Conheça como surgiu uma das maiores empresas de biodiesel dos EUA, os
incentivos oferecidos pelos estados, onde é maior o consumo, os preços, as matérias-primas...
Conheça como surgiu uma das maiores empresas de biodiesel dos EUA, os incentivos oferecidos pelos estados, onde é maior o consumo, os preços, as matérias-primas...

Depois de dez anos pilotando jatos para Northwest Airlines, John Plaza decidiu durante uma escala longa e fria que ele queria mudar o mundo. "Eu pilotava aviões de carga de Anchorage até Tóquio," diz Plaza, 41. "Eu fiz uma estimativa e percebi que a tonelagem de combustível para abastecer meu 747 até Tóquio podia abastecer meu Nissan por mais ou menos 42 anos."
Inspirado a lançar um negócio de energia renovável, Plaza escolheu o biodiesel, uma alternativa renovável ao diesel de petróleo que pode ser feito da maioria de tipos de óleo vegetal. Ele descontou seu 401(k) [uma espécie de FGTS], hipotecou sua casa e vendeu seu barco de esqui para comprar um depósito de 5.000 pés quadrados em um setor industrial de Seattle.
Plaza transformou velhos tanques de cervejaria para produção de biodiesel e importou a matéria-prima - óleo de soja puro - de fazendeiros de Iowa. Ele encheu seus primeiros galões de biodiesel em abril de 2004. A Imperium Renewables (imperiumrenewables.com) entrava em operação.
No final do verão a Imperium planeja abrir uma nova refinaria de biodiesel em Grays Harbor, Washington. A fábrica, construída num local de 25 acres a mais ou menos duas horas ao Sul de Seattle, estará entre os maiores produtores de biodiesel dos EUA, refinando até 100 milhões de galões de combustível baseado em canola e soja por ano. Isto é aproximadamente 68 milhões de galões a menos que a provisão total diária de diesel para os Estados Unidos, de acordo com Kline & Cia., uma firma de pesquisa de mercado em Little Falls, N.J.
O biodiesel pode ser feito de gordura animal ou qualquer óleo vegetal, inclusive óleo de cozinha usado. Age como um lubrificante natural, é completamente biodegradável e queima mais limpo que o diesel convencional, reduzindo as emissões de monóxido de carbono em 50 por cento e gás carbônico - o principal gás do efeito estufa que causa o aquecimento global - em 78 por cento.
Diferentemente do etanol, que em altas concentrações funciona só em veículos especialmente projetados, o biodiesel funciona em virtualmente qualquer motor diesel. De acordo com National Biodiesel Board (biodiesel.org), as vendas de biodiesel nos EUA quintuplicaram nos últimos três anos, de 15 milhões de galões em 2003 a 200 milhões no ano passado. Os analistas esperam que as vendas cheguem a 800 milhões de galões por 2020.
Obviamente faz mais sentido econômico comprar biodiesel quando os preços dos combustíveis convencionais subirem, como ocorreu no outono. Brian Campbell, 32, usa biodiesel da Imperium para abastecer dois rebocadores em Puget Sound. Ele acha que sua companhia, Campbell Maritime (campbellmaritime.com), economizou aproximadamente US$5.000 anualmente em custos de combustível durante os últimos dois anos usando biodiesel.
Campbell diz que em média seu biodiesel - uma mistura de 99 por cento de óleo de soja e 1 por cento diesel regular - é 10 a 15 centavos mais barato por galão que o diesel regular. "O barco funciona do mesmo jeito," diz Campbell. "Você nunca saberia que você não estava usando diesel normal."
Como Campbell Maritime, a maioria dos usuários de combustível da Imperium estão baseados no Noroeste dos EUA. Eles incluem companhias de construção, frotas de ônibus municipal e o Porto de Seattle. Os clientes têm um incentivo para usar biodiesel porque novas leis da cidade e do estado exigem que a indústria local reduza as emissões de gás do efeito estufa.
No mercado de biodiesel o papel de Arábia Saudita é feito por fazendeiros do Meio Oeste que cultivam a maior parte da soja dos EUA. A maioria das 85 usinas de biodiesel do país - e as 65 usinas em obras - também estão no Meio Oeste.
Em 30 de janeiro, o produtor local de canola Natural Selection Farms entregou 6.000 galões de óleo de canola para a Imperium, o primeiro lote de uma matéria-prima que os fundadores esperam gerará pelo menos 50 por cento de produção total de biodiesel de Grays Harbor nos próximos cinco a dez anos. "O modo de fazer combustível é estar perto dos seus clientes," diz o companheiro de Plaza, Martin Tobias, 42, um empresário que serve como CEO da Imperium.
A maior parte dos motores diesel do país abastece caminhões, tratores e maquinaria de construção. Os carros diesel respondem a só 0,2 por cento de todos os veículos de consumidor vendidos nos Estados Unidos. Nos anos setenta os carros diesel ganharam uma reputação por terem motores barulhentos e poluidores. Uma nova geração de carros diesel mais limpos e silenciosos está começando a entrar no mercado dos Estados Unidos, muitos de fabricantes europeus como Volkswagen. Os incentivadores do biodiesel esperam que estes carros, que podem conseguir uma quilometragem 30 por cento melhor que os veículos a gasolina, aumentarão a demanda por combustível limpo.
Mas resta um problema. Só mais ou menos 1.050 dos 121.446 postos de gasolina do país vendem biodiesel. Apesar das isenções fiscais, a conveniência ainda proíbe o preço para a maioria de compradores de diesel. "Os usuários privados querem combustível barato e prontamente disponível," diz John DeCicco, um consultor sênior de estratégias automotivas da Environmental Defense (environmentaldefense.org), uma organização sem fins lucrativos baseada em Nova Iorque. "Para se perceber o potencial do biodiesel, deve haver uma grande mudança nas políticas públicas."
Mas alguma ajuda está a caminho. Em 2005, o Congresso autorizou o Programa de Padrão de Combustível Renovável do EPA (RFS), um plano ambicioso que exige que os distribuidores de combustível incorporem 7,5 bilhões de galões de combustível renovável por ano até 2012. O programa, que entra em vigor ainda este ano, visa cortar o consumo de petróleo dos Estados Unidos em 3,9 bilhões galões anualmente, ou aproximadamente 1,6 por cento dos combustíveis fósseis que seria usado para transporte.
Até que mais iniciativas assim ocorram - ou até que os impostos subam para englobar os custos ambientais e militares da dependência de combustível fóssil dos EUA - a indústria de biodiesel dependerá de uma minoria engajada que espera economizar dinheiro enquanto ajuda a salvar o planeta. "O biodiesel é melhor para meus motores, melhor para o ar e melhor politicamente," diz o operador de rebocador de Seattle Campbell. Como assim? Simples, ele explica. "Você está enviando dinheiro de combustível para o Meio Oeste em vez da Arábia saudita."
Por Maggie Overfelt, FSB Magazine
CNNmoney.com
Tradução: BiodieselBR.com

Depois de dez anos pilotando jatos para Northwest Airlines, John Plaza decidiu durante uma escala longa e fria que ele queria mudar o mundo. "Eu pilotava aviões de carga de Anchorage até Tóquio," diz Plaza, 41. "Eu fiz uma estimativa e percebi que a tonelagem de combustível para abastecer meu 747 até Tóquio podia abastecer meu Nissan por mais ou menos 42 anos."
Inspirado a lançar um negócio de energia renovável, Plaza escolheu o biodiesel, uma alternativa renovável ao diesel de petróleo que pode ser feito da maioria de tipos de óleo vegetal. Ele descontou seu 401(k) [uma espécie de FGTS], hipotecou sua casa e vendeu seu barco de esqui para comprar um depósito de 5.000 pés quadrados em um setor industrial de Seattle.
Plaza transformou velhos tanques de cervejaria para produção de biodiesel e importou a matéria-prima - óleo de soja puro - de fazendeiros de Iowa. Ele encheu seus primeiros galões de biodiesel em abril de 2004. A Imperium Renewables (imperiumrenewables.com) entrava em operação.
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Empresário do biodiesel John Plaza (esq.) na sua refinaria de soja em Seattle. |
Imperium Renewables
Hoje a Imperium vende entre 700 e 800 galões de biodiesel por dia para quatro distribuidores regionais de combustível e não consegue manter o ritmo da demanda. Os lucros em 2006 chegaram a entre $5 milhões e $10 milhões.No final do verão a Imperium planeja abrir uma nova refinaria de biodiesel em Grays Harbor, Washington. A fábrica, construída num local de 25 acres a mais ou menos duas horas ao Sul de Seattle, estará entre os maiores produtores de biodiesel dos EUA, refinando até 100 milhões de galões de combustível baseado em canola e soja por ano. Isto é aproximadamente 68 milhões de galões a menos que a provisão total diária de diesel para os Estados Unidos, de acordo com Kline & Cia., uma firma de pesquisa de mercado em Little Falls, N.J.
O biodiesel pode ser feito de gordura animal ou qualquer óleo vegetal, inclusive óleo de cozinha usado. Age como um lubrificante natural, é completamente biodegradável e queima mais limpo que o diesel convencional, reduzindo as emissões de monóxido de carbono em 50 por cento e gás carbônico - o principal gás do efeito estufa que causa o aquecimento global - em 78 por cento.
Diferentemente do etanol, que em altas concentrações funciona só em veículos especialmente projetados, o biodiesel funciona em virtualmente qualquer motor diesel. De acordo com National Biodiesel Board (biodiesel.org), as vendas de biodiesel nos EUA quintuplicaram nos últimos três anos, de 15 milhões de galões em 2003 a 200 milhões no ano passado. Os analistas esperam que as vendas cheguem a 800 milhões de galões por 2020.
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Operador de rebocador Brian Campbell, de Seattle, economizou dinheiro usando biodiesel nos seus barcos.
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Aspectos econômicos
As matérias-primas oleaginosas do Biodiesel custam mais por galão que o óleo bruto do qual o diesel é refinado, embora subsídios do governo ajudem a manter os custos competitivos. Uma isenção fiscal dá a Imperium e outros produtores de biodiesel um crédito de $1 dólar para todo galão de biodiesel produzido, permitindo a eles repassaram o desconto aos clientes. Os preços regulares do diesel no início deste mês nos EUA estavam em média a US$2,40 o galão, enquanto biodiesel puro de US$1,50 até US$2,50 o galão.Obviamente faz mais sentido econômico comprar biodiesel quando os preços dos combustíveis convencionais subirem, como ocorreu no outono. Brian Campbell, 32, usa biodiesel da Imperium para abastecer dois rebocadores em Puget Sound. Ele acha que sua companhia, Campbell Maritime (campbellmaritime.com), economizou aproximadamente US$5.000 anualmente em custos de combustível durante os últimos dois anos usando biodiesel.
Campbell diz que em média seu biodiesel - uma mistura de 99 por cento de óleo de soja e 1 por cento diesel regular - é 10 a 15 centavos mais barato por galão que o diesel regular. "O barco funciona do mesmo jeito," diz Campbell. "Você nunca saberia que você não estava usando diesel normal."
Como Campbell Maritime, a maioria dos usuários de combustível da Imperium estão baseados no Noroeste dos EUA. Eles incluem companhias de construção, frotas de ônibus municipal e o Porto de Seattle. Os clientes têm um incentivo para usar biodiesel porque novas leis da cidade e do estado exigem que a indústria local reduza as emissões de gás do efeito estufa.
No mercado de biodiesel o papel de Arábia Saudita é feito por fazendeiros do Meio Oeste que cultivam a maior parte da soja dos EUA. A maioria das 85 usinas de biodiesel do país - e as 65 usinas em obras - também estão no Meio Oeste.
Canola
Mas mais de 60 por cento do biodiesel dos Estados Unidos é consumidos nas duas costas. A soja não cresce no Estado de Washington, então a Imperium atualmente paga mais ou menos 20 a 25 centavos o galão para transportar óleo de soja do Meio Oeste em vagões. A Imperium tem procurado persuadir os fazendeiros locais a plantar canola, que tem o mesmo valor energético que a soja quando refinada em biodiesel.
Em 30 de janeiro, o produtor local de canola Natural Selection Farms entregou 6.000 galões de óleo de canola para a Imperium, o primeiro lote de uma matéria-prima que os fundadores esperam gerará pelo menos 50 por cento de produção total de biodiesel de Grays Harbor nos próximos cinco a dez anos. "O modo de fazer combustível é estar perto dos seus clientes," diz o companheiro de Plaza, Martin Tobias, 42, um empresário que serve como CEO da Imperium.A maior parte dos motores diesel do país abastece caminhões, tratores e maquinaria de construção. Os carros diesel respondem a só 0,2 por cento de todos os veículos de consumidor vendidos nos Estados Unidos. Nos anos setenta os carros diesel ganharam uma reputação por terem motores barulhentos e poluidores. Uma nova geração de carros diesel mais limpos e silenciosos está começando a entrar no mercado dos Estados Unidos, muitos de fabricantes europeus como Volkswagen. Os incentivadores do biodiesel esperam que estes carros, que podem conseguir uma quilometragem 30 por cento melhor que os veículos a gasolina, aumentarão a demanda por combustível limpo.
Mas resta um problema. Só mais ou menos 1.050 dos 121.446 postos de gasolina do país vendem biodiesel. Apesar das isenções fiscais, a conveniência ainda proíbe o preço para a maioria de compradores de diesel. "Os usuários privados querem combustível barato e prontamente disponível," diz John DeCicco, um consultor sênior de estratégias automotivas da Environmental Defense (environmentaldefense.org), uma organização sem fins lucrativos baseada em Nova Iorque. "Para se perceber o potencial do biodiesel, deve haver uma grande mudança nas políticas públicas."
Governo
Hoje só uma parte dos governos locais exige o uso de biodiesel (veja mapa). A municipalidade mais ambiciosa é Portland, Oregon, que aprovou uma lei no ano passado exigindo que todo diesel vendido dentro dos limites da cidade contenha pelo menos 5 por cento de biodiesel.Mas alguma ajuda está a caminho. Em 2005, o Congresso autorizou o Programa de Padrão de Combustível Renovável do EPA (RFS), um plano ambicioso que exige que os distribuidores de combustível incorporem 7,5 bilhões de galões de combustível renovável por ano até 2012. O programa, que entra em vigor ainda este ano, visa cortar o consumo de petróleo dos Estados Unidos em 3,9 bilhões galões anualmente, ou aproximadamente 1,6 por cento dos combustíveis fósseis que seria usado para transporte.
Até que mais iniciativas assim ocorram - ou até que os impostos subam para englobar os custos ambientais e militares da dependência de combustível fóssil dos EUA - a indústria de biodiesel dependerá de uma minoria engajada que espera economizar dinheiro enquanto ajuda a salvar o planeta. "O biodiesel é melhor para meus motores, melhor para o ar e melhor politicamente," diz o operador de rebocador de Seattle Campbell. Como assim? Simples, ele explica. "Você está enviando dinheiro de combustível para o Meio Oeste em vez da Arábia saudita."
Por Maggie Overfelt, FSB Magazine
CNNmoney.com
Tradução: BiodieselBR.com
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