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Desvalorização do dólar põe mercado da soja em alerta

A queda do preço do dólar frente ao real, que já acumula 5,05% de desvalorização desde o início do ano, está movimentando o mercado de soja no país.
BiodieselBR.com 3 min de leitura
A queda do preço do dólar frente ao real, que já acumula 5,05% de desvalorização desde o início do ano, está movimentando o mercado de soja no país.

A queda do preço do dólar frente ao real, que já acumula 5,05% de desvalorização desde o início do ano, está movimentando o mercado de soja no país. A valorização da moeda brasileira prejudica as exportações, uma vez que aumenta o valor dos produtos brasileiros no mercado internacional. No entanto, segundo o pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Universidade de São Paulo, Lucílio Rogerio Alves, “atualmente observam-se acréscimos dos preços internacionais em intensidade maior que queda da taxa de câmbio, dando sustentação aos preços no mercado interno”. “Caso os preços internacionais permaneçam estáveis, a valorização do real em relação ao dólar tende a diminuir a paridade de exportação e, conseqüentemente, pressionar os preços domésticos”, avalia.

Por enquanto, a queda do dólar não interferiu na negociação da soja brasileira no mercado internacional. Mas para Alves, a situação tem ajudado a valorizar o produto no mercado nacional. “Principalmente para o óleo de soja, os preços domésticos e internacionais já voltaram aos níveis de meados de 2008, níveis de preços acima da média histórica. No geral, agentes estão aproveitando os bons patamares para comercializar o produto antecipadamente – negociando agora para entregar o produto em 2011 –, cujo ritmo de negócios esta acima do observado em 2009”, explica.

Para o consultor Rafael Ribeiro de Lima, da Scot Consultoria, o problema é que não há previsão de que o problema do câmbio seja estabilizado no curto prazo. “Até o final da eleição essa questão deve ficar indefinida”, aposta. A notícia é boa para quem vende, mas má para quem está comprando soja e derivados, como o óleo, caso da indústria de biodiesel brasileira.

Alves afirma que a situação cambial não deve promover um aumento da oferta do grão de soja no mercado nacional. “Dados da Conab apontam que na safra 2010/11 o Brasil produzirá por volta de 68,3 milhões de toneladas e seu consumo interno será de pouco mais de 37 milhões de toneladas. Desta forma, a única opção é a venda do excedente ao mercado externo. Não há capacidade instalada para processamento de toda a soja no mercado interno e nem mercado que demande todo o farelo e óleo caso seja processado internamente.  Por outro lado,  a soja brasileira é fundamental para atender a demanda de vários  países”, explica.

Já no caso do óleo a situação é diferente. “Quanto ao óleo, o que está se observando nos últimos anos é sim um redirecionamento de parte do produto que era exportado para a comercialização interna. Neste caso, a motivação são os maiores preços obtidos com a venda interna do que para exportação, favorecidos por um mercado cativo de biodiesel, com preços acima do mercado devido à intervenção da Agência Nacional do Petróleo e Biocombustíveis (ANP)”, avalia.

Segundo Alves, na safra 2004/05, o Brasil produziu 5,7 milhões de toneladas de óleo de soja, dos quais pouco mais de três milhões eram consumidos internamente. Já na safra 2009/10 a produção de óleo foi de 6,5 milhões de toneladas, e cinco milhões foram consumidos internamente.

Rosiane Correia de Freitas - BiodieselBR.com
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