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BSBios, a usina de biodiesel de Passo Fundo

A fábrica de biodiesel da BSBios será a segunda maior do país, atrás apenas da fábrica da ADM em Rondonópolis. Confira a seguir os detalhes desta fábrica, os impactos na região, a área onde está sendo construída, o fornecedor dos equipamentos industriais...
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A fábrica de biodiesel da BSBios será a segunda maior do país, atrás apenas da fábrica da ADM em Rondonópolis.

Confira a seguir os detalhes desta fábrica, os impactos na região, a área onde está sendo construída, o fornecedor dos equipamentos industriais...
A matéria a seguir aborda a implantação de um novo setor industrial, a produção de biodiesel, que vai diversificar a matriz produtiva do município e desencadear um círculo virtuoso com repercussão em toda a Região Norte do RS.

Dentro de aproximadamente oito meses, Passo Fundo estará inaugurando uma nova cadeia produtiva – em implantação também no País – a partir da entrada em operação da usina da BSBios. A indústria que fabricará biosiesel reúne um grupo de empresários do município e da região e deverá ser a primeira a operar na América Latina, apenas não será a maior porque foi anunciada a construção de uma outra com volume mais elevado de produção, a ADM, no Mato Grosso.

Antes mesmo da conclusão de sua planta, que está sendo construída em uma área de 30 hectares no distrito industrial de Passo Fundo, a BSBios já vendeu em leilão da Petrobrás 70 milhões de litros em um contrato para entrega em 2007. A usina deverá entrar em operação em abril do ano que vem e a sua capacidade total de produção será de 100 milhões de litros ao ano. “É uma conquista de todos nós, porque teremos uma energia renovável que depende tão somente do nosso trabalho. Vai gerar empregos e envolverá a agricultura familiar”, festeja o prefeito do município, Airton Dipp.

Segundo o diretor comercial da BSBios, Erasmo Batistel, a disposição da prefeitura foi fundamental para o empreendimento. “O prefeito não mediu esforços para assegurar o apoio necessário à instalação da usina”, assinala Batistel. Ele espera que ao incentivo municipal, em terreno, impostos, infra-estrutura, fornecimento de água e energia, some-se ainda a incentivos estaduais por meio do Fundopem, pois foi assinado protocolo com o governo do Estado e o projeto tramita no conselho do programa.

Plantando energia

Além de financiamento do BNDES no valor de R$ 33 milhões, a empresa já conta com incentivos federais – redução do PIS/Confins –, uma vez que se habilitou ao Selo Social. Este certificado foi criado pelo governo federal dentro do Programa Nacional do Biodiesel para estimular a estreante indústria a adquirir a matéria-prima – oleaginosas como o soja, a canola, a mamona – da agricultura familiar. A produção do setor vem sendo incentivada porque a partir de 2007 será obrigatória a adição de 2% de biodiesel no diesel de petróleo, que movimenta 70% da frota rodoviária do País, estimada em 2,1 milhões de veículos. Em 2013, o padrão obrigatório da mistura de biodiesel no diesel de petróleo sobe para 5%. Além da estratégia econômica, o objetivo desta providência é reduzir gradativamente a emissão de poluentes na atmosfera, particularmente o carbono.

De acordo com o empresário, a BSBios vai gerar 110 postos de trabalho diretos. “Mas a cadeia produtiva deverá representar muito mais do que isso, com a geração de empregos também no campo, por exemplo”, pondera Batistel. Sua expectativa é de comprar a produção de soja de cerca de 3 mil propriedades da agricultura familiar, uma vez que 51% da oleaginosa da região é cultivada neste perfil de propriedade rural. “Se cada família segurar um filho na propriedade teremos um bom retorno social”, enfatiza, acrescentando, porém, que o processo deverá incorporar ainda o agronegócio. Para ele, o biosiesel não é a salvação da lavoura, mas contribuirá para uma nova realidade no campo, com boas perspectivas de ajudar o setor a superar suas dificuldades com as sucessivas estiagens. “O agricultor que sempre plantou alimento, agora passará a plantar também energia”, acentua.

A abundância da matéria-prima e a logística favorável também influenciaram na decisão de localização da empresa no município. Passo Fundo está situado em um anel rodoviário (BR 153, BR 285 e BR 386) que facilita a distribuição do produto e ainda dispõe de um aeroporto com vôos diários para São Paulo e capacidade para operação de aeronaves de grande porte.

Empregos e subprodutos

 “A logística da BSBios é muito privilegiada, nós estamos ao lado de uma rede ferroviária e de um terminal de combustível. Num raio de 100 quilômetros, nós temos várias esmagadoras que vão nos fornecer o óleo bruto. Então, nós temos um fornecimento de matéria-prima muito farto e a saída do produto é algo muito favorável, beneficiada tanto pela malha rodoviária como pela ferroviária”, analisa Josseli Pedro Souza. Ele é o engenheiro responsável pela construção da planta industrial, cujos equipamentos estão sendo produzidos pela Intecnial e serão instalados a partir do mês que vem, como é o caso da montagem dos 12 tanques para o biocombustível.

A Intecnial é uma empresa de Erechim especializada em instalações industriais e está trabalhando em parceria com a empresa norte-americana Crown Iron Works, líder mundial na área de engenharia para o processamento de sementes e óleos vegetais. “A BSBios está gerando empregos não só em Passo Fundo, mas também em Erechim, Marau e outras cidades da região”, reconhece Souza, citando ainda empresas fornecedoras nas áreas de construção civil, estaqueamento, cercamento, grama de taludes, abertura de poços artesianos.

“Depois tem a parte de montagem mecânica que vai envolver uma grande quantidade de pessoal, máquinas, equipamentos, prédios metálicos”, completa o engenheiro. Ele explica que após a transformação do óleo bruto em biodiesel – com a mistura de álcool e um catalisador – resulta também um subproduto, a glicerina. Esta substância largamente utilizada na indústria química poderá abastecer, especialmente, o setor de cosméticos com uma vantagem, tendo em vista que a glicerina de origem vegetal tem propriedades superiores à advinda da gordura animal.

Pesquisa e tecnologia

Erasmo Batistel lembra que o vizinho terminal de combustíveis abastece todo o Norte do Estado e parcela de Santa Catarina e enfatiza as contribuições da Embrapa Trigo e da Universidade de Passo Fundo (UPF). “Temos tecnologia suficiente e adequada para desenvolver esta nova cadeia produtiva, a partir das parcerias com estas duas instituições”, assinala Bastistel.

Uma das apostas no campo da pesquisa é canola, oleaginosa já cultivada no Estado para a alimentação, mas que poderá otimizar a produção do biodiesel. Trata-se de uma cultura de inverno adequada às condições climáticas do Rio Grande do Sul que tem um teor de óleo 46% superior ao da soja, que é uma cultura de verão e que hoje ocupa 80% da área agrícola do RS.

A plantação da canola em grande escala beneficiará a um só tempo a indústria do biodiesel e a agricultura, constituindo-se em mais uma alternativa para compor a renda na propriedade rural. O plano de Bastitel é produzir biodiesel com a matéria-prima da canola já a partir do final do que vem, uma vez que o insumo oferece maior produtividade e, além do mercado interno, a empresa já tem propostas para exportar o produto.

Luiz Carlos Barbosa
Agência de Notícias - Assembléia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul
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