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Pesquisa com motor para óleo vegetal avança no Inmetro

“Queremos inverter a tendência de o combustível se adaptar ao motor. Agora nós vamos adaptar o motor ao combustível”
BiodieselBR.com 3 min de leitura
“Queremos inverter a tendência de o combustível se adaptar ao motor. Agora nós vamos adaptar o motor ao combustível”

“Queremos inverter a tendência de o combustível se adaptar ao motor. Agora nós vamos adaptar o motor ao combustível”, diz Romeu Daroda, do Instituto Nacional de Metrologia e Qualidade Industrial (Inmetro), que coordena o projeto de desenvolvimento de um motor para máquinas agrícolas movido a óleo vegetal in natura. O estudo está sendo feito em parceria com o grupo de engenharia automotiva da FPT Powertrain Technologies, fabricante de motores e transmissões para o grupo Fiat.

O projeto, que teve início em outubro do ano passado, está na fase de análise de consumo do combustível, desempenho do motor e emissões. Foram 1.200 horas de trabalho contínuo para verificar se há corrosão, depósitos, entupimento de bicos e alterações no óleo lubrificante. “Ainda estamos tentando identificar possíveis problemas no uso do óleo vegetal como combustível, mas até agora não encontramos nenhum problema sério”, informa Daroda.

  • Romeu Daroda, Coordenador do Projeto Biocombustíveis do Inmetro
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Um motor comum, desses comercializados no mercado, está sendo utilizado para os testes, mas com algumas adaptações. Foi necessário fazer modificações no sistema de filtragem do combustível (utilizando filtros de diferentes porosidades) e um sistema de aquecimento em série para o óleo vegetal, que tem uma viscosidade maior. “Foi necessário fazer um aquecimento gradativo para não dar choque térmico no óleo e evitar uma degradação térmica”. Estão sendo testados diferentes tipos de óleo – inclusive de palmeiras nativas da Amazônia –, principalmente em estado bruto, sem nenhum refino químico. Como o óleo obtido por extração mecânica contém partículas em suspensão, como gomas, Daroda diz que estão sendo testados diferentes tipos de filtros para não comprometer a parte mecânica do motor.
 
Só na fase seguinte, onde os técnicos terão verificado se há ou não a necessidade de modificar componentes, câmara de combustão, bicos e injetores, é que um motor protótipo será desenvolvido. O protótipo poderá levar à criação e comercialização de um motor que dará ampla garantia ao produtor para usar o óleo vegetal, com a vantagem deste ser produzido a partir de oleaginosas cultivadas dentro da propriedade rural. Livre de impostos, o óleo vegetal sairia por cerca de R$ 0,70 por litro.

Hoje, muitos produtores rurais utilizam o óleo vegetal puro para abastecer máquinas agrícolas, principalmente em comunidades rurais afastadas, com difícil acesso à compra de combustível. “Queremos dar a esses produtores a garantia de fábrica para o uso do óleo vegetal, com orientações de uso e freqüência de revisão. O objetivo também é fazer com que os produtores de comunidades longínquas possam acoplar ao motor um gerador de energia elétrica”, diz.

Daroda garante que até o momento não sofreu pressão do governo ou de fabricantes de combustíveis. “Nosso objetivo é exclusivamente social. Não estamos preocupados com o setor de transporte de cargas ou de passageiros. O motor só será utilizado pelo setor agrícola”, diz.

Alice Duarte – BiodieselBR.com
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