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Ministério da agricultura autoriza novo uso para a glicerina

Decisão do governo federal abre caminho e um importante mercado para o aproveitamento do excedente de glicerina gerado no processo de fabricação do biodiesel.
BiodieselBR.com 4 min de leitura
Decisão do governo federal abre caminho e um importante mercado para o aproveitamento do excedente de glicerina gerado no processo de fabricação do biodiesel.

Decisão do governo federal abre caminho e um importante mercado para o aproveitamento do excedente de glicerina gerado no processo de fabricação do biodiesel. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) autorizou o uso do produto como insumo para alimentação animal e estabeleceu um padrão mínimo de qualidade (veja tabela abaixo).

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa),  por meio da resolução 386/1999,  já colocava o glicerol como umectante na lista de aditivos permitidos para a alimentação humana e animal. Porém, não havia critérios de conformidade e de qualidade para a glicerina destinada a este fim, nem a obrigação de registro prévio do produto.

As glicerinas bruta e loira, que saem das usinas com até 80% de glicerol, possuem grande quantidade de calorias devido ao alto teor de ácidos graxos. Por essa razão, elas podem ser fonte nutricional economicamente viável e substituir ingredientes energéticos como o milho.

Cerca de 10% de todo biodiesel processado resulta em glicerina. Há tempos pesquisadores de todo país vêm tentando encontrar novas aplicações que dê um destino para as 200 mil toneladas de glicerina geradas por ano pela indústria de biodiesel.

Todo esse excedente seria rapidamente absorvido pelo gigante mercado de nutrição animal. De acordo com o Sindirações, no ano passado a produção brasileira foi de 61 milhões de toneladas de ração. Para este ano a previsão é de 62 milhões de toneladas, consumidas principalmente por frangos e suínos. Se todo o volume gerado pelas usinas de biodiesel fosse destinado à alimentação animal, a adição seria de apenas 0,3% no total de rações, ou então 0,7% na alimentação de frangos ou 1,2% de suínos. Segundo os especialistas, a glicerina pode ser adicionada de forma segura em até 10% na dieta de ruminantes e não-ruminantes.    

Limitações
De acordo com Bruno Paule, fiscal federal agropecuário do Departamento de Fiscalização dos Insumos Pecuários do Mapa, existem algumas limitações para o uso da glicerina na ração. Uma é de ordem econômica. O preço da glicerina precisa ser competitivo em relação ao preço da soja e do milho, seu principal concorrente. Outra preocupação é de ordem tecnológica. Como a glicerina é líquida e a ração é seca, há um limite de adição para poder preservar a qualidade do pellet. Também há limitações zootécnicas: teores de sódio, de umidade e de contaminantes, como metanol, precisam ser monitorados para não prejudicar a saúde do animal.

Segundo Paule, a empresa interessada em utilizar o ingrediente na ração, deverá registrar o produto nas superintendências estaduais do Mapa. Mas, por enquanto, todos os pedidos serão encaminhados para Brasília, pois o governo quer avaliar melhor o modo de produção da glicerina em análise, principalmente em relação à matéria-prima utilizada na fabricação do biodiesel. Estão sendo barradas para nutrição animal as glicerinas provenientes do sebo bovino, de pinhão-manso e de mamona. Isso porque não há pesquisas suficientes sobre seus efeitos na saúde dos animais. O problema das duas oleaginosas é a toxidade, já o sebo bovino, a princípio, não seria indicado para ruminantes.

Pinhão-manso e mamona não chegam a preocupar porque quase nem aparecem nas estatísticas de produção do biodiesel, já o sebo bovino tem uma participação média de 16%. “Precisamos estabelecer níveis de qualidade maior em relação à glicerina de sebo, porque o uso de proteína animal na alimentação de ruminantes foi a causa da doença da vaca louca”, diz Paule. O fiscal informa que o governo está aguardando um parecer mais detalhado com a avaliação de risco do Departamento de Sanidade Animal para liberar ou não a glicerina produzida com essas fontes.

Padrão mínimo de qualidade da glicerina para alimentação animal

Composto

Limite

Valor

Unidade

Glicerol

Valor mínimo

800

g/kg

Umidade

Valor máximo

130

g/kg

Metanol

Valor máximo

150

mg/kg

Sódio

Valor mínimo

Será garantido pelo fabricante e pode variar em função do processo produtivo

g/kg

Matéria mineral

Valor máximo

Será garantido pelo fabricante e pode variar em função do processo produtivo

g/kg


Fonte: Departamento de Fiscalização dos Insumos Pecuários (Mapa)

Alice Duarte – BiodieselBR.com
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