BiodieselBR
Publicidade

Gerador movido à glicerina pode chegar este ano ao Brasil

A tecnologia irá permitir que produtores de biodiesel gerem sua própria energia elétrica, reduzindo os gastos com combustíveis
BiodieselBR.com 3 min de leitura
A tecnologia irá permitir que produtores de biodiesel gerem sua própria energia elétrica, reduzindo os gastos com combustíveis

A nova tecnologia que promete substituir o diesel em geradores CHP (Combined Heat and Power) por glicerina pode chegar ainda este ano ao Brasil. A companhia inglesa Aquafuel Research Limited, que desenvolveu a tecnologia, já está em negociação com empresas brasileiras interessadas nessa nova solução para o grande excedente de glicerina gerado pelas usinas de biodiesel. “Estamos negociando com sócios potenciais do Brasil. Esperamos que a tecnologia seja introduzida este ano, com várias usinas operando com ela já em 2010”, disse o diretor executivo da Aquafuel, Paul Day, em entrevista ao portal BiodieselBR.com. 

A tecnologia, que teve seu lançamento comercial no início de dezembro, irá permitir que produtores de biodiesel gerem sua própria energia elétrica, reduzindo os gastos com combustíveis fósseis e aproximando o segmento da auto-suficiência energética. “A tecnologia pode ser aplicada em geradores de diesel, caldeiras de calor residual e equipamentos de destilação de glicerina convencionais”, diz o diretor.  As pesquisas tiveram início há mais de dois anos, em cooperação com a Greenergy, que opera uma grande usina de biodiesel no Reino Unido. “O gerador, portanto, foi projetado desde o início para usar glicerina da produção de biodiesel”, diz o diretor. 

A glicerina tem um valor calorífico mais baixo que o diesel ou biodiesel. Seu consumo nos geradores ficará em torno de 57 quilos por megawatt-hora ou 0,57 quilo por quilowatt-hora, informa Day. Segundo ele, testes demonstraram que a combustão da glicerina é notavelmente tolerante à água, impurezas orgânicas e metanol. “É possível usar glicerina crua, desde que sejam removidos os sais inorgânicos (catalisadores de biodiesel). Isto é obtido por destilação, usando equipamentos pronta entrega convencionais. A vantagem é que o calor requerido para destilação seria combinado ao calor e à energia de combustão da glicerina, sem nenhum custo para a usina”, diz.

A tecnologia é patenteada e será licenciada pela Aquafuel, que também dará consultorias no desenvolvimento e integração de plantas CHP para seus clientes.
Segundo Day, há um custo inicial para a instalação dos equipamentos, mas estes estão alinhados com os custos dos geradores de diesel convencionais. “O custo global depende do tamanho da planta, onde é situada, e de como o calor e a energia são usados. O motor glicerina CHP pode prover toda a eletricidade necessária para produção de biodiesel, e ainda gerar excesso para vender. O tempo do reembolso do investimento é atrativo”. 

A glicerina é um subproduto abundante na produção de biodiesel. Com o B3 (mistura de 3% de biodiesel no diesel mineral), as usinas produzem por ano um excedente de 155,6 milhões de litros do produto (para cada nove litros de biodiesel, um litro de glicerina é gerado). E, por enquanto, não há mercado suficiente para essa produção.

Alice Duarte - BiodieselBR.com
Compartilhar:

Artigos relacionados