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Sistema para aferir qualidade e características do biodiesel

Em desenvolvimento o primeiro sistema caracterizador de biodiesel do País usando um sensor olfativo artificial, mais conhecido como nariz eletrônico.
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Em desenvolvimento o primeiro sistema caracterizador de biodiesel do País usando um sensor olfativo artificial, mais conhecido como nariz eletrônico.
 
A Escola de Engenharia de Lorena (EEL) da USP está desenvolvendo o primeiro sistema caracterizador de biodiesel do País usando um sensor olfativo artificial, mais conhecido como nariz eletrônico.  O equipamento, que será portátil e dotado de um sistema de Redes Neurais Artificiais (RNA), será importante na aferição da qualidade do biodiesel a ser comercializado nos postos de combustíveis brasileiros.

De acordo com o coordenador do projeto, professor Domingos Sávio Giordani, do Departamento de Engenharia Química, o biodiesel atualmente comercializado no Brasil é o do tipo B2, composto de 98% de diesel mineral e 2% do biocombustível de origem vegetal.  “A partir de 2008, de acordo com uma resolução da Agência Nacional de Petróleo (ANP), o biodiesel passará a ser comercializado obrigatoriamente em todos os postos de combustíveis do País”, conta Giordani, lembrando que já em 2013, a proporção a ser comercializada deverá ser a B5, “com 95% de óleo mineral e 5% de biocombustível de origem vegetal”.

O pesquisador explica que o equipamento terá condições de aferir não apenas as quantidades do biodiesel como também a origem do produto.  “Sabemos que o Governo Federal deverá incentivar os pequenos produtores de algumas culturas destinadas à fabricação do biodiesel, dentro de programas de apoio à agricultura familiar.  Com esse novo sistema poderemos aferir se o produto em questão foi produzido a partir de soja, mamona ou outros tipos de vegetais”, garante o professor.  O novo sistema, segundo Giordano, deverá estar pronto para utilização até o final deste ano.

Nariz eletrônico Em maio próximo, os pesquisadores da EEL deverão receber o “nariz eletrônico”, um conjunto de sensores que será usado no novo sistema.  O equipamento foi importado dos EUA graças ao financiamento da Fapesp, que aprovou no final do ano passado a realização dos estudos para viabilização do novo equipamento.

Giordani explica que o “nariz” tem o tamanho aproximado de uma caixa de sapatos.  “Adaptaremos uma RNA capaz de decodificar a matriz de dados fornecidos pelos 32 sensores.  Este ‘cérebro artificial’, como podemos chamar este software, após devidamente programado, poderá nos indicar as diversas características do biocombustível”, diz o pesquisador.  O pesquisador lembra que no Brasil a Embrapa já desenvolveu um “nariz eletrônico”, mas com apenas cinco sensores.

“Devido a seu tamanho reduzido, podemos adiantar que a própria ANP ou qualquer outro órgão poderão implantar sistemas móveis de fiscalização da qualidade e características do biodiesel”, avalia Giordani.

Segundo as expectativas do pesquisador, o sistema deverá ter um custo total de cerca de US$ 18 mil, o que pode ser reduzido se produzido em grande escala.  “Enquanto o ‘nariz eletrônico’ teve um custo aproximado de US$ 15 mil, o software de RNA deverá custar entre US$ 2 mil e US$ 3 mil”, estima, lembrando que um equipamento tradicional para aferição, como um cromatógrafo, por exemplo, chega a custar cerca de US$ 80 mil.

Giordani lembra que, apesar de o “nariz” ter sido adquirido especificamente para a construção de um sistema de aferição de qualidade e característica do biodiesel, o grupo que ele coordena já trabalha, paralelamente, em modelos para análise álcool combustível, gasolina e vinho, este último em parceria com a Embrapa Uva e Vinho de Bento Gonçalves, no rio Grande do Sul.

Antonio Carlos Quinto
Agência USP de Notícias

Mais informações:
(0XX12) 3159 5142
com o professor Domingos Sávio Giordani;
e-mail giordani@dequi.eel.usp.br
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