Vísceras, amparas e nadadeiras eram os resíduos do beneficiamento que,
inicialmente, não tinham uma utilidade para os produtores.
Utilizar as vísceras da tilápia para produzir biodiesel. Essa é uma tecnologia que há cerca de três anos vem sendo estudada pela Fundação Núcleo de Tecnologia Industrial do Ceará (Nutec). Como explica o coordenador do Laboratório de Referência em Biocombustíveis do Nutec (Larbio), Jackson Malveira, essa produção é uma resposta a uma demanda dos próprios piscicultores. ``A tilápia como biodiesel é uma iniciativa aqui do Nutec``, destaca.
"A questão da tilápia despertou o interesse a partir do momento que no Castanhão começou a criação em tanques-redes``, lembra Malveira. Vísceras, amparas e nadadeiras eram os resíduos do beneficiamento que, inicialmente, não tinham uma utilidade para os produtores. ``Desde que tivemos essa solicitação da comunidade estamos buscando a melhor maneira de fazer essa estação``, observa.
Ao longo desses três anos, Malveira observa que já foi possível ter resultados animadores, inclusive a certeza de um biodiesel de qualidade. O engenheiro químico, mestre em Engenharia Civil e pesquisador do Nutec, Fernando Pedro Dias, complementa, explicando que já é possível dizer que ``não é mais uma brincadeira de pesquisador``. Após testes em geradores de energia, o pesquisador conclui que essa produção é uma certeza, carente apenas de investimento em tecnologia para que seja feita a extração.
Para isso, Malveira tem buscado o apoio do Banco do Nordeste do Brasil (BNB). A ideia é que a instituição financie unidades de extração do óleo. ``Acredito que o BNB tem interesse de ter uma matéria-prima regional``, observa. Esse laboratório daria suporte aos pesquisadores do Estado. Para o coordenador, entretanto, a pesquisa tem esbarrado em um problema, a falta de recursos humanos que se permaneçam na Fundação. Hoje, somente ele faz parte do quadro de funcionários fixo do Larbio. As outras pessoas são bolsistas que, a qualquer momento, são contratados pelo mercado e levam consigo todo o conhecimento das pesquisas.
EMAIS
- A matemática não é das mais simples. Das 20 mil toneladas de tilápia produzidas no Ceará, segundo dados da Secretaria de Desenvolvimento Agrário (SDA), 10% são de vísceras. Dessas 2.000 toneladas de vísceras, 50% resultam em óleo. Do óleo produzido, 90% é biodiesel, o que significa 900 toneladas de biodiesel.
- No Estado, o açude de Sítios Novos, em Caucaia, ultrapassou o Castanhão na produção de tilápias. Logo em seguida, está o Castanhão, na cidade de Alto Santo, seguido do Jaibaras, no município de Sobral.
- O Nutec aponta que dizer que a tecnologia é cara ou barata é relativo. Um apontamento é feito, por exemplo, com óleo residual. A tecnologia para "purificar`` esse óleo pode ser cara, mas é mais barata que o tratamento de água necessário para limpar esse resíduo despejado nos ralos das residências.
- O laboratório tem também pesquisas com resíduos, como o óleo doméstico. Sobre essa matéria-prima eles dão a dica: ``Se a Prefeitura fizesse uma parceria com restaurantes e transformasse o óleo em biodiesel para sua frota cativa, já seria uma solução``.
Camille Soares - O Povo - CE
Utilizar as vísceras da tilápia para produzir biodiesel. Essa é uma tecnologia que há cerca de três anos vem sendo estudada pela Fundação Núcleo de Tecnologia Industrial do Ceará (Nutec). Como explica o coordenador do Laboratório de Referência em Biocombustíveis do Nutec (Larbio), Jackson Malveira, essa produção é uma resposta a uma demanda dos próprios piscicultores. ``A tilápia como biodiesel é uma iniciativa aqui do Nutec``, destaca.
"A questão da tilápia despertou o interesse a partir do momento que no Castanhão começou a criação em tanques-redes``, lembra Malveira. Vísceras, amparas e nadadeiras eram os resíduos do beneficiamento que, inicialmente, não tinham uma utilidade para os produtores. ``Desde que tivemos essa solicitação da comunidade estamos buscando a melhor maneira de fazer essa estação``, observa.
Ao longo desses três anos, Malveira observa que já foi possível ter resultados animadores, inclusive a certeza de um biodiesel de qualidade. O engenheiro químico, mestre em Engenharia Civil e pesquisador do Nutec, Fernando Pedro Dias, complementa, explicando que já é possível dizer que ``não é mais uma brincadeira de pesquisador``. Após testes em geradores de energia, o pesquisador conclui que essa produção é uma certeza, carente apenas de investimento em tecnologia para que seja feita a extração.
Para isso, Malveira tem buscado o apoio do Banco do Nordeste do Brasil (BNB). A ideia é que a instituição financie unidades de extração do óleo. ``Acredito que o BNB tem interesse de ter uma matéria-prima regional``, observa. Esse laboratório daria suporte aos pesquisadores do Estado. Para o coordenador, entretanto, a pesquisa tem esbarrado em um problema, a falta de recursos humanos que se permaneçam na Fundação. Hoje, somente ele faz parte do quadro de funcionários fixo do Larbio. As outras pessoas são bolsistas que, a qualquer momento, são contratados pelo mercado e levam consigo todo o conhecimento das pesquisas.
EMAIS
- A matemática não é das mais simples. Das 20 mil toneladas de tilápia produzidas no Ceará, segundo dados da Secretaria de Desenvolvimento Agrário (SDA), 10% são de vísceras. Dessas 2.000 toneladas de vísceras, 50% resultam em óleo. Do óleo produzido, 90% é biodiesel, o que significa 900 toneladas de biodiesel.
- No Estado, o açude de Sítios Novos, em Caucaia, ultrapassou o Castanhão na produção de tilápias. Logo em seguida, está o Castanhão, na cidade de Alto Santo, seguido do Jaibaras, no município de Sobral.
- O Nutec aponta que dizer que a tecnologia é cara ou barata é relativo. Um apontamento é feito, por exemplo, com óleo residual. A tecnologia para "purificar`` esse óleo pode ser cara, mas é mais barata que o tratamento de água necessário para limpar esse resíduo despejado nos ralos das residências.
- O laboratório tem também pesquisas com resíduos, como o óleo doméstico. Sobre essa matéria-prima eles dão a dica: ``Se a Prefeitura fizesse uma parceria com restaurantes e transformasse o óleo em biodiesel para sua frota cativa, já seria uma solução``.
Camille Soares - O Povo - CE