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Soja vai dar lucro até em área pequena

Agricultores familiares também aproveitam a alta da commodity, deixam milho e feijão de lado para investir na soja
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Agricultores familiares também aproveitam a alta da commodity, deixam milho e feijão de lado para investir na soja

Os bons preços no mercado internacional estão derrubando um mito: o de que o cultivo da soja é exclusividade de grandes produtores. Na região de Itapeva, sudoeste paulista, agricultores familiares foram atraídos pela expectativa de lucro, aderiram à oleaginosa e não se arrependem. Embora pequenos, eles não dispensam a tecnologia exigida pela cultura, como plantio direto, semeadura de precisão, controle de pragas e colheita mecanizada. Os agricultores se cotizam para alugar máquinas e trocam serviços.

Lavoura de futuro
O produtor Adjalma Ferreira da Silva com a filha, Talita. Ele cultivou nesta safra 25 hectares, ante 10 hectares na safra passada, quando ganhou um bom dinheiro e 'resolveu arriscar'

O lavrador José Carlos da Silva tem um sítio de 12 hectares de área cultivável no bairro rural da Caputera e a terra toda está tomada pela soja. Silva conta como foi convencido a aderir à commodity. "Vivo na roça desde pequeno e tudo o que eu sabia fazer era lavoura de feijão e milho. Num ano ganhava, no outro perdia. Comecei a ver que o produtor de soja ia para a frente." Silva passou a ter mais contato com agricultores médios e grandes da região quando investiu as economias na compra de um caminhão, há seis anos, e começou a fazer fretes para os produtores. "O que deu para perceber foi que a soja nunca dava prejuízo. Numa safra o produtor ganhava menos, na outra mais, mas sempre ganhava."

Venda antecipada. Parentes e amigos já estavam plantando o grão e ele procurou um cerealista da região. "Negociei a compra dos insumos para pagar com a soja, por isso antecipei a venda de 300 sacas a R$ 47." Ele espera colher 65 sacas/hectare - praticamente a mesma produção dos grandes. Silva usa plantio direto há mais de dez anos e teve de se acostumar com as pulverizações contra ferrugem. "O controle foi de 100%." No troca-troca de serviços com os vizinhos, ele entra com o caminhão. "Não tenho trator, nem pulverizador, muito menos colhedora. Acerto tudo com irmãos e vizinhos e depois pago com o serviço de frete, transportando a safra deles."

Irmão caçula de Silva e produtor de soja na terceira safra, Adjalma Ferreira da Silva, de 41 anos, cultiva 75 hectares em parceria com o sobrinho José Angélico. No primeiro ano, foram cultivados 10 hectares e no ano passado a área foi ampliada para 25. "Na safra passada ganhamos um bom dinheiro, por isso resolvemos arriscar." O risco desse grão, segundo Adjalma, é bem menor que o de outras lavouras. Nos dois anos passados, ele teve prejuízo com o milho. "A soja tolera mais a estiagem. E a venda antecipada é um bom sistema, porque você já sabe por quanto vai vender."

Lucro líquido
Adjalma e o sobrinho esperam colher 66 sacas por hectare e fizeram a venda antecipada de 70% da produção. Ele acredita que o custo está pago e já existe uma sobra. Os outros 30% devem entrar limpos na contabilidade. Além de agricultor, Adjalma é operador de colhedora. Ele presta serviços a fazendeiros e cerealistas da região e se tornou sócio de uma colhedora ano 1985. "É uma máquina já bem usada, mas ainda está inteira e, por não ser de grande porte, trabalha bem nas áreas pequenas." Para que um único equipamento dê conta da colheita, os produtores alternam os plantios da soja de variedade padrão e da precoce na mesma área a ser colhida. Isso permite que uma parte da colheita seja antecipada em até duas semanas. A prática cria um belo efeito visual nas lavouras: de um lado, as plantas bem amarelas, em contraste com a soja de verde-escuro.

A parte de Adjalma na troca de serviços com os vizinhos e parentes não se resume à colheita. Ele é dono também de uma máquina de plantio direto. Com os ganhos da lavoura e da prestação de serviços, ele já pensa em comprar mais terra. "O preço está alto, mas depois que a gente compra, ela também continua valorizando. Então vale o sacrifício", raciocina.

Atividade extra
A maioria dos pequenos sojicultores tem outra atividade, por isso conta com a ajuda da família para cuidar da lavoura. Esposas, filhos, irmãos e sobrinhos se ocupam de observar o desenvolvimento das plantas. O produtor Gilberto Rodrigues, que está na primeira lavoura, com 20 hectares, trabalha também como guarda municipal. Outro que entrou no ramo foi o comerciante Elaércio Gomes, dono de um mercadinho. Ele atende seu comércio e cuida da lavoura. "Quando o movimento reduz, deixo um funcionário no caixa e dou uma corrida na plantação", diz.

José Maria Tomazela - O Estado de S.Paulo
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