BiodieselBR
Publicidade

Oleoplan põe Sul no mapa do biodiesel

Região receberá a primeira fábrica do combustível, que terá como foco o mercado externo. A usina de biodiesel da Oleoplan, a primeira da região Sul do Brasil, começa a operar nos próximos dias.
. 5 min de leitura
Região receberá a primeira fábrica do combustível, que terá como foco o mercado externo. A usina de biodiesel da Oleoplan, a primeira da região Sul do Brasil, começa a operar nos próximos dias.
 
Apesar as incertezas, o empresário calcula que, a partir do ano que vem, aproximadamente...

Região receberá a primeira fábrica do combustível, que terá como foco o mercado externo. A usina de biodiesel da Oleoplan, a primeira da região Sul do Brasil, começa a operar nos próximos dias. A unidade, construída com um investimento de R$ 20,5 milhões em Veranópolis, na serra gaúcha, tem uma capacidade instalada de 100 milhões de litros por ano. A produção inicial será destinada para a Petrobras, que, por meio do leilão da ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), contratou 10 milhões de litros para este ano, volume que deve render cerca de R$ 18 milhões para a Oleoplan.

A usina seria inaugurada na última quinta-feira com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas o evento foi adiado porque a Oleoplan não conseguiu a tempo a licença da Receita Federal para a comercialização. A expectativa é que a cerimônia ocorra ainda na primeira quinzena de abril.

A Oleoplan teve ano passado uma receita bruta de R$ 127 milhões e a projeção para este ano é chegar a R$ 260 milhões em virtude do maior volume de soja que será esmagado, da valorização do óleo e da própria produção do biodiesel, que, em média, tem um preço R$ 0,60 de superior ao do litro do óleo. No leilão da Petrobras, a Oleoplan conseguiu um valor de R$ 1,79 o litro do combustível.
O presidente da Oleoplan, Irineu Boff, acredita que, com o crescimento previsto para o mercado de biodiesel no mundo, ainda em 2008 toda a capacidade instalada da empresa estará sendo utilizada. Para este ano, porém, a expectativa de novos negócios está apenas nas exportações, provavelmente no segundo semestre.

Para Boff, o mercado para o Biodiesel deve deslanchar a partir do ano que vem, quando entra em vigor a lei que obriga uma mistura de 2% no diesel convencional. Além de novos leilões da Petrobras e das exportações, ele acredita que a oportunidade para ampliar o uso do biodiesel está nos frotistas, empresas de ônibus e caminhões que poderão utilizar uma mistura com até 30%. "O mercado para o biodiesel é grande e próspero, mas os mecanismos de negociação ainda estão se formando. Ainda não sabemos como serão os preços e, no mercado externo, como ficarão as barreiras técnicas e tarifárias", diz.

Apesar as incertezas, o empresário calcula que, a partir do ano que vem, aproximadamente 70% da produção da Oleoplan será destinada para exportação. Caso o mercado se consolide, a empresa deve partir para uma expansão. Neste caso, buscaria recursos no mercado de capitais, como fez a Brasil Ecodiesel.

Nada de aventuras

Boff não é um aventureiro empolgado com o boom do biodiesel. A Oleoplan, adquirida por ele em 1980, produz principalmente óleo de soja. Com isso, a estrutura de esmagamento existente permitiu que o investimento necessário para a produção de biodiesel fosse relativamente pequeno - se comparado a outros projetos anunciados Brasil afora -, por ser apenas uma etapa além da produção de óleo. Outras vantagens competitivas são a cadeia de fornecedores de soja já formada e a diluição de custos energéticos, administrativos e operacionais. "Se o mercado de biodiesel apresentar problemas, volto a vender óleo de soja", afirma Boff. Além de óleo, a Oleoplan produz farelo, farinhas especiais e lecitina.

O interesse da Oleoplan pela soja iniciou há 10 anos, quando o óleo passou por um período preços deprimidos e os esmagadores começaram a falar em biodiesel como saída para o setor e, consequentemente, para os plantadores de soja. Em 2002, a Oleoplan construiu, com tecnologia própria, uma planta-piloto com capacidade de 60 litros/hora. O projetou entrou em hibernação devido a indefinição do governo federal, mas voltou a ser tocado com o lançamento do programa do biodiesel. "Toda a usina foi construída com tecnologia própria desenvolvida com a planta-piloto", conta Boff.

Para produzir os 100 milhões de litros de biodiesel, a Oleoplan vai esmagar, a partir deste ano-safra - com início em abril -, 330 mil toneladas de soja, volume suficiente para dois terços da necessidade. Boff estima que, do restante, 10% virá de matérias-primas alternativas como a mamona e a canola e a diferença será suprida por óleo de soja adquirido de terceiros no mercado.

A Oleoplan está montando parcerias com a Embrapa e a Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag) para levar assistência técnica a pequenos produtores. A Oleoplan já compra 46% da soja que consome da agricultura familiar, o que garante à empresa o Selo de Combustível Social.

Caio Cigana
Gazeta Mercantil
Compartilhar:

Artigos relacionados