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Plano decenal: Uso de biodiesel além do obrigatório não deve acontecer

Confira as informações sobre biodiesel do Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE), aprovado pelo Ministério de Minas e Energia
BiodieselBR.com 4 min de leitura
Confira as informações sobre biodiesel do Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE), aprovado pelo Ministério de Minas e Energia

Apesar do sucesso da implementação do programa de biodiesel, com a antecipação da meta de 5% de mistura no diesel, não se avista o uso do biocombustível além deste percentual obrigatório na próxima década. Essa é a conclusão do Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE), aprovado pelo Ministério de Minas e Energia e divulgado ontem (29). As projeções indicam que os preços dos insumos cultivados continuarão com tendência de alta, resultando em custos de oportunidade para o biodiesel acima dos preços do diesel para os próximos dez anos.

O relatório, elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), apresenta um cenário de referência para a expansão da oferta de energia até 2019. Em relação ao biodiesel, foram analisados os aspectos de disponibilidade de insumos, a capacidade de processamento e de escoamento da produção, o potencial de consumo, a perspectiva de preços e a competitividade em relação ao diesel fóssil.

A demanda de diesel deverá crescer uma média anual de 6% até 2019. Já a demanda de biodiesel no país deverá crescer em média 9,8% ao ano no mesmo período. Para essa projeção, a EPE não considerou possíveis aumentos na mistura obrigatória e se baseou apenas na Lei n° 11.097/2005 e na Resolução CNPE n° 06, de 16/09/2009, que antecipou a adição de 5% de biodiesel no óleo diesel a partir de janeiro deste ano.

A capacidade instalada não será um fator restritivo para o atendimento da demanda no período. Já o preço da matéria-prima  poderá ser limitante para a expansão do uso de biodiesel. “Um cenário de preços de insumos elevados com expectativa de manutenção deste patamar no curto e médio prazos, associados à previsão de preços menos elevados do petróleo, desestimulam o uso de biodiesel no Brasil além do mandatório”, diz o relatório. De acordo com a Agência Internacional de Energia a matéria-prima representa entre 85% e 92% do custo total do biodiesel, enquanto os custos de conversão estão entre 8% e 15%, nas plantas industriais de grande escala e entre 25% e 40%, nas plantas de pequena escala.

Somente o biodiesel à base de borra de ácidos graxos será capaz de ter preços menores que o diesel ao longo da década. Dentre os insumos cultivados, o dendê e a mamona são os que permitiriam preços mais próximos dos estimados para o diesel, seguidos pela soja. Pelas projeções da EPE, o biodiesel de girassol terá o maior preço ao longo da próxima década. Nessa análise, foram desconsideradas fontes como algodão, canola, crambe e pinhão-manso.

O óleo de soja vai continuar sendo a principal matéria-prima para a produção de biodiesel no período. Outros insumos, como gordura animal, dendê e mamona, provavelmente serão complementares, sem alterar significativamente o quadro atual. Como estratégia, o PDE recomenda o desenvolvimento de culturas energéticas alternativas, a preços mais competitivos.

Clique na imagem para ampliar:
Preços do biodiesel por matéria-prima
Fonte: EPE

Logística
A quantidade de caminhões-tanque para transportar biodiesel é pequena. Para atender a demanda este ano, serão necessários pelo menos 556 caminhões-tanque (de 30 mil litros) por dia, o equivalente a somente 0,77% da frota atual. O Centro-Oeste demandará 62 caminhões-tanque; o Norte, 58; o Nordeste, 80; o Sul, 109; e o Sudeste, 247. 

Já em 2019 serão necessários 932 caminhões-tanque/dia no total. Mesmo que não haja acréscimo na frota atual, o número representaria somente 1,28% do total da frota de caminhões.
 
Se não forem construídas novas usinas até o final desta década, as regiões Sudeste e Norte não serão auto-suficientes na produção de biodiesel. Considerando o B5 em 2019, com as atuais capacidades instaladas, haveria a necessidade de transportar 2,7 milhões de litros por dia para a região Sudeste de 0,57 milhões de l/dia para a região Norte, que seriam supridas pelas regiões Nordeste ou Centro-Oeste. 

Por questões de escala, o transporte de biodiesel deve a permanecer no modal rodoviário no médio prazo, segundo o relatório. Caso o país consuma mais biodiesel do que está previsto hoje na legislação e venha a ter um aumento expressivo da escala de produção, o modal ferroviário pode ser uma alternativa, pois a maioria das usinas e das bases distribuidoras está localizada nas proximidades de ferrovias.

Demanda de biodiesel no Brasil (mil m³)

Ano

volume

2010

  2.506

2014

  3.155

2019

  4.194


Fonte: EPE


Alice Duarte – BiodieselBR.com
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