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Esquenta a corrida pelo biodiesel de alga

Um número cada vez maior de novas empresas está deixando de apostar nas culturas tradicionais e inevstindo no cultivo de algas. Mas as dificuldades ainda levantam dúvidas sobre esta aposta
BiodieselBR.com 5 min de leitura

Um número cada vez maior de novas empresas está deixando de apostar nas culturas tradicionais e investindo no cultivo de algas. Mas as dificuldades ainda levantam dúvidas sobre esta aposta.

Pode a humilde alga apaziguar o crescente debate comida versus combustível?

Pode a humilde alga apaziguar o crescente debate comida versus combustível?

Um número cada vez maior de novas empresas está deixando de apostar nas culturas tradicionais (milho e soja) e se esquivando da reação adversa aos biocombustíveis, que vêm sendo parcialmente responsabilizados pelo aumento nos desmatamentos e nos preços dos alimentos ao redor do mundo.

A PetroAlgae, sediada em Melbourne, no Estado americano da Flórida, anunciou que deverá testar um método comercial de cultivo de alga já no ano que vem.

A empresa adquiriu a licença sobre algumas variedades de alga de água doce criadas pela Universidade Estadual do Arizona e está desenvolvendo biorreatores e pesquisando métodos de cultivo de alga em larga escala, segundo Fred Tennant, vice-presidente de desenvolvimento de negócios da companhia.

A alga cultivada em fazendas abertas pode ser transformada em óleo para refino de biodiesel e o material remanescente pode ser vendido como alimentação animal com alto teor de proteína, diz Tennant.

Como a alga precisa de uma fonte de carbono para se multiplicar, a PetroAlgae planeja se associar a usinas de energia elétrica buscando reduzir suas emissões de carbono.

“As leis que estão sendo debatidas agora vão mudar a história das companhias energéticas. Elas vão precisar gerar mais energia renovável e se livrar do CO2”, diz Tennant. “Toda companhia de eletricidade no mundo vai se sentir grata em nos pagar para que eliminemos o CO2.”

Há muitas outras empresas seguindo um caminho semelhante ao da PetroAlgae.

A GreenFuels Technologies iniciou um programa plurianual com a Arizona Public Service (companhia elétrica americana) para cultivar alga e está perto de fechar uma grande parceria para produção de biodiesel de alga na Europa.

Já a Solazyme está recorrendo à técnica de fermentação, em vez de fotossíntese, para produzir um óleo de alga que pode ser empregado para diferentes fins, de óleo para alimentação a combustível de aviões a jato.  

Outra empresa, a LiveFuels, tem como meta produzir 378 milhões de litros a partir de 2010 através de manipulação genética.

Esperança verde para o biocombustível
Todas essas empresas estão se voltando para a alga devido ao seu promissor potencial como combustível: trata-se de uma cultura não voltada para produção de comida, que remove grande quantidade de dióxido de carbono do ar e que multiplica-se rapidamente.

A alga possui uma densidade energética relativamente alta quando comparada à da soja, o que significa que mais soja deve ser plantada em uma área de terreno maior para produzir a mesma quantidade de combustível.

“Dá-se cada vez mais atenção ao debate comida versus combustível e ao preço da matéria-prima, assim como há uma maior compreensão de que o uso de uma cultura agrícola para produzir combustível não é sustentável”, diz Michael Weaver, CEO e co-fundador da Bionavitas, usina de alga em fase de implantação na região de Seattle. “Estamos vendo um reflexo disso no mercado.”

Da mesma forma, muitas empresas de biocombustível estão tentando desenvolver métodos para extrair etanol de aparas de madeira, gramíneas e resíduos agrícolas, em vez de milho.

Mas apesar de todas as promessas da alga, a tecnologia para produzir combustível dessa fonte ainda se encontra em fase experimental. E o maior desafio de qualquer usina de biodiesel é custo, dizem executivos da área.

“Qualquer um pode cultivar alga se não houver objeção a custos. Muitas usinas de alga fizeram um excelente trabalho, mas o sistema empregado não parece aplicável para produção em grande escala”, diz Tennant, da PetroAlgae.

As fazendas da PetroAlgae precisarão estar localizadas em regiões quentes e ensolaradas para acelerar o processo de secagem; as variedades de micro-algas usadas pela empresa são 98% água.

Segundo Tennant, a empresa deve instalar suas fazendas em áreas de 0,5 a 4 hectares, em locais que produzam grandes quantidades de dióxido de carbono.

Dores de cabeça
Como acontece com a maioria das novas tecnologias, os pioneiros das usinas de alga tiveram seus contratempos. No teste-piloto de sua usina no Arizona, a GreenFuel Technologies descobriu que seus biorreatores produziram alga demais e que o custo de colhê-las era muito alto.

A alga precisa ainda de uma grande quantidade de água para crescer, o que exige que os produtores reciclem essa água e encontrem um local adequado para o cultivo.

Outro problema técnico é que os biorreatores tradicionais – em forma de tubos ou sacos plásticos – acabam atingindo um limite em relação à quantidade de luz que deixam passar, diz Weavor, da Bionavitas, que está desenvolvendo técnicas e equipamentos para lidar com o problema do "auto sombreamento".  

“Se você tem uma série de tubos ou sacos plásticos no chão do deserto ou em qualquer outro lugar, você ainda será limitado pela quantidade de fótons que conseguem penetrar a superfície para criar mais algas. Assim que a alga começa a se tornar um pouco densa, ela passa a bloquear sua própria luz", disse ele.

O aumento do preço da soja tradicional, que é hoje a principal fonte de biodiesel, está ajudando a estimular as pesquisas sobre o uso de algas. O preço do óleo de soja mais que dobrou nos últimos dois anos, levando algumas usinas a encerrar suas operações.

Enquanto isso, há muitos palpites sobre quando o cultivo de alga deve começar a progredir comercialmente.

“Há uma grande quantidade de opiniões divergentes sobre quando a cultura estará disponível comercialmente, se daqui a dois ou mais anos", diz um representante do Conselho Nacional de Biodiesel (NBB) dos EUA.

Martin LaMonica
Fonte: Cnet News.com

Tradução e adaptação: Fausto Tiemann - BiodieselBR.com
Tags Algas
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