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Pesquisa aponta problemas no cultivo de pinhão-manso e mamona para biodiesel

“Eles tiveram uma queda na renda obtida em relação ao cultivo do milho, mandioca e arroz”
BiodieselBR.com 3 min de leitura
“Eles tiveram uma queda na renda obtida em relação ao cultivo do milho, mandioca e arroz”

A produção de mamona e pinhão-manso para a indústria de biodiesel prometia trazer inclusão social e melhoria de renda para agricultores familiares do Tocantins. O cultivo, incentivado por benefícios tributários concedidos pelo governo a usinas do biocombustível, deveria ajudar na formação de uma cadeia produtiva na região. Além disso, a esperança era que ao se transformar em biodiesel essas oleaginosas pudessem contribuir para a preservação do meio ambiente, já que evitariam a queima de diesel mineral e conseqüente emissão de gases causadores do efeito estufa.

Uma pesquisa realizada pelo professor da Universidade Federal do Tocantins, Marcus Vinicius Alves Finco, no entanto, encontrou dados pouco animadores sobre os resultados do incentivo governamental ao cultivo das duas plantas. Finco entrevistou agricultores em dez municípios do estado. O resultado do trabalho mostra que muitos estão derrubando áreas de vegetação nativa para plantar pinhão-manso ou mamona, o que acaba anulando os benefícios ambientais que o uso do biodiesel pode trazer.

Em uma simulação realizada na pesquisa, Finco descobriu que a derrubada de áreas de mata nativa poderia ser evitada se houvesse programas que remunerassem os agricultores pela manutenção da flora local. “Se eles recebessem US$ 10 por tonelada de carbono seqüestrado isso já garantiria o plantio das oleaginosas em outros locais sem prejuízo para o agricultor, mesmo que ele tenha que gastar mais no preparo da terra”, explica. Hoje os produtores familiares preferem derrubaram a mata porque consideram mais barato preparar a terra em áreas de vegetação nativa do que usar locais já desmatados.

Outra descoberta igualmente negativa é que ambas culturas não estão ajudando os agricultores a ganhar mais dinheiro. “Na verdade eles tiveram uma queda na renda obtida em relação ao cultivo do milho, mandioca e arroz”, revela. O maior problema encontrado pelos agricultores é que a produtividade das culturas de pinhão manso e mamona ficaram muito abaixo do esperado.

Além disso, como estão deixando de plantar alimentos, esses produtores acabam tendo que adquirir uma maior parte da comida que irão consumir no comércio local. “A cultura da matéria-prima do biodiesel tira espaço que antes era ocupado pelo cultivo de alimentos”, aponta Finco.

A queda na renda familiar e a redução da área usada para plantar alimentos colocou em risco a segurança alimentar dos agricultores. Segundo o pesquisador, muitas famílias revelaram ter deixado de consumir refeições durante parte do ano depois de aderir a cultura. “A segurança alimentar das comunidades é afetada pela relação entre a produção da semente da oleaginosa e de alimentos”, afirma.

Para reverter esse quadro, Finco sugere que governo e empresas deverão, no caso do pinhão manso, focar no aumento do valor pago pela produção. Já no caso da mamona, a proposta é investir no aumento da produtividade da planta.

Parte dos dados coletados pelo pesquisador está em um livro recém-publicado na Alemanha. "Bioenergy Economics: an analysis of oil seed farming and biodiesel production in the Brazilian savannah" (Economia da Bioenergia: uma análise da produção de biodiesel e de sementes oleaginosas no Cerrado brasileiro) é a tese de doutorado do pesquisador que foi realizada no Instituto de Economia Agrícola da Universidade de Hohenheim (Alemanha).

Rosiane Correia de Freitas - BiodieselBR.com
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