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Produtores de biodiesel não apóiam mudança no leilão

Hoje os produtores de biodiesel foram pegos de surpresa ao ler o edital do 21º leilão.
BiodieselBR.com 3 min de leitura
Hoje os produtores de biodiesel foram pegos de surpresa ao ler o edital do 21º leilão.

Hoje os produtores de biodiesel foram pegos de surpresa ao ler o edital do 21º leilão. A Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustível (ANP) colocou dois preços diferentes como referência. Como os grandes itens tem um número menor de usinas concorrendo, a agência reduziu o preço máximo dos itens de 10 e 15 milhões de litros (fixado em R$ 2,32 o litro). Para os demais itens menores, o preço de referência ficou em R$ 2,43.

Os produtores de biodiesel ouvidos pela BiodieselBR não aprovaram a mudança, nem concordam com o preço de referência. Para o diretor da BSBios, Erasmo Carlos Battistella, a mudança é incoerente. “Ter dois preços dentro do mesmo leilão, para o mesmo produto e a mesma modalidade de entrega, é discriminar aquelas empresas que disputam os maiores lotes”, diz. Ele também considera o preço de referência muito baixo em relação à cotação da matéria-prima. “No último leilão o óleo de soja no mercado interno estava R$ 250 mais barato. No entanto, o preço de R$ 2,32 é o mesmo do leilão passado”, diz.

Alexandre Pereira, diretor comercial da Bioverde, de Taubaté (SP), faz coro à opinião de Battistella. “Se eu vou comprar o mesmo carro, no mesmo dia e lugar, é incoerente que haja dois preços diferentes. Essa é mais uma surpresa. A mudança repentina, sem consultar no mercado, vem dificultar nossa difícil vida de produtor, que trabalhamos com excesso de oferta e demanda estagnada”, diz.


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Para contornar esse desequilíbrio entre oferta e demanda, a Brasil Ecodiesel propôs ao governo no mês passado mudar o limite de oferta que cada usina poderia dar nos leilões. O percentual cairia de 80% para 60% da capacidade instalada autorizada, como uma forma de evitar que somente as grandes esmagadoras, que produzem sua matéria-prima a preços mais competitivos, tomassem conta do mercado.  A proposta não foi aceita. “O governo não quer acordo para todo mundo poder vender e sim preço baixo”, diz Nivaldo Tomazella, diretor industrial da Biopar, de Rolândia (PR).

Ele acredita que as pequenas e médias usinas terão uma pequena vantagem nesse próximo leilão, mas que não haverá mudanças no resultado final. “São tentativas, mas na prática não vai funcionar. O preço vai se equalizar para baixo porque a oferta está aumentando e o volume vendido não. Então as grandes usinas vão vender nos grandes lotes e depois virão para os pequenos”, finaliza Tomazella.

Tomazella pode ter encontrado a explicação para a mudança. Apesar do crescimento da oferta e o congelamento da demanda, este quadro não proporcionou disputa no último leilão. No pregão realizado em novembro os itens chegavam a ficar vários minutos sem receber oferta e muitos itens fecharam com poucos lances no total e um deságio muito pequeno. Esta situação pode ser verificada em detalhes aqui.
(obs.: o acesso a página é exclusivo para as empresas que compraram o ferramenta desenvolvida pela BiodieselBR para o leilão).

Alice Duarte – BiodieselBR.com
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