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Alta viscosidade da mamona é vantagem, problema está no campo

A alta viscosidade do óleo de mamona, que é apontada como problemática para o biodiesel puro, é, na realidade, uma vantagem quando misturado com biodiesel de outras matérias-primas e possui uma infinidade de aplicações.
BiodieselBR.com 3 min de leitura
A alta viscosidade do óleo de mamona, que é apontada como problemática para o biodiesel puro, é, na realidade, uma vantagem quando misturado com biodiesel de outras matérias-primas e possui uma infinidade de aplicações.

 As especulações a respeito da viabilidade do uso da mamona na produção de biodiesel não abalam a convicção do engenheiro agrônomo Amadeu Regitano Neto de que o investimento do governo na oleaginosa foi uma decisão acertada. “A adição da mamona ao biodiesel contribui para melhorar a qualidade do produto final”, diz. A opinião do pesquisador do Instituto Agronômico de São Paulo (IAC) está calcada em dados. Segundo Regitano, a alta viscosidade do óleo, que é apontada como problemática para o biodiesel puro, é, na realidade, uma vantagem quando misturado com biodiesel de outras matérias-primas e possui uma infinidade de aplicações.

“É ela que confere ao produto características que o fazem ser ideal, por exemplo, para a produção de lubrificantes para a aviação”, informa. O óleo de mamona, diz Regitano, suporta temperaturas muito altas e muito baixas sem perder a viscosidade. Além disso, o produto pode ser comercializado junto à indústria de plásticos, componentes para fios, próteses, nylons e na indústria de comésticos. “Mas foi o programa de biodiesel que deu ao produtor a segurança necessária para que ele pudesse investir na produção”, analisa.

“Nunca se pensou em produzir biodiesel exclusivamente de mamona, mas sim aproveitar a oleaginosa como parte da matéria-prima do combustível”, esclarece. Como resultado, defende, o produto final se torna melhor por herdar as propriedades lubrificantes do óleo. A opinião de Regitano é semelhante a do engenheiro Valfredo Vilela, da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA). “A mamona é uma boa cultura para o produtor familiar. São eles que dominam esse cultivo no Brasil. O que o programa do biodiesel fez por esses produtores foi garantir o preço de venda do óleo”, explica.

As dificuldades estão no campo
O problema da mamona hoje está no campo e não na viscosidade. Mesmo depois de quatro anos do programa de biodiesel, a participação desta oleaginosas ainda é pífia. De acordo com Vilela, a participação da mamona deve permanecer pequena. “Hoje ela representa menos de 1% da produção”. Entre os fatores que atrasam o desenvolvimento da planta está a falta de variedades mais produtivas. “Atualmente a média de produção na Bahia é de 600 quilos por hectare”, diz Vilela, reconhecendo que o trabalho precisa ser feito pensando em cultivares que aumentem essa produtividade.

“A cultura da mamona precisava e ainda precisa do impulso do biodiesel para se consolidar no país”, afirma Vilela. O Brasil já foi o maior produtor desse óleo no mundo, mas hoje perdeu o posto para a Índia, que representa 49% da produção mundial, e para a China (29%). “Podemos retomar essa produção apostando em variedades mais produtivas e no uso de terras já desmatadas”, defende.

“Para se ter uma idéia, se fosse implantado o B5 e metade do biodiesel necessário para isso fosse feito de mamona teríamos que plantar 3,16 milhões de hectares dessa oleaginosa”, contabiliza. “Hoje, no mundo inteiro há apenas 1,3 milhão de hectares cultivados dessa planta”, completa.

Rosiane Correia de Freitas - BiodieselBR.com
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