Duas empresas norte-americanas querem usar emissões para cultivar algas e produzir combustível
Duas empresas norte-americanas querem usar emissões para cultivar algas e produzir combustível
Em um equivalente energético de se transformar uma orelha de porco em uma bolsa de seda – por sinal, bastante ecológica – a Portland General Electric (PGE) está testando formas de usar os poluentes de sua termelétrica a carvão em Boardman (Oregon, EUA) para cultivar algas e produzir biocombustível.
A PGE e a Energy Partners, empresa que pesquisa soluções em energia renovável, anunciaram na última quinta-feira o início de um projeto piloto baseado em algas na usina de Boardman, distrito de Morrow.
O experimento canaliza parte das emissões de CO2 da usina, usando-as na alimentação de seis recipientes de alga repousados sobre um caminhão-plataforma.
Durante a fotossíntese, as algas rapidamente consomem o CO2 e liberam oxigênio para o ar. Das algas maduras, é extraído óleo, usado para produzir um biodiesel de queima limpa.
O resíduo – uma substância viscosa com alto teor de amido – é transformado em etanol (o álcool usado em veículos) e ração para gado.
“É uma oportunidade para realmente fazermos uma grande diferença”, diz Steve Corson, porta-voz da PGE.
Ele enfatizou, no entanto, que o projeto piloto é “pequenino”, e mais testes precisam ser conduzidos antes de determinar se uma planta de grande capacidade é exeqüível.
A usina de Boardman, com capacidade para 600 megawatts, fica a cerca de 240 quilômetros de Portland, capital de Oregon (EUA), e é a única termelétrica a carvão do Estado. Ela gera cerca de um quinto de toda a eletricidade provida pela PGE e é a maior fonte estacionária de CO2, gás que contribui para o aquecimento climático, da região.
A usina foi alvo de protestos não apenas devido a suas emissões de CO2, como também de poluentes causadores de névoa seca (fenômeno que acontece quando há condensação de vapor d’água em associação com poeira, fumaça e outros poluentes, dando aspecto acinzentado ao ar), como dióxido de enxofre e óxidos nítricos. Um estudo publicado no começo deste ano concluiu que a usina é responsável por mais da metade da névoa seca gerada na parte leste do cânion do rio Columbia, no inverno.
Jon Norling, vice-presidente da Columbia Energy, disse que ele já havia consultado a PGE há mais de dois anos sobre a idéia de usar as emissões de CO2 da usina para cultivar algas. Norling, dono da Portland Biodiesel, afirmou que percebeu bastante cedo o potencial das algas como matéria-prima aproveitável para a produção de biodiesel.
A atração das algas pelo CO2 é natural, segundo Norling. “Elas precisam do gás carbônico. Elas, de fato, gostam do gás carbônico.”
O projeto piloto não vai causar grandes impactos nas emissões de CO2 em Boardman, que são na ordem de 5 milhões de toneladas por ano. Mas uma usina em escala total – que não será possível em menos de dois anos e meio – poderia usar até 60% das emissões durante as horas de luminosidade e produzir 75 milhões de litros de biodiesel por ano, segundo Norling.
A parceria entre a PGE e a Columbia Energy envolve apenas o projeto experimental, embora uma união de maior prazo possa ser acordada.
As algas são consideradas uma promissora matéria-prima para a produção de biocombustíveis, mas continuam em estágio de desenvolvimento tecnológico. Não há usinas comerciais operando nos Estados Unidos.
No momento, a soja é a cultura mais usada para produzir biodiesel. Um hectare de soja pode produzir 470 litros de biodiesel, segundo Corson. Já um tanque de algas ocupando a mesma área pode produzir 7500 litros – ou mais, de acordo com alguns estudos.
Gail Kinsey Hill
Oregon Live
Tradução e adaptação BiodieselBR.com
Duas empresas norte-americanas querem usar emissões para cultivar algas e produzir combustível
Em um equivalente energético de se transformar uma orelha de porco em uma bolsa de seda – por sinal, bastante ecológica – a Portland General Electric (PGE) está testando formas de usar os poluentes de sua termelétrica a carvão em Boardman (Oregon, EUA) para cultivar algas e produzir biocombustível.
A PGE e a Energy Partners, empresa que pesquisa soluções em energia renovável, anunciaram na última quinta-feira o início de um projeto piloto baseado em algas na usina de Boardman, distrito de Morrow.
O experimento canaliza parte das emissões de CO2 da usina, usando-as na alimentação de seis recipientes de alga repousados sobre um caminhão-plataforma.
Durante a fotossíntese, as algas rapidamente consomem o CO2 e liberam oxigênio para o ar. Das algas maduras, é extraído óleo, usado para produzir um biodiesel de queima limpa.
O resíduo – uma substância viscosa com alto teor de amido – é transformado em etanol (o álcool usado em veículos) e ração para gado.
“É uma oportunidade para realmente fazermos uma grande diferença”, diz Steve Corson, porta-voz da PGE.
Ele enfatizou, no entanto, que o projeto piloto é “pequenino”, e mais testes precisam ser conduzidos antes de determinar se uma planta de grande capacidade é exeqüível.
A usina de Boardman, com capacidade para 600 megawatts, fica a cerca de 240 quilômetros de Portland, capital de Oregon (EUA), e é a única termelétrica a carvão do Estado. Ela gera cerca de um quinto de toda a eletricidade provida pela PGE e é a maior fonte estacionária de CO2, gás que contribui para o aquecimento climático, da região.
A usina foi alvo de protestos não apenas devido a suas emissões de CO2, como também de poluentes causadores de névoa seca (fenômeno que acontece quando há condensação de vapor d’água em associação com poeira, fumaça e outros poluentes, dando aspecto acinzentado ao ar), como dióxido de enxofre e óxidos nítricos. Um estudo publicado no começo deste ano concluiu que a usina é responsável por mais da metade da névoa seca gerada na parte leste do cânion do rio Columbia, no inverno.
Jon Norling, vice-presidente da Columbia Energy, disse que ele já havia consultado a PGE há mais de dois anos sobre a idéia de usar as emissões de CO2 da usina para cultivar algas. Norling, dono da Portland Biodiesel, afirmou que percebeu bastante cedo o potencial das algas como matéria-prima aproveitável para a produção de biodiesel.
A atração das algas pelo CO2 é natural, segundo Norling. “Elas precisam do gás carbônico. Elas, de fato, gostam do gás carbônico.”
O projeto piloto não vai causar grandes impactos nas emissões de CO2 em Boardman, que são na ordem de 5 milhões de toneladas por ano. Mas uma usina em escala total – que não será possível em menos de dois anos e meio – poderia usar até 60% das emissões durante as horas de luminosidade e produzir 75 milhões de litros de biodiesel por ano, segundo Norling.
A parceria entre a PGE e a Columbia Energy envolve apenas o projeto experimental, embora uma união de maior prazo possa ser acordada.
As algas são consideradas uma promissora matéria-prima para a produção de biocombustíveis, mas continuam em estágio de desenvolvimento tecnológico. Não há usinas comerciais operando nos Estados Unidos.
No momento, a soja é a cultura mais usada para produzir biodiesel. Um hectare de soja pode produzir 470 litros de biodiesel, segundo Corson. Já um tanque de algas ocupando a mesma área pode produzir 7500 litros – ou mais, de acordo com alguns estudos.
Gail Kinsey Hill
Oregon Live
Tradução e adaptação BiodieselBR.com
Tags
Algas