos lucros. A redução ou eliminação dos custos de transporte pode tornar mais fácil para as cooperativas negociar diretamente com as empresas de reciclagem. Antes da adaptação dos caminhões, elas vendiam o óleo usado para fabricantes de biodiesel por apenas 50 centavos o galão – bem menos do que o valor pago pelo combustível usado em seus caminhões.
As pessoas beneficiadas “estavam realmente empolgadas com a tecnologia”, diz Hojnacki.

Segundo a estudante, agora que os motoristas de caminhão de uma cooperativa aprenderam a adaptar veículos e instalar sistemas de filtragem, a expectativa é que “eles possam transformar sua atividade em um pequeno negócio, adaptando mais caminhões e fornecendo óleo” – ajudando dessa forma a disseminar a tecnologia. Na próxima visita programada para este ano, a equipe planeja expandir o projeto para outras cinco cidades brasileiras com a ajuda dos catadores treinados em São Paulo.



David L. Chandler, da redação do MIT News
Tradução: BiodieselBR.com
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