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O destino da glicerina proveniente das usinas de biodiesel

Conheça os dois principais destinos dado pelas usinas de biodiesel para a glicerina e o preço pago na exportação deste sub-produto
BiodieselBR.com 4 min de leitura
Conheça os dois principais destinos dado pelas usinas de biodiesel para a glicerina e o preço pago na exportação deste sub-produto

Na falta de mercados consumidores mais rentáveis, a queima e a exportação têm sido os dois principais destinos da glicerina, considerada ainda um sub-produto da fabricação de biodiesel.

Segundo a Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP), as usinas produziram em 2009 um total de 171,82 milhões de litros do produto. A maioria desse excedente é destinada à exportação. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior mostram que no ano passado 101,16 mil toneladas de glicerina bruta passaram pelos portos brasileiros rumo ao exterior. O preço médio por tonelada foi de U$S 119 (FOB), totalizando U$S 12 milhões. Só a China foi responsável pela importação de 88,61 mil toneladas do produto.

Ao invés de exportar, algumas usinas de biodiesel do Centro-Oeste – região que mais gerou glicerina no ano passado, com 68,73 milhões de litros – estão preferindo vender o sub-produto para olarias e cerâmicas, que queimam nos fornos em substituição à lenha. É o caso de uma grande usina da região, que acabou desistindo de exportar pela facilidade de escoar o produto localmente. “No final, se você soma custos de transporte até o porto de Santos, mais despesas portuárias e frete até a China, não compensa”, diz um produtor de biodiesel que preferiu não ser identificado.

Oficialmente, usinas e olarias não admitem a transação. Na prática, a queima do produto não pode ser feita sem autorização prévia das Secretarias de Estado de Meio Ambiente. Isso porque, dependendo da maneira como o glicerol é queimado, ele pode liberar substâncias tóxicas e até cancerígenas, como formaldeídos e acroleína. Usada como bactericida e em armas químicas, a acroleína pode provocar danos ambientais severos. Sua inalação causa irritação nas vias respiratórias, náuseas, vômitos, úlceras gástricas e pode até levar a morte. 

Miguel Pedro Lorena de Moraes, vice-presidente do Conselho Regional de Química do Mato Grosso e doutor em Química pela Universidade de São Paulo (USP), explica que é possível evitar a emissão deste composto tóxico monitorando a temperatura de queima. “Acima de 250ºC a queima da glicerina não libera a acroleína. Portanto o forno precisa atingir essa temperatura com lenha. A glicerina é injetada depois”, explica.

No Estado de Mato Grosso apenas a Cerâmica Poconé, localizada no município de mesmo nome, foi autorizada pela Secretaria de Meio Ambiente (Sema) a queimar o produto em fornos. Como a aplicação é nova, ainda não há legislação específica. Por conta do perigo da acroleína, a Coordenadoria de Avaliação de Impacto Ambiental, da Sema, se baseou na Normativa n. 348/90 e na Resolução n. 003/90 do Conselho Nacional Do Meio Ambiente (Conama), que estabeleceu os poluentes atmosféricos passíveis de monitoramento e controle no país.

Para autorizar a queima, a secretaria exigiu testes comparativos de queima com a glicerina e com a lenha, além de laudos técnicos trimestrais de emissões, assinados por um engenheiro químico responsável. Segundo a coordenadoria, os testes enviados pela cerâmica autorizada mostraram que a queima de glicerol tem menos emissões de poluentes que a lenha.

Mesmo com vantagens para as usinas e para o meio ambiente, a queima ainda esbarra na legislação. Por causa das dificuldades em obter a licença ambiental em Mato Grosso do Sul, a cerâmica Trevo teve que abandonar os planos de substituir a lenha por glicerina. A empresa iniciou testes com o produto em julho de 2009 e com o apoio da consultoria Carbono Social Serviços Ambientais, montou um projeto para gerar créditos de carbono com a iniciativa. “A glicerina é boa, funciona. Mas o governo pediu um calhamaço de exigências, tínhamos que contratar um laboratório e não temos como custear tudo sozinhos”, diz Janes Araújo, proprietário da cerâmica. “Esse consumo é de interesse das usinas de biodiesel. Para elas é um ótimo negócio. São elas que precisam especificar e licenciar o produto”, diz.

A produção de biodiesel este ano deve ficar em torno de 2,5 bilhões de litros, gerando em torno de 267 milhões de litros de glicerina. Quem produz parte deste excedente vê com otimismo a queima do produto. “Mais cedo ou mais tarde essa aplicação virá para o mercado. Outras empresas que utilizam fornos ou caldeiras grandes, como fabricantes de cimento, deverão utilizar a glicerina”, diz o produtor de biodiesel. 

Alice Duarte – BiodieselBR.com
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