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Produtores gaúchos produzem biodiesel em pequena escala para consumo próprio

Na quinta safra do projeto, já foram contempladas 101 lavouras, abrangendo um total de 54 produtores.
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Na quinta safra do projeto, já foram contempladas 101 lavouras, abrangendo um total de 54 produtores.

No Sul do Brasil, um dos maiores desafios nas áreas produtoras de tabaco é viabilizar atividades alternativas para as pequenas propriedades rurais. Nesse sentido, a Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra) iniciou em 2006 um trabalho de pesquisa para estudar a viabilidade do plantio de girassol, através do Projeto de Produção de Biodiesel. Com a parceria da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc) e apoio do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), a ação envolve agricultores em municípios da região central do Rio Grande do Sul, onde há maior concentração de lavouras fumageiras.

Os grãos colhidos são processados em uma usina instalada no Parque da Expoagro Afubra, no município de Rio Pardo, desde que a iniciativa foi lançada. A produção retorna para os produtores em forma de biodiesel, que é utilizado nos maquinários das propriedades. Além disso, as famílias também recebem a torta de girassol – coproduto do processamento que é aproveitado como ração animal –, e o glicerol para fabricação de sabão doméstico. Segundo o técnico agrícola Nataniel Sampaio, o biodiesel passa por análises e  rigorosos testes em motores antes de voltar para os agricultores, proporcionando maior garantia de uso.

Na quinta safra do projeto, já foram contempladas 101 lavouras, abrangendo um total de 54 produtores. Até agora, os resultados são considerados positivos. “É uma alternativa para agregar renda nas propriedades.”  Futuramente, a expectativa é de que o girassol possa ser processado em forma de associativismo nas comunidades rurais. Para tanto, espera-se apoio governamental para a compra dos equipamentos, já que os investimentos são bastante altos. “É um processo muito lento, porque a questão cultural do tabaco é muito forte, mas o estudo nos dá indicativos de que o caminho é viável”, comenta Sampaio.
Em 2011, a ideia também é estudar o uso do óleo do girassol na alimentação humana, especialmente na culinária. Segundo o vice-presidente da Afubra e coordenador do Projeto de Biodiesel, Heitor Álvaro Petry, este ano novas lavouras experimentais serão implementadas para reforçar as pesquisas, que estão em constante construção. “Vão se moldando em conformidade com a própria evolução do aprendizado e as circunstâncias em torno da atividade de produção de biocombustíveis”, explica.

APROVAÇÃO
Em Vila Schmidt, interior do município de Boqueirão do Leão, o produtor Celso Montineli, de 55 anos, atesta a viabilidade do Projeto de Biodiesel. Há quatro anos, ele aderiu à proposta e desde então cultiva um hectare de girassol a cada safra. O trabalho já rendeu 980 litros de biocombustível, utilizado na caminhonete e no trator da propriedade. “É uma grande economia para minha família”, conta. Além disso, os coprodutos do processamento também são aproveitados em outros segmentos da propriedade.

A torta de girassol, por exemplo, é utilizada como suplemento alimentar para o rebanho e tem proporcionado um incremento na produção leiteira. Segundo Montinelli, até o sabor do queijo fica diferenciado quando as vacas são alimentadas com o composto. “É muito mais saudável e muito mais gostoso”, garante. O produtor reforça seu desejo de que o projeto tenha continuidade e de que o cultivo de girassol se fortaleça na região. “É um trabalho muito importante para o meio rural.”

Saiba mais
A fabricação de biodiesel é feita em um pavilhão de 600 metros quadrados, onde ocorre o processamento do grão do girassol. Depois de passar pela secagem, o grão entra em uma extrusora, que extrai o óleo e a torta de girassol – utilizada na alimentação animal. Em seguida, o óleo passa pela etapa de transesterificação, onde a glicerina é retirada e o óleo se transforma no biodiesel. A unidade de processamento sedia aulas práticas de cursos oficiais na formação de tecnólogos em biocombustíveis. Algumas das instituições que se valem da estrutura da Afubra para formação de seus alunos são o Instituto Federal Sul-Riograndense, o Campus Visconde da Graça/Pelotas e o Instituto Farroupilha do Campus de São Vicente do Sul. Além disso, a usina tem recebido comitivas de vários Estados, que buscam informações e referências sobre a experiência e seus resultados.

Fonte: Gazeta do Sul
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