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Denílson Ferreira: caminho é fortalecer as cadeias produtivas de alternativas

Denilson Ferreira, coordenador-geral de Agroenergia do Ministério da Agricultura, disse que no longo prazo o papel da soja no setor de biodiesel não deve mudar, mas é possível aumentar a disponibilidade de outros óleos.
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Denilson Ferreira, coordenador-geral de Agroenergia do Ministério da Agricultura, disse que no longo prazo o papel da soja no setor de biodiesel não deve mudar, mas é possível aumentar a disponibilidade de outros óleos.

Num cenário em que a soja deverá se manter como a principal matéria-prima do biodiesel, a solução é garantir que as cadeias produtivas de outras oleaginosas já estabelecidas no país possam crescer e se consolidar. Segundo Denilson Ferreira, coordenador-geral de Agroenergia do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), no longo prazo o papel da soja no setor de biodiesel não deve mudar, mas é possível aumentar a disponibilidade de outros óleos. O investimento na cadeia poderá fortalecer todo o ciclo de disponibilidade dos óleos, afirmou. “A própria soja passou por esse fortalecimento com o biodiesel. Antes do programa se falava do óleo como sub-produto. Agora já há quem fale em co-produto”, apontou.

O desafio, destacou, é fazer o mesmo com outras matérias-primas como o algodão, a canola, o sebo e o dendê. “Temos que mudar essa terminologia da dependência (do programa de biodiesel) da soja. Temos que deixar de olhar isso sob a ótica da quantidade do biodiesel produzido e ver o aumento da oferta de óleos”, complementou. Ferreira defendeu que o investimento do governo agora deverá se concentrar nas cadeias já estabelecidas para que elas possam competir com as cadeias já consolidadas e na pesquisa para o desenvolvimento de novas matérias-primas.

“A lógica é a de investimento naquelas oleaginosas cuja tecnologia já dominamos”, afirmou. Como exemplo, Ferreira citou o dendê, que é alvo de um programa de estímulo do governo. “O dendê está sendo pensado dentro dessa idéia da cadeia, para atender não só o mercado de biodiesel, mas uma demanda mundial no mercado de produtos alimentícios, cosméticos e outros usos”, disse.

Um dos principais investimentos do programa de dendê, destacou, está na regularização fundiária de 10.817 ocupações rurais. “Sem a legalização o produtor fica sem acesso ao crédito, sem acesso à assistência técnica”, apontou. O governo também reestruturou o crédito disponível para a cultura para contemplar agricultores familiares, produtores rurais e cooperativas. Além disso, o investimento em pesquisas resultou no lançamento de uma cultivar que é resistente ao amarelecimento fatal. “O Brasil trabalha agora para a expansão da infra-estrutura de fornecimento de sementes, que são, na sua maioria, importadas”, adiantou.

Ferreira elogiou a experiência da canola no Rio Grande do Sul, outra espécie com potencial de ampliação de produção de óleo.

O Ministério da Agricultura avalia que até 2020 o Brasil verá um crescimento expressivo na oferta de óleos. O algodão deverá ter sua produção expandida em 68,9%. Já a gordura de frango e o sebo bovino terão aumento de 49,4%. No mesmo período o aumento de produção da soja chegará a 50,6%.

Rosiane Correia de Freitas - BiodieselBR.com
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