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Marinha dos EUA paga US$ 112 por litro de biodiesel de algas

Órgão de estudos políticos questiona custo-benefício de aposta dos militares em alternativas verdes
BiodieselBR.com 4 min de leitura
Órgão de estudos políticos questiona custo-benefício de aposta dos militares em alternativas verdes

Há muito que as Forças Armadas americanas desejam se ver livres da dependência de petróleo estrangeiro e adotar fontes alternativas, como biocombustíveis produzidos no próprio país. Em outubro, a Marinha americana anunciou a compra de 20.055 galões (76 mil litros) de biocombustível de algas, a um custo de US$ 424/galão (US$ 112/litro), para abastecer seus navios.

A Rand Corporation, importante think-tank americano (instituto dedicado ao debate de ideias e à discussão de políticas públicas e privadas), por meio de seu Instituto de Pesquisa em Defesa Nacional, posicionou-se sobre o programa de biocombustíveis da Marinha, divulgando um relatório em que critica a rapidez com que a instituição espera empregar a tecnologia. 

James Bartis, pesquisador de políticas sênior da Rand Corp, foi o autor do documento. Segundo o relatório, “o Departamento de Defesa consome mais combustível que qualquer outra agência federal, mas a demanda militar por combustível é apenas uma diminuta fração da demanda civil, e é a demanda civil que conduz a competição, a inovação e a produção”.

O governo federal consome 2% do total do orçamento de combustíveis do país. O Departamento de Defesa é responsável por 80% desse consumo.

O relatório refere-se a vários dos biocombustíveis que a Marinha considera de maior potencial, como por exemplo o de algas. “[O combustível de algas é um] tópico de pesquisa, e não uma nova opção que os militares possam usar em suas operações”, diz o relatório.

O documento também critica o uso de óleo de camelina. O óleo vem da Camelina sativa, espécie que produz sementes oleaginosas. As vantagens são que a planta cresce rapidamente e pode ocupar áreas de terra marginais, que não poderiam ser empregadas para o cultivo de gêneros alimentares. No mês passado, a Marinha fez um voo experimental com um jato F/A-18 utilizando este biocombustível, e o resultado foi satisfatório. Ainda assim, o relatório alega que este é um esforço inútil e que a Marinha deveria parar de despejar dinheiro nele.

Tom Hicks, secretário adjunto de energia da Marinha americana, reagiu convocando repórteres para uma coletiva. Nela, definiu o relatório como “factualmente impreciso” e “um retrato distorcido” do cenário atual da indústria de biocombustíveis. Ele reiterou sua certeza (e a da Marinha) de que a indústria de biocombustíveis chegará a um estágio de maturidade entre 2012 e 2016. Presumivelmente, tal maturidade se traduziria em produção estável e custos mais baixos.

Hicks aponta que as Forças Armadas são um dos maiores consumidores individuais de combustível depois das empresas aéreas, e que estas não têm os recursos nem a preocupação em impulsionar os biocombustíveis. “Nós acreditamos que a nossa abordagem em relação às energias atraentes – e especificamente aos biocombustíveis – é a correta”, diz ele.

Hicks rejeitou patentemente que o documento divulgado pelo instituto possa vir a ter qualquer efeito sobre os planos da Marinha.

Ele tem o apoio do secretário da Marinha, Ray Mabus, que afirmou que até 2016 uma “frota verde”, movida somente a combustíveis alternativos, já estará em alto-mar, e que, até 2020, metade do combustível utilizado pela Marinha será proveniente de biocombustíveis. Em texto publicado em blog, Mabus destacou como um importante marco certos testes realizados recentemente, que demonstraram uma performance em pé de igualdade entre biocombustíveis e seus equivalentes fósseis. “Igualmente importante”, escreve ele, “nenhuma dessas fontes gera impacto nas safras alimentares, sua produção emite pouco carbono e seu custo vem caindo rapidamente”.

Uma coisa que a Marinha não diz explicitamente é que o programa de biocombustíveis talvez não tenha tanto a ver com seu aspecto ambiental, mas principalmente com a meta de evitar riscos de segurança. O risco, no caso, é a dependência de um combustível proveniente de nações instáveis como as do Oriente Médio e a Venezuela – que expressam hostilidade aos EUA ou abrigam facções hostis aos interesses americanos. O relatório da Rand ignorou esse aspecto quase por completo. Afinal, se a Força Aérea está disposta a gastar bilhões em um único bombardeiro com tecnologia stealth, será que US$ 424 por galão é assim um custo tão alto para assegurar o suprimento de combustível da Marinha?

Jason Mick
Fonte; Daily Tech
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