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Bioverde importa nova tecnologia para produzir biodiesel a partir de resíduos

O acordo inclui a importação de equipamentos e uso de uma nova tecnologia de processamento de resíduos para a produção de biodiesel.
BiodieselBR.com 3 min de leitura
O acordo inclui a importação de equipamentos e uso de uma nova tecnologia de processamento de resíduos para a produção de biodiesel.

A Bioverde assinou um acordo de cooperação técnica e tecnológica com a Integral Bioenergies Systems (IBS), com sede em Barcelona, na Espanha. O acordo inclui a importação de equipamentos e uso de uma nova tecnologia de processamento de resíduos para a produção de biodiesel.

A IBS desenvolveu um reator de alta pressão e temperatura para a esterificação ou transesterificação que produz biodiesel em condições supercríticas sem a necessidade de uso de catalisador. A reação química converte espontaneamente todos os ácidos graxos livres em ésteres, além de ácidos graxos comuns, ou seja, triglicerídeos. Dependendo da matéria-prima, a taxa de conversão de ácidos graxos em biodiesel pode variar de 96 a 98%.

O equipamento é acoplado ao processo tradicional de transesterificação ou esterificação. “É um reforço para otimizar a produção de biodiesel. O processo não gera glicerina, não forma sabão, não consome água e não produz efluentes líquidos ou resíduos”, diz José Antônio Soler García, gerente da IBS. Segundo ele, a tecnologia também permite o uso de etanol, incluindo o hidratado, que é mais amigável ao meio ambiente que o metanol.

A IBS está interessada no mercado brasileiro de biodiesel. A companhia criou a empresa First Biodiesel Company para poder atuar no país, onde manterá uma equipe técnica para trabalhar em conjunto com a Bioverde. Esta será a primeira vez que uma usina comercial utiliza a tecnologia desenvolvida em 2006 com recursos do governo espanhol para pesquisas.

O processo foi testado em produção contínua numa planta piloto na Espanha, com capacidade para 136 mil litros por ano. Segundo García, as usinas na Espanha não tiveram interesse em utilizar a tecnologia porque estão operando com grande ociosidade. “O momento lá não é muito favorável”, diz.

“Este acordo abre um mundo novo para o biodiesel”, diz Ailton Domingues, presidente da Bioverde. O processo promete utilizar uma enorme quantidade de óleos e gorduras de alta acidez, que hoje não são adequados para a produção de biodiesel. “Somente os ácidos graxos produzidos pelas indústrias de biodiesel no Brasil já são um mercado mais que suficiente, mas também há um grande volume de rejeitos da pecuária, gordura de frango e de suínos”, diz García.

“Biodiesel para nós é o produto principal e não um subproduto”, diz Domingues, da Bioverde. Em razão disso, explica, a empresa decidiu investir em tecnologia industrial e em fontes alternativas de matéria-prima para ser mais competitiva num mercado dominado pelas esmagadoras de soja. “Sabemos que o projeto de biodiesel não pode ser dependente de uma só commodity, seja ela qual for. E estamos falando de fontes alternativas de matéria-prima, de aproveitamento de resíduos, que tem relação com sustentabilidade”, diz. 

A Bioverde vai solicitar uma autorização da ANP para iniciar os testes na usina de Taubaté (SP), onde inicialmente essa tecnologia será operacionalizada. Segundo Domingues, a idéia é montar uma linha de produção maior em Sorocaba (SP), na unidade adquirida da Copenor, onde há condições técnicas melhores para suportar essa tecnologia. Após um período de testes, ambas as empresas pretendem celebrar um acordo comercial. No entanto, o executivo não quis dar detalhes desse acordo. 

Alice Duarte – BiodieselBR.com
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