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Biodiesel de algas pode ser viável em 15 anos

Estudo conclui que a produção de biodiesel a partir de microalgas em larga escala será economicamente viável e sustentável dentro de 10 a 15 anos.
BiodieselBR.com 4 min de leitura
Estudo conclui que a produção de biodiesel a partir de microalgas em larga escala será economicamente viável e sustentável dentro de 10 a 15 anos.

 A produção de biodiesel a partir de microalgas em larga escala será economicamente viável e sustentável dentro de 10 a 15 anos. A conclusão é de dois pesquisadores da Universidade e Centro de Pesquisa Wageningen, da Holanda. Produzir algas microscópicas em instalações de grande escala, teoricamente, poderá fazer a Europa se tornar independente dos combustíveis fósseis para transportes e ainda contribuir para a produção sustentável de alimentos. Mas para isso, segundo o estudo, a escala de produção deve aumentar três vezes, e o custo de produção diminuir pelo menos dez vezes.

No artigo “Uma perspectiva sobre biocombustíveis de microalgas”, publicado na última sexta-feira (13) na revista Science os pesquisadores René Wijffels e Maria Barbosa explicam qual seria o caminho. No prazo de cinco anos, as algas primeiramente precisariam servir como fonte de alimento para peixes e mariscos. Após esse período, seria preciso viabilizar sua utilização como fonte protéica para alimentos e para produtos químicos. A produção de biodiesel viria só depois desta fase, em meados de 2020.

Segundo os autores, seria necessária uma produção de quase 4 bilhões de litros de biodiesel para substituir todos os combustíveis para transportes na Europa. Para abastecer esse mercado, o cultivo de microalgas exigiria 9,25 milhões de hectares de terra (o equivalente à extensão de Portugal), considerando um rendimento de 40 mil litros de biodiesel por hectare.

Para cultivar algas em larga escala, fertilizantes como nitrogênio e fosfatos poderiam ser extraídos de estrume e de águas residuais, com CO2 proveniente de emissões industriais. Para reduzir os custos, os cultivos poderiam privilegiar espécies marinhas utilizando água do mar ao invés de água doce. O estudo mostrou que no cultivo de algas com água do mar é possível obter 1 litro de combustível com apenas 1,5 litros de água. Na fabricação de biocombustíveis a partir de culturas agrícolas como a colza, por exemplo, 10 mil litros de água doce são necessários para cada litro de combustível, afirmam os pesquisadores.

  • Desenvolvimento de fotobioreatores de baixo custo: Flat-panel reactors from (A) Proviron, Belgium
  • Desenvolvimento de fotobioreatores de baixo custo: (B) Solix Biofuels, USA
  • Desenvolvimento de fotobioreatores de baixo custo: (C) Green Wall Panel reactors from Fotosintetica & Microbiologica S.r.l., Italy.
Mas para a produção de bioenergia a partir de algas ser viável financeiramente, toda a biomassa teria que ser utilizada: óleo, proteína e açúcares. A produção de proteína de algas oferece possibilidades interessantes. Hoje, em todo mundo, são produzidas 5 mil toneladas da matéria seca de algas, cujo valor de mercado gira em torno de 250 euros por quilo. O preço é elevado porque as algas podem produzir valiosas substâncias como carotenóides e ômega 3, que são convertidos em produtos de alta qualidade, como suplementos alimentares. Se todos os combustíveis para o transporte fossem substituídos por biocombustíveis de algas na Europa, seriam geradas 3 milhões de toneladas de proteínas. Isso é 40 vezes mais do que a quantidade de proteína de soja que a Europa importa por ano.

A produção de grandes quantidades de biomassa também requer uma grande quantidade de CO2. Um total de 1,8 toneladas de CO2 é necessário para produzir 1 tonelada de biomassa de algas. Isso significa que 1,3 bilhões de toneladas de CO2 seriam necessários para a produção de 4 bilhões de litros de biodiesel para o mercado europeu. Como a União Européia produz cerca de 4 bilhões de toneladas de CO2, a produção de microalgas iria contribuir consideravelmente para a redução das emissões.

A Universidade Wageningen deverá lançar em breve uma planta piloto em AlgaePARC (Centro de Produção e Pesquisa de Algas). Lá os pesquisadores vão estudar a ampliação da produção de algas e comparar diferentes tecnologias, considerando os custos para a construção de biorrefinarias, produção e logística durante a produção de biocombustíveis.

Estudo na íntegra: An Outlook on Microalgal Biofuels

Alice Duarte – BiodieselBR.com
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