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Não foi surpresa o fechamento das usinas da Ecodiesel

Não foi por assim dizer uma surpresa o anúncio do fechamento da fábrica da Brasil Ecodiesel em Crateús (CE).
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Não foi por assim dizer uma surpresa o anúncio do fechamento da fábrica da Brasil Ecodiesel em Crateús (CE).

Não foi por assim dizer uma surpresa o anúncio do fechamento da fábrica da Brasil Ecodiesel em Crateús (CE). Além da unidade cearense, a empresa também decidiu desativar a unidade de Floriano (PI). O motivo alegado foi a "dificuldade logística incontornável" para obter matéria-prima. Por limitações logísticas entenda-se a distância das unidades dos grandes centros consumidores e limitação do transporte ao modal rodoviário. Ficou sem gás para ganhar competitividade nos leilões promovidos pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). No fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) - a empresa é listada na Bovespa - a empresa jura que vai tentar realocar funcionários em Iraquara (BA), Itaqui (MA) e Porto Nacional (TO).

A Coluna foi ouvir o consultor Bruno Iughetti sobre o caso. Para ele, o projeto Biodiesel é marcado pela imprudência desde a sua gênese. "Já foi lançado de modo imprudente". Para ele, não houve análise adequada. Sobrou paixão e política. Faltou atentar para aspectos básicos como a matéria-prima.

Em verdade, o projeto teve forte conotação social, mas sempre deixou no ar uma fumaça de insegurança quanto à sustentabilidade. "O caso da Brasil Ecodiesel se assemelha a outras pelo Brasil que acreditaram no deslanche do programa, mas que penaram pela inexperiência na logística do combustível". A aposta no biodiesel a partir da mamona esbarra na baixa disponibilidade da matéria-prima. A empresa que agora dá adeus à Crateús investiu pensando em usar 100% da mamona. Não conseguiu. Para completar, ainda enfrentou a concorrência de competidores locais.

O EXEMPLO DO PROÁLCOOL
O engasgo no motor do biodiesel faz lembrar a primeira fase do Proálcool, ainda nos anos 1970. O programa se tornou e é um sucesso hoje, mas penou bastante no começo. Bruno lembra bem dos primórdios. O programa foi tratado como grande revolução nacional, de Norte a Sul do País. Todavia, esbarrou na falta do álcool. Grandes usinas financiadas pela Viúva quebraram. Lembram das dívidas gigantes dos usineiros de Alagoas? Acabaram perdoadas. Para Bruno, o caso do Proálcool deveria ter servido de lição para o biodiesel.

Em tempo: as unidades projetadas para moer oleaginosas como a mamona, trabalham hoje muito com soja. Boa parte comprada de Tocantins.

Jocélio Leal - O Povo - CE
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